sexta-feira, novembro 08, 2013

a cabeça

leva a cabeça entre as pernas, pesa-lhe muito. não é só o cansaço de sexta, até porque amanhã ainda é dia e há tanto para fazer, é bem mais do que isso. não gosta da conversa de café, que também é de comboio, fila ou elevador. não gosta dos transportes silenciosos, das crianças ruidosas e dos velhos mesmo velhos. sim, aqueles que lhe apontam o amanhã. e amanhã ainda só é sábado. não gosta de ter uma casa sozinha à sua espera, nem dos telefonemas da ex-mulher para saber se está tudo bem. claro que não, sua vaca da merda. tu vives com um engenheiro qualquer e eu sobrevivo com as paredes pintadas das tuas recordações. não gosta de odiar a vida que leva. menos ainda da vida que lhe levaram. está só. dói-lhe a cabeça. é do cansaço, ou de um tumor, prevê o fórum brasileiro que leu essa tarde. leva a cabeça entre as pernas, pesa-lhezw, sentdie-se esvtramho. a cabegça, a restupiraçião.

quinta-feira, novembro 07, 2013

hoje é camus


"Aujourd'hui, maman est morte. Ou peut-être hier, je ne sais pas. J'ai reçu un télégramme de l'asile: «Mère décédée. Enterrement demain. Sentiments distingués.» Cela ne veut rien dire. C'était peut-être hier."

L’étranger, Albert Camus (1913-1960)