domingo, agosto 10, 2014

simples

o cabelo molhado, as costas suadas, as pernas que fraquejam. é dura a subida e, contudo, doi menos que a ausência de duas noites lá longe. lisboa, bairro em que vivo e duro. são longas as noites sem ti e maior ainda o tempo que me falta até ser tempo para estar aí. a nossa cama é quase. ganha corpo, e vive aqui nestas palavras. é simples. e real. e agora?

sexta-feira, agosto 08, 2014

quem és tu, de novo?

andamos nisto há demasiado tempo e sinto que já não há mais horas no relógio que me deste. aquele tic-tac outrora familiar é agora barulho infernal que insiste em arrasar o silêncio desta nossa casa. vejo as tuas roupas a um canto, a cama que não se desfez mais, e faltam-me as marcas dos teus pés, pequenos e subtis, no chão. dois discos por abrir, dois presentes que vieram foram do tempo, são metáforas que não quero ter comigo. esta casa não foi feita para ser de um, não tem mais vista a janela rasgada no verde jardim, não tem mais sol o fim-de-dia. perdemos o outro algures no caminho, somos bichos humanizados sem dedos acusatórios. não existe culpa. não te tenho aqui, não te vejo aqui, não há verbo que escreva este momento. ligo o rádio de colecção e o oiço as palavras de outro: quem és tu, de novo?