quarta-feira, outubro 31, 2012

dos tempos que correm



«No momento em que a votação do Orçamento do Estado para 2013 na generalidade terminou na Assembleia da República (AR), um grupo de manifestantes foi para a lateral do edifício e impediu a saída dos deputados.» in Público

Fujam, fujam, fujam! Que o mundo real existe e está já ao virar da esquina. Precisamos de mais provas de que vivemos tempos em que apenas os cobardes e os pobre de espírito fazem (a) política?  Portugal não é a Grécia, dizem. Não é a Grécia actual, muito menos é a Grécia Antiga. É pena.

terça-feira, outubro 30, 2012

onde está o teu deus?



© Zoran Lucić

era certo e sabido que todos os domingos eram dias santos. acordava manhã cedo e ia para o parque. sentava-se debaixo de uma árvore, que era sempre a mesma para lhe conhecer as manhas, ou as sombras, e esperava. acariciava a bola, rodava-a no dedo, ouvia o vento. era capaz de passar noventa minutos nisto. a ouvir passar o tempo. a sentir a natureza. a preparar-se. depois vinha o almoço apressado, que a caminhada de san telmo até la boca ainda era longa. noventa minutos, pelo menos. combinava sempre com  cherro, o vizinho com nome de velho ídolo. no caminho iam trocando nomes como a criança que procura o último cromo: calomino, mouzo, rattin, boyé. quase que podiam garantir que o vento que lhes abanava as roupas gastas era dos potentosos remates desses míticos fantasmas. um jogo depois, la bombonera, essa palavra redonda que o arrepiava. sempre. era a igreja dos ex-ateus, daqueles que se haviam convertido a um novo deus. onde está o deus de cada um?, perguntara-lhe o padre uma vez. dentro de cada um, ouviste?, continuara. mas ele sabia que não. sabia que deus está dentro das quatro linhas. que deus tem nome: maradona. un pibe, un dios. o seu deus. e agora pergunto: onde está o teu deus? onde estão os deuses de cada um? que religião é esta que sabe tão bem e se repete a cada noventa minutos? não quero saber, confesso.  apenas sei que amo a simplicidade que se encontra naquela linha de golo, naquele breve momento onde a ficção e o real se confundem entre duas memórias difusas, naquele diez inmortal.

segunda-feira, outubro 29, 2012

Segunda

Pedem-me uma história feliz. Que pegue na gargalhada da criança,  nas tropelias do cachorro, nos esquecimentos do avô. Que faça zástrás com a um-dois-três da avó e use o dicionário do amor da mãe para fazer a história desta família. Pedem palavras que não existem no amor de quem vive apenas aos domingos. Hoje é segunda e não há família nesta casa vazia. É todo um palácio cheio de segundas. Como a família que veio em segunda-mão.

Jardim

Ainda te lembras daquela idade em que tudo era um sorriso? Chovia toda a tarde e, nem por isso, saíamos do jardim municipal. Era o baliza à baliza e o vira-costas, a apanhada e o polícia e ladrão. Fizemos daquele lugar ermo, o centro do mundo. O nosso. Debaixo daquela árvore, os beijos foram a primeira descoberta do amor, enquanto as discussões mostravam o lado inesperado da amizade. Naquele lago vimos reflexos do nosso futuro. E não gostámos. Não compreendemos nada. Era um jardim pacato. Sereno como a vila que nos viu crescer. Eu gostava de ser ali. De recriar os verbos e conjuga-los à nossa forma. Ao nosso jeito. Inocente. Como uma criança matreira. Hoje chove. Hoje chovemos. Sim, hoje somos chuva. Hoje caimos na relva. Entranhamo-nos no verde. Hoje o cheiro a terra é o nosso suor. Hoje somos um pouco mais passado. Sou a ausência que veio com o teu adeus. Num inverno como este. Como estas frases curtas. Já não há continuidade. Só há chuva. Nesta minha casa. Com vista para o nosso jardim. Húmido de lágrimas presas.

El capitalismo foráneo...



 «El capitalismo foráneo, el capitalismo foráneo y sus sirvientes oligárquicos y entreguistas han podido comprobar que no hay fuerza capaz de doblegar a un pueblo que tiene conciencia de sus derechos. Una vez más, mis queridos descamisados, uniéndonos al líder y conductor, reafirmamos que en la vida argentina ya no hay lugar para el colonialismo económico, para la injusticia social, ni para los traficantes de nuestra soberanía y nuestro porvenir...» 

Eva Perón

United we stand, divided we fall


Me matan si no trabajo y si trabajo me matan – Argentina 1974, podia ser uma crónica da futebol mas não. O trabalho aqui não é magia num campo verde e, pelo contrário, este mata. Vemos e ouvimos os mineiros que mantêm o país vivo, à custa do seu sangue, da sua vida. Ouvimos a história da indiferença de políticos e proprietários. E pensamos: como foi possível? Um pormenor delicioso: a história animada do capitalista, dos chapéus e do enriquecimento. Um must.

Cuando despierta el Pueblo – O mundo mudou a 11 de Setembro. Todos os sabemos (ou pelo menos assim espero). O mundo mudou a 11 de Setembro. Não sei se o povo despertou antes ou depois. O mundo mudou a 11 de Setembro. Para muitos piorou. Muito. Mas não para todos, pois há quem tenha ficado bem melhor depois do 11 de Setembro. O mundo mudou depois do 11 de Setembro porque já havia mudando antes. I afastamento de Allende foi um dos maiores golpes políticos jamais feitos. O mundo estava a mudar. Os camponeses estavam a criar algo, o povo estava melhor, a luta estava a ser serena mas eficaz e tudo acabou. O realizador presente na sala começou por partilhar connosco o verdadeiro objectivo do documentário: mostrar aos americanos que o sonho chileno não era um monstro comunista mas apenas a concretização de um mundo melhor. Não serviu de nada. Nem o documentário, nem o sonho chileno. O mundo mudou (muito) naquele 11 de Setembro.

sabor a Vila do Conde


A Rua da Estrada – A estrada é a actriz principal. A principal estrada é o caminho. Confuso? A confusão é a marca que marca a estrada principal. Pois esta curta é uma viagem às estradas principais que cortam o país. São lugares-passagem que espelham as singularidades de cada terra mas também as suas semelhanças. Há de tudo: dinossáurios, tourogalos,  barcos-restaurantes. É um mimo, e sempre a direito.

Cinzas, ensaio sobre o fogo – Portugal é destruído todos os anos por terríveis incêndios. Culpam-se os madeireiros, as industrias, os loucos piromaníacos, e até as distracções. Este documentário não é um ensaio, é um olhar sobre a vida dos pastores e as queimadas que eles fazem. Mas as controladas, apenas as que estão controladas. Que de resto não se controla a vida nem o fogo.

O Canto do Rocha – Aí, Rocha, Rocha. Que vida é a tua? Corpo franzino mas muita lábia, histórias para contar e assombrar. É o café perdido no Porto e a família que não se larga. São os pormenores de-li-ci-o-sos como a tua máscara de samurai. É esse o teu verdadeiro fado, ser personagem de histórias, ser uma ficção feita real. Obrigado, Rocha.

Fusão a 451º F?

 O acordo foi anunciado nesta segunda-feira e envolve as duas maiores editoras de livros do mundo. O grupo britânico Pearson e o grupo alemão Bertelsmann acertaram a fusão da Penguin e da Random House, e criaram a Penguin Random House. Uma revolução no mercado da edição, para enfrentar o desafio dos ebooks ou livros digitais. 


Fundir duas das maiores editoras do mundo vai mexer com todo o mercado, isso é certo e até positivo.. No entanto, meu receio é que a temperatura aumente tanto para as pequenas e médias editoras que muitas acabem por se queimar. Definitivamente.

sexta-feira, outubro 26, 2012

Réunion


L'OPERA DU BOUT DU MONDE 


L’Opéra du Bout du Monde  - Eis a reunião. Perdão, eis a Reunião. E Madagáscar. Eis a história da reunião e da Reunião. Dos músicos, cantores e compositores que se reuniram e refizeram a história da Reunião. Uma ilha idílica, pessoas únicas, um imaginário sempre surpreendente. Confesso, que entrei cheio de revolta, de desejos de vingança e farto do nosso mundo. E eis que (re)descubro… que há tanto mundo por descobrir. Que o nosso mundo está cheio de coisas boas. L’Opéra du Bout du Monde é uma dessas coisas boas, é um filme bonito, é um outro mundo. É aquilo que tantas vezes procuro no docLisboa. Uma fuga...

a revolução vai passar... no cinema

How to film a Revolution – Não diria método científico, mas é óbvio que o objectivo desta curta é passar um x número de regras sobre como filmar a revolução (ou pelo menos as manifestações). São 5 práticas baseadas em estratégias policiais, são procedimentos necessários para compensar algumas mentiras que são repetidas na comunicação social oficial. 

Artigo 45º - Parece que este documentário não respeitou as anteriores sugestões de filmagem. Apresenta-nos um olhar inocente. Simples. Como é simples e inocente acreditar que respeitam o artigo 45º. Esse é o primeiro ponto deste documentário: não há liberdade de reunir nas ruas, é sempre necessário avisar o governo civil. E depois temos o descontrolo… O Chiado a ferro e fogo. Na realidade, houve pouco fogo e muito ferro… das cadeiras esvoaçantes. E podemos ver uma reacção violenta da polícia, algo que não repetiu nas mais recentes. 

Thanassis / A Greek DOGumentary – Vivemos num mundo de cão, dizem. Vejamos então o mundo pelos olhos de um velho cão. Humor q.b. e, sobretudo, uma deliciosa provocação ao registo mais convencional dos documentários sobre a crise. O resultado? Uma viagem ao mundo do caos grego. 

Los Desnudos – «Ficámos só pele e osso. A crise despiu-nos. A todos.» Poderiam facilmente ser frases ouvidas no dia-a-dia mas é mais do que isso, é o ponto de partida para esta curta. Esta é a história de alguns pobres agricultores que viram as suas terras ser nacionalizadas e vêem-se abandonados. A solução? Manifestarem-se como se sentem: Nus. O final é feliz, garanto. E sem malicia. 

 Ja arriba el Temps de remenar les Cireres - Bolsa de Barcelona. Local pouco habitual para mostrar a revolta, pelo menos no nosso país, mas coerente, pois são dos principais culpados da crise. 

25S Crónica 25 Septiembre 2012 / 25S Intimidación y Denuncia a Prensa / Desmontando Mentiras. Manifestación 22 Septiembre 2012 – Violência policial ou apenas excessos? Verdades ou mentiras na comunicação social? Uma certeza: a polícia espanhola é dura. Muito dura. Vêem-se e revêem-se imagens que marcaram o ultimo ano. Não é um documentário realizado, são «brutos» verdadeiramente violentos. 

Gravity Hill Newsreels: Occupy Wall Street – Tal como no caso anterior, apresentam-nos curtas pessoais e pujantes. Mas podia ser um pouco mais…

In Film Nist


Escrevi estas palavras (aqui)  há um ano e poucos dias:

In Film Nist,  18h00, São Jorge, São Jorge 1
Estás proibido de filmar! Pode um realizador ser proibido de filmar e viver? Jafar Panahi, um dos maiores nomes do cinema iraniano, mesmo sendo tão diferente de Kiarostami, é uma referência no cinema da actualidade. Só que um dia as suas opiniões foram demasiado… Demasiado para uma ditadura. A pena? Prisão por vários anos e a interdição de filmar. O caso faz lembrar Leni Riefenstahl mas também acabam ai as semelhanças. O que pode então fazer uma pessoa que vive para filmar? Filmar por outros. Contar um argumento. O enredo. E fazer disso um filme. Mais do que a qualidade deste documentário, o que está aqui em causa é uma postura. Uma atitude. Um exemplo. 

Hoje chegou uma excelente notícia:

«O Parlamento Europeu atribuiu o Prémio Sakharov dos Direitos Humanos ao cineasta iraniano Jafar Panahi e à sua compatriota Nasrin Sotoudeh, advogada e activista dos direitos humanos.» in Público.

Justíssimo! Provavelmente não mudará nada na vida de Panahi mas é sinal de que o mundo não o esquece. Parabéns!

1984 já era...


«O ministro da Administração Interna, Miguel Macedo, admitiu que poderá autorizar as forças de segurança a utilizarem câmaras de filmar portáteis em futuras manifestações, sempre que haja informação policial que o justifique.» in Público

1984 já era. 2012 é o novo 1984. Fixem estas duas datas. Uma é simbólica, outra é real. Em 2012 já foram utlizadas gravações dos manifestantes, pelo que esta declaração do ministro é apenas um aviso bacoco. Uma mentira. Uma falsidade. Nada de novo para quem tenha acompanhado os filmes do DocLisboa dedicados aos movimentos sociais. A estratégia é antiga e passa por difundir imagens dos manifestantes a pôr em causa a «paz e harmonia» social. Uns malandros é o que eles (todos!) são. Tenho é pena, muita pena, que ao mesmo tempo, do outro lado do ecrã, não passem imagens dos banqueiros e analistas financeiros a pôr em causa a «paz e harmonia» económica. Mas isso já era bem mais difícil, já que não temos câmaras suficientes para filmar tantos crimes.


são dez bons anos disto III

QUINTA

Corey Ogilvie | 5' / Canadá, EUA / 2012


Rui Luís | 16' / Portugal / 2012

Demetri Sofianopoulos | 8' / Grécia / 2012

Clarisse Hahn | 13' / França / 2012

Jorge Tur Moltó | 11' / Espanha / 2012

Jem Cohen | 24' / EUA / 2011

Juan Ramón Robles Gonzalez | 9' / Espanha / 2012

Juan Ramón Robles Gonzalez | 3' / Espanha / 2012

Juan Ramón Robles Gonzalez | 3' / Espanha / 2012

Marie-Clémence Paes, Cesar Paes | 96' / França, Madagáscar, Bélgica / 2012

SEXTA

Graça Castanheira | 35' / Portugal / 2012

Pedro Flores | 18' / Portugal / 2012

Helvécio Marins Jr. | 19' / Portugal / 2012

SÁBADO

viva o Castor!

The Year of the Beaver: a Film about the Modern 'Civilised' State – Tatcher é uma personagem odiosa e, no entanto, a História (ou a cinematografia?) tem procurado embelezar o seu contributo. Ela é, indiscutivelmente, uma das responsáveis pelo estado financeiro calamitoso a que chegou o mundo ocidental. Este documentário não é sobre Tatcher, mas ela está lá todo o tempo. O seu discurso, os seus métodos, a forma como foi sendo preparada a sua ascensão politica. Os actores principais são carteiros, estivadores, mineiros. São todos aqueles que lutaram pelos seus direitos. Porém, surge na comunicação social um discurso novo: o Reino Unido será grande novamente, uma potência universal! Mas para isso será necessário que se deixem de «merdas». Que trabalhem. Que sejam mal pagos. Que acatem ordens. Queixar ou reclamar por direitos é uma ofensa ao mercado livre (e liberal). Não sejam piegas! (onde é que já vi isto?) O filme enche-se de frases simbólicas, do trabalhador que afirma: «Apenas lutamos por uma vida digna», ao polícia que indaga: «Por que razão são necessárias tantas pessoas nos piquetes? Aquilo já não é pressão, é revolta violenta.» Há imagens que marcam e definem épocas, como as grandiosas casas dos patrões que se vão enchendo de automóveis glamorosos, ao mesmo tempo que os trabalhadores vão ficando visivelmente mais pobres. E depois temos a TV e os jornais, a forma como «narram a História», como manipulam imagens e palavras. 30 anos depois nada mudou. Mentira. Piorou. E, pior do que tudo, sinto que ainda falta tanto para chegarmos ao mundo de sonho das Tatcher, Reagan e outros liberais desta vida.

quarta-feira, outubro 24, 2012

Eleições de 1912 nos EUA

«Mais um republicano que embaraça o partido ao dizer o que pensa sobre o aborto. Desta vez a polémica envolve o candidato do Indiana ao Senado norte-americano, Richard Mourdock, que afirmou que “mesmo quando a vida começa numa situação horrível de violação, isso é algo que Deus quis que acontecesse”.»


Estas eleições entre o republicano William Howard Taft e o democrata Thomas Woodrow Wilson prometem. A questão do aborto e da vontade de Deus são prementes nos dias que correm. Ah, mas não estamos em 1912? Damn, boy!

a Luta é um substantivo feminino


La Reprise du Travail aux Usines Wonder - Maio '68 - A luta começa ou continua? Para a Mulher começou há demasiado tempo. Para os operários começou há demasiado tempo. Para o povo começou há demasiado tempo. Maio '68 foi ontem e já parece há demasiado tempo. As vozes enraivecidas, os pregões certeiros e uma sincera vontade de mudar o mundo, tudo demasiado longe. Ontem, como hoje, no fim voltamos todos ao trabalho, à exploração. É triste. Demasiado triste.

Classe de Lutte - Luta de classes é o passo seguinte à consciência de classe. Este documentário mostra, como poucos, a génese desse momento. São as primeiras discussões, as primeiras divagações, as primeiras dúvidas, os primeiros dogmas. E um actor principal, não, uma actriz principal nesta luta que ainda agora começou.

À Pas Lentes - Mais uma vez a luta é uma palavra feminina. Duas mulheres mostram o outro lado da política, da revolta, da luta pelos direitos - masculinos, femininos, universais. Besançon é o lugar, mas podia ser qualquer outra terra eminentemente industrial. A batalha faz-se nas fábricas mas não acaba aí, vivem-se os tempos do Deuxième Sexe e este filme mostra-o como poucos. Felizmente ser mulher deixou de ser apenas sinónimo de esposa e mãe. Este é um retrato pujante deste período.



Riscos (thai)

Ashes - Memória. Amor. Experiência. Teste. Desfragmentação. Lomo. Tudo solto, abandonado e perdido. Um filme tailandês ou uma narrativa universalista? São 20 minutos não lineares e, contudo, há ali tanta coisa que faz sentido. Não são cinzas o que compõem a nossa memória, são migalhas.

Mekong Hotel - Que caos. Podia ser um hotel perdido nas margens do Mississippi ou um daqueles motéis junto a mais uma estrada-nacional-não-identificada. Mekong Hotel podia ser tudo isso. Mas não. É um caos de ficção e realidade, uma amálgama de personagens e ideias, um... estranho documentário. Não sei o que sinta. Não gosto disso. De não respostas e não percepções. De não histórias. Um caos, e este não é calmo.

terça-feira, outubro 23, 2012

dos cavalos e baionetas

«Um Presidente em funções parte normalmente para um debate sobre política externa como o de segunda-feira à noite em vantagem porque ao contrário do outro candidato, os americanos não precisam de imaginar como é que ele será enquanto comandante militar – Obama tem um historial de quase quatro anos e esse historial é uma das áreas mais fortes da sua presidência, graças à captura de Osama Bin Laden e ao fim da guerra no Iraque e retirada do Afeganistão.»



Tal como refere o artigo do Público, a política externa é quase sempre um terreno favorável para quem já está no poder, pois são conhecidas as suas práticas e, sobretudo, a sua postura. Obama soube jogar com isso, e aproveitou-se da sua inteligência e humor para ganhar o último debate. Mereceu-o.

Obama teve um (primeiro) mandato positivo. Economicamente defendeu dentro das suas possibilidades reais os mais vulneráveis e empobrecidos pela crise e teve uma «relação com o mundo» dentro da normalidade democrata. Mas faltam-lhe melhorar alguns aspectos…

É muito divertido falar de cavalos, baionetas e outros anacronismos, porém o que teria sido fundamental discutir ontem era: o futuro da UE, ou a forma como os EUA lidam com a crise mundial; formas de obrigar a China e Rússia a respeitarem os direitos humanos (já que pedir o mesmo aos Guantanamos desta vida é impossível, não é?); o flop que foram as revoltas árabes, ou vamos acreditar que matar uns ditadores e lançar os países num caos é uma vitória?; os não-avanços no conflito israelo-árabe; o Protocolo de Quioto, sim, isto também é política externa.
Em suma, houve muito pouco Mundo num debate virado (ou escutado) por todo o mundo. Fica para a próxima?



segunda-feira, outubro 22, 2012

são dez bons anos disto II

SEGUNDA


Apichatpong Weerasethakul | 20' / Tailândia / 2012

Apichatpong Weerasethakul | 57' / Tailândia, Reino Unido / 2012

TERÇA

Institut des Hautes Études Cinématographiques Student collective | 9' / França / 1968

Groupe Medvedkine de Besançon | 40' / França / 1969

Collectif Cinélutte | 40' / França / 1979

QUARTA

Poster Film Collective | 77' / Reino Unido / 1982

(to be continued)

O governo pede...



a realidade cumpre(-se). Pena é que aconteça só nalgumas coisas. Pena é que os portugueses não comprem carros aos molhos.  Pena é que os pobres lusos não fumem como chaminés. Pena é que não sejamos todos empreendedores, com dinheiro alheio, pois claro. Pena é que a realidade insista em não bater certo com o ficheiro excel. 


«Em 2011, mais de 100 mil portugueses procuraram oportunidades de trabalho fora do país. Um ano depois, perante uma taxa de desemprego de 15,0%, os portugueses continuam a apostar na emigração, mas para fora da Europa, e nem sempre de forma legal, alertou nesta segunda-feira o secretário de Estado das Comunidades, José Cesário.»

O que me preocupa mais é a forma quase atabalhoada, resultado da pouca preparação, com que a emigração está a acontecer. Mais do que procurar um futuro melhor, muitos portugueses procuram apenas garantir a existência de um presente. 

That Look You Give That Guy



Eels

O passado na terceira pessoa

Pan, Trabajo y Libertad - Grande final de documentário. Gostaria mesmo de ter visto o que veio antes. Infelizmente, houve um engano (da nossa parte) e chegámos vinte minutos depois. Mas o pouco que vimos não engana, este documentário tinha qualidade narrativa e excelentes planos. Repete quando?

The Anabasis of May and Fusako Shigenobu, Masao Adachi and 27 Years without Images - O que une o Libano e o Japão? Comunismo? Anti-imperalismo? Uma história de amor? Terrorismo? Cinema? May? Um documentário que é uma viagem ao mundo de mentiras que foi a vida de May, ao facto de por ser filha de uma «terrorista» quase ter perdido o seu futuro; à perda de todo o registo visual de um cineasta proibido de voltar à terra onde foi feliz. A questão é antiga e não tem resposta mas estes filmes insistem em trazer sempre essa dúvida: há uma linguagem universal ou nacional na visão de cada realizador? Este documentário é mais japonês, libanês ou «cidadão do mundo»? Ainda não sei, talvez amanhã...

Não há milagres

O Milagre de Santo António - O grande milagre foi ter aguentado os 40 minutos. Se este documentário procura explorar as virtudes e defeitos dos principais ritos religiosos, parabéns! É que parecia mesmo uma daquelas missas infindáveis. Cruz Credo!

Un Mito Antropologico Televisivo - Não encontro palavras para descrever esta estopada. Espera, já sei: cola UHU  + excertos de televisão + vídeos caseiros = pode ser que dê um documentário e ninguém note. Errado! Meia sala notou e, mais uma vez, foram muitas as pessoas que sairam a meio. Um mau hábito que se está a popularizar neste Doc2012.


Les Invisibles

Les Invisibles - Finalmente! Um grande filme neste Doc2012. Finalmente! Uma visão descomplexada (mas não simplista) sobre a descoberta da sexualidade, da homosexualidade, da bisexualidade. Finalmente! Uma narrativa lógica e coerente com um toque síncero, humano e pessoal, tornaram este documentário uma agradável viagem ao passado de cada um dos entrevistados. Finalmente! História, estórias, amor e humor.

domingo, outubro 21, 2012

CInema experimental

Moving Stories - «Provost volta a jogar com a gramática e os códigos do cinema (de Hollywood). Com um número limitado de imagens, uma banda sonora absorvente e uma narrativa mínima, tenta estimular a imaginação dos espectadores ao máximo. Um curto estudo do poder dramático e narrativo do som e do diálogo fora de campo que prova que ele é um manipulador do jargão cinematográfico.» Esta era sinopse da curta... Palhaçada. De texto. Mas, sobretudo, de filme. Nem sei o que diga. Se fossem mas era experimentar o #&///%7(#

Inquire Within - Experimental. Exercício. Escolhas. 4 minutos. Um primeiro passo para...

Hollywood Movie - Experimental. Exercício. Sem escolhas. Muito humor. Uma delícia de curta. Como é fácil (embora trabalhoso) criar ou recriar. Deleite simples e um elogio fácil.

Free Radicals: a History of Experimental Film - A viagem ao mundo do experimentalismo. No cinema. Um trajecto linear sem ser sempre cronológico. Lógica e explicação num mundo e linguagem que podem não ser facilmente compreendidos. Foi bom. Não excelente. Algumas passagens curiosas, outras não, mas, sobretudo uma vontade respeitada: passar a mensagem sobre uma forma diferente de fazer cinema, um olhar (múltiplo) que não sendo maioritário tem mil e um adeptos e influenciou muitos artistas e correntes. Um boa escolha (finalmente!)

Verdes Anos 1

Mareantes - Ideia nada original mas sempre com potencial. Esta curta ficou aquém mas teve frase épica: «Protegem todas as espécies. Sardinhas, pescada, mas porque não protege a União Europeia a espécie dos pescadores?»

Meio Caminho Andado - Tema actual, olhar (muito) panfletário. Prometia mais...

Mamadu & Binta - Pois. É isso... De maneiras que.. E tal.

Ekaterina - Uma estrangeira? Uma portuguesa? Será sequer essa a questão? Ser ginasta num país onde a bola é tudo. Ser um corpo estranho num mundo diferente. Um exercício visual ou uma viagem ao mundo de uma futura atleta olímpica?

Cantores do Submundo - «Não percebes o hiphop.» Não temos gangs, Bronx, ou Tupac. As nossas lutas, desigualdades e desejos são outros. Hiphop ou rap são formas de cultura, assim o definem os «cotas». E de onde vêm realmente as suas influências? Não se sabe. Não houve resposta. Houve muito «katembo» ou droga, algum ritmo e muito companheirismo. Não houve crítica social. Um tiro ao lado, ou melhor uma rima furada.

sábado, outubro 20, 2012

D'Est

Trabalho de investigação bem interessante, até provocante. Daria uma excelente média-metragem. Daria... se não fossem uns cansativos 70 minutos a mais.

sexta-feira, outubro 19, 2012

são dez bons anos disto



o outono é castanho. e verde. é cheiro a castanhas, a terra (novamente) molhada, a casacos tirados-à-pressa-do-armário. é a alegria das crianças que revêem amigos e o lufa-lufa de pais azafamados. o outono é cor, cheiro e sons.  o meu outono é lisboa e começa sempre no doclisboa (por exemplo, 2009 ou 2011). recordo palavras com um ano: «a minha lista é feita de cinquenta por cento de puro acaso e uma outra metade que procura realidades que me são desconhecidas.» nada mudou. ainda bem.

SEXTA
Chantal Akerman | 110' / Bélgica, França / 1993

SABADO
Sónia Faria Lopes, Rui João Rodrigues, Gonçalo Loureiro | 7' / Portugal / 2012 
Bárbara Gouveia, Gisela Pissarra, Miguel Ribeiro Fernandes, Paulo Cunha Fernandes | 7'
Cátia Aguiam, Joana Aguiam, João V. F. | 6' / Portugal / 2012 
Miguel Cravo | 14' / Portugal / 2012
Fernando Miguel Moreira | 39' / Portugal / 2012 
Pip Chodorov | 82' / França / 2010 
Volker Schreiner | 7' / Alemanha / 2012 
Jay Rosenblatt | 4' / EUA / 2012
Nicolas Provost | 7' / Bélgica / 2011

DOMINGO
Sébastien Lifshitz | 115' / França /2012
Alessandro Gagliardo, Maria Helene Bertino, Dario Castelli | 54' / Itália / 2011
Eric Baudelaire | 66’ / França / 2011
Pilar Monsell | 26' / Espanha / 2012

(to be continued)