sexta-feira, agosto 28, 2015

oito.mês.oito.

agosto começou. o sol é quente, a pele morena, o peixe brasa, há caracóis no prato e no cabelo dourado. o verão começou agora e as paixões são letras da festa do coreto. agosto é a prima francesa que sabe tanto sobre tanta coisa mas insiste em ter medo da osga e do cobra que eu sei que não são venenosas. claro que não são, comigo não há perigo. agosto começou agora e temos todo um mês para ouvir o tio zé a contar mil histórias em mil noites que são tão quentes como as memórias daquela áfrica de onde todos vieram. agosto é férias sem fim, é o mês que vive em todos os outros. o verão é agosto, é expo, é belém, francesinhas e uma tia beijoqueira que detesto. mas quem é ela? tia lurdes, como a avó que era um amor. aldeia que corta a grande cidade, gasosa que melhora o vinho, mão dada que me deixa apaixonado. "o meu querido mês de agosto" diz o primo rui que é dos filmes. talvez, não sei, mas garanto que se eu mandasse nisto tudo, e um dia vou mandar, agosto teria os 365 dias que merece. agosto acabou. hoje.

2º E

já tenho o número dela! o carlos do 7ºa deu-me o número porque é amigo do vizinho do 2ºf. gosto do carlos, sempre foi fixe e fica sempre na minha equipa. mas gosto mais dela. hoje vou ligar-lhe para casa e vou pedir para falar com ela. vou perguntar pela prova de global, ou pelos trabalhos ou mesmo se está melhor do pé. hoje vou ouvir a voz dela e talvez nem lhe diga nada. um silêncio apaixonado, daqueles que se lêem nos livros da minha madrasta. gosto das sardas dela, e sei que vou sentir as sardas na voz entre as palavras assopradas de quem usa um aparelho nem há duas semanas. gosto dela. dizem que isto é amor mas eu acho que não. isto é apenas o princípio de uma bela história que vai acabar quando eu souber montar a cavalo, falar francês e fizer com ela a viagem de finalistas. quero ser da turma dela e ser o melhor amigo. quero tudo com ela. quero aprender a amar com ela. tenho o número dela, o resto tem de ser fácil.

histórias com mar II

o silêncio por toda a casa, a mala por fazer, a manhã que está aí a chegar e ele que não chega. é a última noite até à próxima. que está longe. e ele que talvez não volte. dizem que vida de pescador é dura mas a de mulher não é menos. ele não volta. ele não chega. era um copo ou dois apenas. o telefone não toca e eu fecho os olhos. o sono não vem. ele sempre foi assim, ele é assim. pescador com porto mas sem batel. nada é dele, é tudo emprestado ao tempo, ao futuro incerto, à morte. li no jornal que ele é sagitário e são todos assim, se o jornal diz. quero-o de volta. preciso dele! amanhã ele vai-se e não sei quando volta. não me lembro da última noite, da última viagem, do último carinho, da última vez que não fui apenas uma continuação do passado, quanto mais da penúltima. a luísa da novela é igual, ele até a a ama mas não mostra, dizem que os homens são assim. o rodrigo era assim, são todos assim, os homens. ele não volta. talvez volte por esta noite mas não volta. quero os meus 30 anos mas eles não voltam. ele não volta. toca o telefone. é ele?