segunda-feira, julho 30, 2012

APELO AOS PRÍNCIPES – campanha de angariação de fundos



Campanha de angariação de fundos para a produção e realização de BIBLIOGRAFIA um filme de João Manso e Miguel Manso. Valor do pedido: € 6.000,00. NIB: 0036 0192 991000 56097 63; IBAN: PT50 0036 0192 9910 0056 0976 3; BIC: MPIOPTPL. Os autores e a CAMONE – Associação Cultural (associação sem fins lucrativos que produz este trabalho) agradecem todas as ofertas e actualizarão a soma que for sendo depositada em filmebibliografia.com/bibliografia/comoajudar.html. Colocarão ainda o vosso nome nos agradecimentos e, para doações acima de €20, oferecem uma cópia do filme assinada pelos autores; para doações acima de €50 oferecem um exemplar do livro (áudio-vídeo-livro que será editado pela Boca) igualmente autografado; para doações acima de €200 oferecem o livro e um convite para a antestreia; doações acima de €500 fazem do apoiante co-produtor, incluindo-o nos créditos. Para tal, é necessário que se identifiquem com nome, morada e contacto no descritivo da transferência ou enviando email com a digitalização do comprovativo e restantes dados. Esta campanha termina no dia 17 de Setembro de 2012 e a produção estima ter o filme pronto no 1º trimestre de 2013. Para quaisquer esclarecimentos utilizar os contactos disponibilizados no site. A todos quantos possam ajudar o nosso muito obrigado. BIBLIOGRAFIA é um filme-documentário-performance com realização de João Manso e Miguel Manso; direcção de fotografia de Takashi Sugimoto e direcção de som de Nuno Morão. Na jangada flutuam e naufragam Miguel-Manso, Vasco Gato, Tiago Sousa, Natxo Checa e Maria Leite. As filmagens começam em Setembro de 2012.

quinta-feira, julho 26, 2012

"Temos amantes de música a sério, que estão dispostos a passar alguns sacrifícios para ver e ouvir os seus ídolos."

O consórcio Arena Atlântico, constituído por Luís Montez, dono da Música no Coração, Álvaro Ramos, da Ritmos&Blues, e a actual equipa de gestão do Pavilhão Atlântico ganhou o concurso de compra daquele pavilhão, por 21,2 milhões de euros. 

Só um homem destes junta um dos piores locais para fazer um festival a um dos piores pavilhões para ouvir música. Parabéns!

quarta-feira, julho 25, 2012

quando for para ficarmos mesmo, mesmo, mesmo preocupados alguém avisa, não é? eu aposto no sr. bush


A capa de gelo e neve que cobre a Gronelândia derreteu este mês numa área particularmente grande da ilha, naquele que é um fenómeno já considerado pelos cientistas como “extraordinário”. A área sem gelo da ilha saltou de 40% para 97% em apenas quatro dias. 

nota: Até pode ser um fenómeno «normal, embora raro» mas se juntarmos este a mil e um outros índicios, isto parece um pouco assustador, ou não? Por outro lado, sempre quis ter um lago à porta de casa...

terça-feira, julho 24, 2012

12 regras contra a reunite

Se juntasse todas as reuniões que tive, as políticas, de movimentos cívicos em que me envolvi e das empresas onde trabalhei, numa única, sem pausas para refeições, cafés ou dormir, teria, segundo as minhas contas, mais de sete meses consecutivos de reunião. Ainda vou nos 43 anos.
 
Comecei o ativismo político e cívico cedo. Demasiado cedo. Por isso, quando comecei a trabalhar, também cedo, já vinha com muita tarimba de reunião. Chegado ao primeiro jornal onde trabalhei estava convencido que a "reunite" era problema de partidos e movimentos. Rapidamente descobri que não. Pelo contrário, as reuniões eram ainda mais longas, porque mal dirigidas, sem uma ordem de trabalhos, sem inscrições, sem tempo limite de intervenção, mais próximo de uma interminável conversa de café onde os apartes duram mais do que o que interessa. Inventou-se depois um nome para a reunião caótica: "brainstorming". Diz que dali nascem melhores ideias. Sendo certo que em encontros criativos eles são úteis, a maioria das vezes não são mais do que um termo pomposo para quem vai reunir sem saber bem para quê. Há também os "almoços de trabalho", que têm o condão de estragar a comida e a conversa. E, no Estado, há a mais maravilhosa das modalidades: "ir a despacho". Não consta que seja especialmente despachado.
 
Tentei fazer outra conta. Dos mais de sete meses de reunião que tive, quanto tempo foi realmente usado para apurar e tomar decisões e distribuir trabalho. Desconta-se o tempo sentado à frente de uma mesa à espera que todos chegueme a conversa inicial, para "quebrar o gelo", até que alguém comece realmente a reunião. Vai quase um mês à vida. Depois, há as intermináveis intervenções de quem se está a ouvir a si próprio sem contribuir com uma única ideia ou opinião que tenha qualquer utilidade para o que se tem de decidir. Vão, à vontade, mais três meses para o galheiro. Por fim, juntam-se as redundâncias, em que as pessoas se limitam a repetir o que já foi dito - de preferência, o que foi dito pelo chefe, líder ou superior hierárquico. Sendo simpático, mais dois meses são desperdiçados. Sobra, em tempo útil, um mês de reunião. Ou seja, meio ano da minha vida foi atirado para o lixo. Devo dizer que terei, para a perda de tempo, dado o meu contributo.
 
Defendo a criação de um movimento contra a reunite. Que imponha 12 regras para ganhar tempo de vida para ter conversas inúteis apenas com os amigos e para trabalhar:

1. As pessoas só se devem encontrar à volta de uma mesa para trabalhar se isso for indispensável. Caso isso seja dispensável, apenas devem garantir o mínimo de encontros para que se estabeleçam relações de proximidade e se impeçam excesso de conversas informais para resolver problemas que exigem alguma formalidade.

2. Todas os assuntos que se possam resolver por telefone, mail ou skype devem ser tratados sem qualquer reunião.

3. As reuniões devem começar à hora marcada, com quem estiver, incluindo quando quem a deve dirigir se atrasa.

4. Nenhuma intervenção deve exceder os cinco minutos.

5. Qualquer interveniente que comece por dizer "vou ser breve" ou "posso dar só uma achega?" deve ser imediatamente interrompido e perder a sua vez. Vai seguramente demorar uma eternidade.

6. Qualquer intervenção redundante deve ser interrompida.

7. Qualquer intervenção sem conteúdo concreto deve ser interrompida.

8. Reuniões sem ordem de trabalhos devem ser banidas.

9. Quem fale de qualquer assunto que esteja fora do ponto da ordem de trabalhos deve ser imediatamente interrompido.

10. Quem não tenha notas à sua frente, que garantam que sabe o que vai dizer e não vai perder tempo a improvisar, deve ser impedido de falar.

11. Quem vá para uma reunião sem propostas concretas deve ser impedido de intervir nas reuniões seguintes e quem dirige uma reunião sem a ter preparado antes deve ser despromovido para a função de servir os cafés.

12. Almoços ou jantares de trabalho devem ser banidos.
 
A verdade é esta: a esmagadora maioria das pessoas não sabe reunir. E não sabe reunir porque não sabe falar. E quem não sabe falar não sabe estruturar uma ideia.
 
Desculpem este meu desabafo. Mas, passadas tantas horas (pelo menos 5.200 horas da minha vida), sabendo que não posso reaver mais de meio ano perdido na minha vida, gostava de não perder mais meio. Talvez a regra geral contra a reunite deva ser esta: quem gosta de reuniões não deve poder entrar numa. A primeira condição para uma reunião ser produtiva é a de todos quererem sair dela o mais depressa possível.

Daniel Oliveira in Expresso

nota: É mesmo isto. Sem tirar nem pôr.

«Feliz como pinto no lixo»


De quem é este lixo? Dos catadores? De todos nós? É todo o lixo que fazemos de todos? Somos todos lixo? Não há respostas certas, até porque 100 % não é 99%. Lixo Extraordinário é um documentário-soco-no-estòmago. E isso sim é certo. 100 % certo.

É sempre assim com a cinematografia ficcional ou outro trabalhos documentais do Brasil. Um país que cresce num ritmo desenfreado mostra sempre o seu outro lado. E isso é foda. O Brasil é pobre. Cresce muito mas para poucos. Até podem ser mais do que 1% a comer do bolo mas não parece. As favelas estão mais habitáveis, até a de Vik, mas não vão desaparecer. Não vão mesmo. 99 % de certeza.

É uma história dura. Rude. Mas não são os catadores que são frios e distantes. Nem feios, porcos e maus. Nada disso. É antes a nossa história. Porque eles são homens e mulheres que ousam ser felizes. Como pintos no lixo. São pessoas, muitas delas de classe média, a que algo correu mal. É assim tão simples. Basta 1% de azar.

Pode alguém de fora chegar e mudar a vida deles todos? É isso justo? Dar esperanças a quem já não as tem e ver nisso certezas que não existem? Há justiça num mundo de lixo?

Vejo a pobreza violenta e penso no mundo de merda que edificámos. Mandámos para o lixo tudo o que tinhamos de melhor: liberdade, democracia, evolução, e agora não há reciclagem possivel. Desistamos! Não são os políticos que precisam de reforma ou reciclagem. É todo um sistema que tornou os pobres mais pobres e os ricos mais estou-me-a-cagar-para-isso-já-que-o-dinheiro-não-pára-de-aumentar-na-minha-conta. Criam-se condomínios privados - há exemplo melhor do que o Brasil? - e esquecemos de olhar pela janela e reparar na pobreza que atinge hoje os valores de há 100 anos.

Vivemos numa lixeira. Estragamos comida, compramos coisas novas sem reparar as antigas, adquirimos o que não precisamos. Comprar. Comprar. Comprar. O impulso levado à loucura. Para quê? Vik não fala disto. Vik nem quer falar disto. Mas depois, depois ainda há quem se deixe levar pelas emoções e se aperceba que isto está tudo mal. Que há vidas de merda mesmo à porta das nossas cidades. Que até já passaram a portagem com via verde. E que urge fazer algo.

Lixo Extraordinário deixa-me com uma avassaladora questão: é hora de reciclar o mundo que temos ou ele é mesmo lixo e temos de fazer um novo?

sexta-feira, julho 20, 2012

É preciso festejar todos os dias o centenário das palavras


Capicua, Centenário das Palavras de Almada Negreiros

morre um comunicador...

José Hermano Saraiva morreu esta sexta-feira de manhã aos 92 anos, confirmou o produtor dos programas televisivos do historiador, José António Crespo. in Público

nota: Morreu hoje um dos mais importantes comunicadores de História em Portugal. A sua visão nem sempre era correcta, pois eram inúmeras as imprecisões, por vezes mesmo erros, mas soube como poucos chamar a atenção sobre as histórias da nossa História. Ficou a faltar um programa sobre a crise académica...

quinta-feira, julho 19, 2012

O inevitável golo de Mantorras na noite da despedida

O último jogo da carreira de Pedro Mantorras teve três momentos altos: a sua saída do banco de suplentes (ou entrada em campo - link), o golo que marcou (link) e a sua substituição (link), a cinco minutos do final. Foi por causa do angolano que milhares de adeptos acorreram aos Estádio da Luz. E para apoiar uma causa humanitária: o apoio a crianças desfavorecidas.


nota: infelizmente a maior parte da sua carreira foi apenas mediana, mas soube sempre a pouco perante as expectativas anteriormente criadas. um jogador amado pelo 3º anel. uma figura que marcou mais de uma década... e isso não é pouco.

quero voltar a esta Madeira verde

Nesta noite o fogo obrigou centenas de pessoas a sair de casa em São Gonçalo e as chamas são visíveis na cidade do Funchal. Já foi accionado o plano de emergência de nível I na região. A estrada para Camacha está coberta de chamas. 1500 bombeiros combatem incêndios em todo o país nesta quarta-feira.
 in Público

terça-feira, julho 17, 2012

o jardim de fanfarlo



O VALOR ACADÉMICO DA EXPERIÊNCIA POLÍTICA SEGUNDO A UNIVERSIDADE LUSÓFONA

Traduzir a "experiência da vida" em qualificações académicas é uma tarefa difícil, mas com sentido. Sou defensor que tal seja uma prática institucional no ensino universitário, onde a ideia de "saber" tem que ir muito para além dos graus académicos formais. No entanto, como infelizmente se passa quase sempre com ideias com mérito, existe uma capacidade para as transformar em mais um pretexto para a troca de cumplicidades, que degrada o ensino universitário e estende o campo da corrupção, do clientelismo e do patrocinato à atribuição de "equivalências" académicas como favores políticos. Não é ilegal, parece, mas é inaceitável.

Os documentos apresentados aos jornalistas pela Lusófona foram cuidadosamente organizados pela universidade, colocados fora do contexto, após um hiato de vários dias em que a sua consulta não foi permitida, não se sabe porquê. Quando vieram a público, uma série de fotocópias estendidas numa mesa, separadas por tema, os jornalistas tiveram meia hora para as consultar sem haver possibilidade de as reproduzir, controlados por funcionários da universidade.

O Parecer que justifica as "equivalências" é talvez o mais significativo documento que se conhece sobre o "caso". Este é um documento sobre o qual gostaria de saber muito mais, em particular sobre a sua tramitação em 2006 dentro da universidade: em que actas se encontra, como foi enviado aos outros membros do Conselho Científico, como foi discutido, está anexado a quê, apenso a que documentos, ao livro de actas, ou está isolado numa pasta? Ora também aqui, como aconteceu no processo Sócrates, quando se tentava esclarecer uma matéria, um documento, uma omissão, apareciam logo novas questões, novos documentos, novas omissões e, acima de tudo, imensas contradições. O aspecto original dos documentos foi uma das coisas que mais embaraçou Sócrates.

O Parecer de equivalências é por si só um documento muito interessante, não só porque é feito à medida do aluno muito especial, mas também pelo que revela de uma certa maneira de pensar a política. O seu conteúdo é danoso para a Universidade Lusófona e compreende-se a preocupação dos seus alunos e professores de se porem a milhas deste processo. Mas é também um documento sobre o Portugal dos nossos dias.

Começa porque os saberes que o documento refere são todos vivenciais e não será difícil a todos os deputados da Assembleia, todos os dirigentes da JSD e JS, os funcionários dos grupos parlamentares, os presidentes de secções, distritais, federações, organismos regionais, seja lá o que forem, ou seja todo o pessoal com experiência de cargos partidários, de Monção a Vila Real de Santo António, que não tenha um grau académico, obter uma licenciatura na Universidade Lusófona e usar o "dr." antes do nome. É que os argumentos para dar o título a Relvas aplicam-se a todos eles e a muitos deles com mais mérito e razão.

Por exemplo, se Jerónimo de Sousa quisesse ser "doutor da mula ruça", como coloridamente se referiu ao título de Relvas, teria o curso de imediato. Não tem ele experiência do "exercício de cargos públicos, o exercício de funções políticas e o desempenho de funções em domínios empresariais, ou de intervenção social e cultural"? Militante e funcionário do PCP, dirigente sindical, autarca (tudo "exercício de cargos públicos, o exercício de funções políticas"), organizador tanto de greves como de festas como a do Avante! ("desempenho de funções em domínios empresariais, ou de intervenção social e cultural"), não encaixa nos critérios da Lusófona? Não tem ele "experiência (...) que se estende ao longo de mais de duas décadas de actividades essencialmente focadas no domínio da política nacional e local"? Até mais do que duas décadas, o que devia dar um doutoramento. Não tem ele "desde muito jovem uma participação activa nos mais relevantes palcos do debate e da discussão política nacional, nomeadamente enquanto deputado à Assembleia da República"? Não tem ele por essa experiência "a aquisição de competências relevantes na área de (...) Ciência Política e Relações Internacionais, nomeadamente aquelas que dizem respeito à compreensão dos quadros institucionais da actuação política e partidária em Portugal, (...) ao funcionamento dos sistemas eleitorais, (...) métodos e técnicas de análise política e (...) consequências sociais do fenómeno político"? Se tem! Até se podem acrescentar várias "universidades da vida" muito complicadas: fez a Guerra Colonial, trabalhou numa fábrica, estudou ao mesmo tempo que trabalhava, militou num partido "duro", em que os riscos sociais de exclusão são muito mais pesados do que no PS e no PSD depois de 1975.

Mas Jerónimo de Sousa nunca pediria equivalências académicas pela sua vida, até porque entenderia que isso a diminuiria no seu valor de esforço, ou naquilo a que chamaria "de luta". E não tenho dúvidas de que Jerónimo de Sousa, que é em grande parte um autodidacta, gostaria de ter tido mais qualificações académicas. Como muita gente que não pode estudar para além do ensino básico e profissional (também ele "frequentou" o antigo Curso Industrial, que interrompeu para ir trabalhar), com a sua condição social, valoriza o estudo, o conhecimento, e a escolaridade.

Foi para responder a esta valorização da escola, para muitos que dela foram afastados pela "vida", que, numa fase inicial, as Novas Oportunidades se dirigiam, com grande mérito e resultados importantes ao nível do 9.º ano. Depois, Sócrates estragou-as ao transformá-las num programa de bandeira, obcecado por estatísticas marteladas e produzindo diplomas administrativos. Mas só quem não viu como gente que nunca mais tinha imaginado voltar à escola o fez, mesmo quando tinham "apenas" que fazer a história da sua própria vida, em cadernos cuidados e ingenuamente decorados, com uma escrita esforçada, pode desvalorizar essa experiência. O diploma do 9.º ano não servia para quase nada, mas voltar à escola deu brevemente a muitos portugueses um sentido de vida e dignidade que pensavam perdido para sempre.

Mas este não é o mundo da Universidade Lusófona nem de Relvas, que desprezam os seus pares por não serem espertos como eles são. Hoje dir-se-ia "empreendedores". Por isso, a Universidade Lusófona atribuiria estas "equivalências" com mais rapidez e sensação de "normalidade" - o que é o maior absurdo neste caso é esta "normalidade" - a um jovem lobo em ascensão numa juventude partidária e num partido do poder, do que ao velho comunista, sábio, mas bem longe de ter as relações certas que a universidade quer cultivar com a elite no poder político em Portugal. Porque o favor que foi feito a Relvas, que é isso que se chama ao que aconteceu, como o favor que no passado foi feito a Sócrates, são trade offs com o poder político, não os únicos, nem certamente os mais importantes, mas reveladores do pântano em que se move o poder em Portugal.

Há muita coisa pouco rigorosa no Parecer e feita à medida do fato que se pretendia vestir a Relvas. Por exemplo esta caracterização da militância nas juventudes partidárias e do "peso relevante que as mesmas adquiriram no contexto da transição para a democracia e a integração de Portugal na Comunidade Europeia está reflectido na informação curricular apresentada". Lamento, mas não percebo.

O papel de relevo das juventudes partidárias, essencialmente o acesso crescente ao poder nos partidos "adultos", a nível nacional e local, está longe de ter a ver com o "contexto da transição para a democracia", quando muito referido a 1974-6, em que as juventudes eram ainda muito incipientes. O seu poder começa a ser relevante só na década de oitenta, sendo que o currículo partidário de Relvas só começa a ter relevo no final dessa década, ou seja muito depois do "contexto da transição para a democracia". O mesmo se pode dizer da "integração de Portugal na Comunidade Europeia", onde também o papel das juventudes partidárias é negligenciável, ou bastante mais tardio.

Na verdade, "o peso relevante", como diz o Parecer, é em grande parte resultado da progressiva sobreposição da carreira nas juventudes com a ascensão no PS e no PSD da primeira geração de políticos profissionais cuja carreira era essencialmente interior. E é também nessa fase que o problema da ligação dos "jotas" com a profissão ou a falta dela, ou com as qualificações académicas, ou a ausência dessas qualificações, começou a ser questionado publicamente como perverso. Ora a carreira de Relvas é completamente típica desse momento de profissionalização dos "jotas", que adquiriam um estatuto político e de poder, dentro dos partidos e na governação, a que não correspondiam outras competências que não o controlo das nomeações partidárias. É o que significava o anátema dos "jobs for the boys", ou das carreiras ascendentes baseadas apenas no jogo de poder interno. Foi isso mesmo, uma carreira feita apenas de lugares políticos ou de nomeação política, que a Lusófona premiou em Relvas, à revelia da crítica social crescente a esse modo de fazer política.
 

Aliás, o Parecer padece de uma espécie de abstracção cronológica bizarra, considerando valorativamente aquilo que chama “património de experiência profissional acumulado (…) cobre períodos relevantes da história de Portugal contemporâneo.” Estamos a falar grosso modo dos anos do “cavaquismo”, do “guterrismo”, do interregno de Barroso-Santana Lopes (em que Relvas chegou ao governo com um cargo típico de controlo partidário, o poder local), e depois do “socratismo”, ao todo cerca de 20 anos, de 1985 a 2006 (data atribuída ao Parecer). Esse período é caracterizado como sendo aquele em que “a materialização de princípios teóricos relevantes no campo das ideias políticas (…) muito contribuíram (…) para a evolução da sociedade.” O que é que isto quer dizer? De novo, lamento, mas não percebo, como ainda percebo menos porque razão a “experiência acumulada no domínio político” por Relvas é valorizada por ser “temporalmente simultânea“ com este período histórico. Porque é que os anos de 1985-2006 são mais especialmente valorizados do que os de 1974-1985? Não percebo o argumento, a não ser porque são os anos politicamente activos de Relvas, ou seja o Parecer é tailor-made.

 Há um embrião de resposta no Parecer, mas é pior a emenda do que o soneto. Lá se diz que este “envolvimento” “promove "a aquisição de competências transversais de compreensão do papel de diferentes classes sociais e elites na modelação da sociedade”. Não contesto que se possa aprender muito sobre as fraquezas da sociedade com um currículo como o de Relvas, mas duvido que essa aprendizagem constitua um “saber” com valor académico, sabendo-se como se sabe, o que faz um dirigente político com uma biografia como a de Relvas. O mesmo se diga da “aquisição de competências em outra área essencial para o domínio científico (…) a do marketing político". Que a Universidade valorize aquilo que chama a “competência” de Relvas no marketing politico, também se compreende se se traduzir marketing político pela propaganda e pela experiência de se ser fonte próxima de muitos jornais e da promiscuidade com muitos jornalistas, numa troca de favores e informações que é uma das pragas actuais da política e do jornalismo. Relvas aqui é doutor, mas a Lusófona chumba. 
Todo o Parecer é assim, vago e genérico, abstracto e pouco rigoroso, justificando tudo e nada. Podia ser resumido a duas ou três linhas: Relvas é um dos dirigentes em ascensão no PSD, é mação da nossa "obediência", detém um poder considerável em todos os mecanismos-chave da partidocracia, nomeações, facilitações, intermediação, influência, etc., o PSD é um partido do poder portanto é bom para a Lusófona, que é uma universidade privada, "estar de bem com o poder político", ter boas relações com este tipo de pessoas. Ponto. Bastava e era muito mais verdadeiro.
José Pacheco Pereira in Abrupto

finalmente!

Lisboa ganha linha de metro até ao Aeroporto
Depois de sucessivos atrasos e de várias datas avançadas, chegou a hora dos utilizadores do Metro de Lisboa irem do Saldanha ao Aeroporto em apenas 16 minutos. (link

nota: com a abertura desta estação, ficamos com o aeroporto mais perto. mais perto do que em qualquer outra capital, isso é uma excelente notícia! há também uma parte da cidade que fica mais perto do centro. e há algum contra? dizem que é para avançar um novo aeroporto, não é?


sexta-feira, julho 13, 2012

o problema não é a relva

o problema não é a relva. são as ervas daninhas que se tornaram tão frequentes que já são moda.
o problema não é a relva. é a lei que é seguida à letra e esquece a moral.
o problema não é a relva. é não se poder cortar a relva.
o problema não é a relva. o maior problema (que já nos ataca há muito) é que haverá sempre novos nomes a odiar, desprezar e envergonhar. o perigo não reside nas pessoas mas na forma como elas chegam facilmente aos circulos de poder e se regeneram. mais do que isso, no facto de surgirem sempre nomes novos, com os vícios dos antigos.
o problema não é a relva deste jardim à beira mar plantado. o problema está na citação de Jorge de Sena que roubo daqui: «Cada vez mais penso que Portugal não precisa de ser salvo, porque estará sempre perdido como merece. Nós é que precisamos que nos salvem dele.»

muros de berlim IV

quarta-feira, julho 11, 2012

Finalmente a luz!

«Chegaram às centenas a Madrid. Na terça-feira à noite, a capital espanhola ficou à luz dos capacetes de mineiros. Este sector operário espanhol está em greve e chegou finalmente à Porta do Sol, após uma caminhada de 19 dias a partir da metade norte de Espanha. Foram recebidos com o apoio dos madrilenos, também eles vergados pela crise.» in Público

Finalmente a luz?  Esta manifestação (e a sua brutal adesão) é, em termos simbólicos, um momento singular. São fotografias carregadas de dramatismo, é toda uma vitalidade dos movimentos sociais e união popular. Chegará? É este o caminho a seguir? E deste lado da fronteira?

A pobreza calada

Foto de Tiago Miranda, da reportagem "Onde a solidão mata", do Expresso 

"Se uma pessoa está entregue aos outros e se mata, faz um governo bom", diz, com o extraordinário talento que os alentejanos têm para a palavra, Aníbal Margarido, numa reportagem de Luciana Leiderfarb e Tiago Miranda Expresso sobre o suicídio em Odemira e, especialmente, na freguesia de Saboia, a que tem o mais alto índice de suicídio do Mundo (http://expresso.sapo.pt/onde-a-solidao-mata=f737718). Vidaul Santos põe de forma bem prática as condições para se matar: "se me visse atado de pés e mãos, sozinho, dependente, ou se quem me ajudar viesse contrariado". Ao ler estas frase recordei muitas conversas que tive com velhos alentejanos. E como todas apontavam para o mesmo: um orgulho imenso na sua autonomia.

No caso do fenómeno do suicídio entre idosos alentejanos, muitos estudos estão feitos e todos apontam para o isolamento e para uma Igreja Católica, que condena fortemente este ato, pouco enraizada. Mas não é disso que quero falar, porque outros, bem mais preparados do que eu, já escreveram sobre o tema. É mesmo sobre as frases daqueles alentejanos. O que elas nos dizem sobre um povo: não quero depender dos outros para viver.

Está na moda fazer um retrato estranho dos portugueses. Mimados, "piegas", mandriões, aldrabões, penduras, dependentes do Estado e dos subsídios. Não me espanto. Este é o retrato perfeito de uma elite que se habituou a viver do ouro do Brasil, das colónias, do condicionalismo industrial, das maroscas com os dinheiros europeus, da troca de favores entre o poder político e económico, das empreitadas das PPP, dos gestores mais bem pagos da Europa servidos pelos trabalhadores que menos recebem, do trabalho barato e semiescravo e de uma completaausência de sentido de comunidade. De um país desigual.

A desigualdade não tem apenas efeitos económicos e sociais. Tem efeitos cognitivos. Com raras exceções, determinadas por um percurso de vida diferente ou por uma forte consciência social e política, a nossa elite não faz a mais pálida ideia do país onde vive. E tem a sua experiência e a experiência de quem a rodeia como única referência. Porque a desigualdade afasta os mundos sociais em que as pessoas se movem. Por isso acha que "só não trabalha quem não quer", que "os portugueses vivem acima das suas possibilidades", que "se desvaloriza o rigor e a exigência", que "a inveja é o nosso maior pecado" - como se ela não fosse um reflexo pouco sofisticado de um país desigual e injusto, onde a ascensão social raramente tem alguma relação com o mérito.

O outro País de que falam é bem diferente deste retrato castigador e ignorante. É sofrido, trabalhador, onde o quase nada que se tem foi conseguido sem um enorme esforço. A miséria está sempre à espreita e quando vem esconde-se dentro de portas. Porque a última coisa que os portugueses são é piegas. A nossa pobreza envergonhada, que acaba por servir os interesses de quem não a quer combater, é o melhor exemplo de como os portugueses são em quase tudo diferentes do retrato que a nossa anafada elite faz deles.

E é este misto de orgulho e vergonha que explica porque se transformou Cavaco Silva no mais impopular de todos os presidentes da República. Cavaco não morreu politicamente com o episódio das escutas, o BPN ou o seu desastroso discurso de vitória. A maioria dos portugueses nem deu por isso. Cavaco morreu quando disse, na televisão, que não sabia como iria pagar as suas despesas com uma reforma de 1.700 euros (que na realidade é de 10 mil, que, por mais que muitos se espantem, nem é muito quando comparamos com a elite de que tenho estado aqui a falar). Não se trata de saber se a sua reforma é alta ou baixa. Trata-se de, com esta frase, Cavaco ter insultado todos os que, vivendo com quase nada, se mantêm teimosamente calados. Os que não quererem, acima de tudo, pesar nas costas dos outros. Foi aí que o mito do Cavaco pobrezinho e austero, todo ele de plástico, se desmoronou. Se ele fosse quem diz ser nunca poderia dizer uma frase destas sem suspeitar da fúria que ela causaria.

O principal problema do nosso país não é o seu péssimo sistema de justiça, não é a corrupção, não é a falta de produtividade, não é uma classe política divorciada do País. É a desigualdade. Porque todos os problemas que referi resultam deste pecado original. Não há justiça, não há transparência, não empresas eficientes, não há mérito, não há rigor e não há decência política numa terra onde há dois países que não se tocam e se perpetuam a si mesmos. Porque a desigualdade destrói o sentido da comunidade. Os pobres escondem a pobreza. Os ricos exibem a riqueza. Os pobres não querem pesar. Os ricos pesam e ainda se queixam do peso dos que lhe são tão leves.

Depois do 25 de Abril muito coisa melhorou. Basta ver os números e conhecer o País. Mas ficámos a meio. E estamos a regressar ao passado. A classe média oriunda de famílias pobres está a ser preparada para regressar ao seu lugar de origem. Os pobres a ser preparados para se habituarem, sem esperança, à sua condição. Sem os "privilégios" do Estado Social e sem qualquer condição para entrarem no elevador social que o Estado Providência lhes começou, há tão pouco tempo, a garantir. Enquanto os donos de Portugal e os seus avençados tratam das suas privatizações e das suas parcerias, dizem a quem vive do seu salário: "Não há dinheiro. Qual destas três palavras não percebeu?"

O homem honesto voltou a ser o que trabalha sem direitos, se cala e tudo consente. Esta é a propaganda que nos vendem todos os dias em doses cavalares: tudo o que fizerem será ainda pior para vocês. Empobrecer é inevitável. Resignados na sua pobreza obediente, tudo se pode fazer a quem apenas depende do seu trabalho. O milionário Warren Buffet disse, em 2006: "há guerra de classes, com certeza, mas é a minha classe, a classe rica, que faz a guerra, e estamos a ganhar". Não é só em Portugal que assistimos a este retrocesso. O problema é que, em Portugal, foi há muito poucos anos que os que menos têm passaram a viver com a esperança de ver os seus filhos a viver melhor do que eles. Essa esperança está a morrer. Em silêncio, como é costume na nossa terra.


Daniel Oliveira

muros de berlim III

terça-feira, julho 10, 2012

Portugal 1912 - 2012

Crianças portuguesas estão a emigrar para trabalhar 

«Nils Muiznieks manifesta também preocupação com relatos de que a pobreza infantil está a aumentar em Portugal, como consequência do aumento do desemprego e das medidas de austeridade, nomeadamente os cortes nos abonos de família. O comissário teme que as medidas de austeridade dos últimos dois anos ameacem seriamente as melhorias alcançadas na última década e apela às autoridades que tomem particular atenção ao possível impacto da crise no trabalho infantil e na violência doméstica contra as crianças.» (continua) in JN.

Em 2012, tal como em 1912, a emigração portuguesa regista valores brutais. Na época os destinos preferenciais eram as Américas, sobretudo Brasil e Estados Unido. Hoje a Europa, embora não exclusivamente, é o eldorado.
Dá gosto ver que todos, até as crianças, seguem à letra os desejos do governo. Ao menos que sigam algo à letra, já que no futuro nem estudar poderão (link): «Recordando que o país já regista uma elevada taxa de abandono escolar, o comissário apela às autoridades portuguesas que monitorizem a evolução deste problema e que não descontinuem programas que visam prevenir o trabalho infantil.» 

muros de berlim II

segunda-feira, julho 09, 2012

Não estou a propor nada de radical...

«"Não estou a propor nada de radical, só quero que 98% da população que ganha menos de 250 mil dólares por ano mantenha os benefícios fiscais, e retirá-los aos 2% que ultrapassam esse rendimento", explicou o Presidente norte-americano num discurso na Casa Branca. "Já está na hora de acabar com os benefícios fiscais daqueles que podem pagar mais", adiantou.

É um desafio à oposição republicana, a quatro meses das eleições. Barack Obama defendeu que se deve manter uma redução dos impostos para a classe média, mas pretende aumentar a carga fiscal para quem ganha mais de 250 mil dólares por ano.»


Se a distância entre Lisboa e Washington DC ultrapassa as 6 horas, as diferenças em termos de visão macro e micro económica entre Obama (e a sua equipa) e Passos Coelho (e a sua entourage) são de anos. Só não sei se ainda temos capacidade para aguentar tal jet lag...

um regresso a casa

e dou por mim com a certeza inabalável que cada regresso a casa é sempre o primeiro. ou será apenas um novo? há sempre um voo, um mastigar de pastilha decidido, um virar de páginas, um fechar de olhos, um pensar no que deixámos em terra.
berlim. um regresso a casa. a casa? a língua é outra e, contudo, parece-me tão minha aquela cidade. um espaço do qual me ausentei por dois anos mas que sei agora que esperou por mim. até...
não viverei lá. amo demasiado lisboa. apesar dos merdas que polvilham esta capital, este país, este governo, este estado. este estado de sítio que nos governa.
não há norte neste país. desnorteados, respondi hoje. estamos perdidos, sem norte. não gosto de dizer que lá fora tudo é melhor, porém... talvez seja. talvez seja hora de o dizer. porra! que temos de ter mais norte neste sul. mais cabeça neste coração. mais respeito neste espontâneo.
é a história das dicotomias que me varrem a toda a hora, só que desta vez não tenho mais tapete para as esconder. amo lisboa, todavia...
berlim. berlim lá continuará. é linda, é lógica, é prática, nem sequer é alemanha. berlim é berlim. eu só quero um pouco de berlim em lisboa. que tal fazeremos desta cidade uma lislim? até tem nome de terra de fantasia...

muros de berlim

Profissão: Ex-ministros

terça-feira, julho 03, 2012

Given to Fly



Pearl Jam

há melhor?

levo uma caneta preta, um caderno vazio, um livro empolgante, uma máquina fotográfica, uns ténis confortáveis, uns trapos de verão e uma miúda animada. há melhor?

Berlim é mais

Willy Brandt do que Angela Merkel. Berlim está mais perto.

domingo, julho 01, 2012

OS HEADPHONES VERMELHOS

Nas oportunas e sempre pertinentes reportagens do Nuno Luz, foi possível vislumbrar um denominador comum: elevados índices de vacuidade. Pronto, dois denominadores comuns: a vacuidade e os headphones vermelhos gigantes portados pelos jogadores. Rivais dos headphones utilizados por profissionais de estúdio, estes headphones tornaram-se extremamente populares entre as vedetas de bola, destronando os outrora “must bes” da moda das estrelas que foram, por exemplo, as pochetes e as madeixas. Um jogador consagrado da Selecção ir a algum lado sem estes headphones, em geral colocados em descanso no pescoço, parece hoje quase tão irreal como o Ronaldo jogar sem o cabelo completamente grudado. Os headphones vermelhos estão para a vedeta como a tatuagem de “Amor de Mãe” está para um ex-combatente no Ultramar.
Porque são tão grandes? Não sabemos. Talvez possuam uma potência assombrosa e proporcionem uma sensação de conforto muito agradável nas orelhas. Mas deve ser para replicar o fenómeno estético dos grandes tijolos que fizeram furor na comunidade hip-hop. Porque são todos vermelhos? Ignoramos. Pode ser uma questão de marca ou pode ser para combater a escassez de benfiquismo na Selecção. Se funcionam efectivamente enquanto ponto de escuta? Não conseguimos afirmar. Mas também não interessa; o que importa é que funcionam como adereço e o facto de possuir uns headphones vermelhos gigantes pendurados no pescoço é um genuíno grito de vedetismo. São um “statement” de afirmação em si mesmos. E depois, para bem da saúde dos próprios headphones, sempre é melhor aconchegar-se num pescoço qualquer, mesmo o imbuído de pura ruindade como o do Pepe, do que aturar a pimbalhada musical que tanto agrada ao jogador de futebol debitada a decibéis impróprios. E depois, dói só de imaginar a quantidade de cera acumulada nas cavidades auriculares e a extracção da mesma por intermédio duma unha dum, sei lá, Ricardo Costa qualquer.
Quem não se adapta a estas novas realidades sofre as consequências. Por exemplo, vimos numa dessas reportagens o Rui Patrício sentado ao lado do João Pereira no autocarro, utilizando uns headphones finíssimos de iPod, desgarrados de todo o ambiente, minimalistas, brancos, quase imperceptíveis. Patrício, bronco como sempre, não suspeitou de nada, sorriu para a câmara e carregou no “play”. Ao seu lado, João Pereira gozava com o caricato da situação, quase rebolando no banco ao aperceber-se do óbvio. Virou-se para Patrício e, com a eloquência que o caracteriza, deve ter-lhe dito qualquer coisa como, “ó meu ******, ****-** que essa ***** desses phones já não se usam, ********! ****-**, que estou ****** com este ************, ó ********!.... Se queres ouvir som, vai mas é lá para trás, ó ********* que te ****, **********! ********, **** de ******, *********!”, que obviamente não foi reproduzido. Mas Patrício não percebeu o alerta, empenhado que estava em ouvir o seu Jay-Z, Jessie J ou Zé Cabra e ficou a dar mau-aspecto o resto da viagem. 
Patrício tem potencial, de facto. Mas só se tornará numa estrela internacional e concretizará uma transferência digna de Roberto se começar a usar uns headphones vermelhos publicamente. Porque doutra forma nunca será visto como um grande jogador e será apenas um pacóvio que gosta de ouvir som. E para ouvir música estão os gajos na bancada com os seus headphones corriqueiros. É verdade, o hábito faz o monge e os headphones vermelhos fazem um jogador.