quarta-feira, maio 30, 2012

Hoje é dia de...



1. A pergunta mais desinteressante e inconsequente que se pode fazer sobre qualquer religião é se ela é ou não verdadeira – no que diz respeito a ser transmitida do céu ao som de trombetas e dirigida sobrenaturalmente por profetas e seres celestiais. Para poupar tempo, e correndo o risco de perder leitores dolorosamente cedo neste projeto, afirmemos frontalmente que é evidente que nenhuma religião é verdadeira no sentido de nos ser dada por um Deus. Este livro é para pessoas que são incapazes de acreditar em milagres, espíritos ou lendas de arbustos a arder, e não se interessam grandemente pelas proezas de homens e mulheres invulgares como Santa Inês de Montepulciano, que viveu no século xiii e da qual se diz que era capaz de levitar a sessenta centímetros do chão enquanto rezava e de ressuscitar crianças – e que, no fim da vida (supõe-se), ascendeu ao céu no Sul da Toscana às costas de um anjo. 

 2. Tentar provar a não-existência de Deus pode ser uma atividade interessante para os ateus. Críticos pragmáticos da religião divertem-se bastante a expor a idiotia dos crentes com pormenores impiedosos, terminando apenas quando sentem que desmascararam os seus inimigos como patetas ou maníacos consumados. Muito embora este exercício dê alguma satisfação, a verdadeira questão não é se Deus existe ou não, mas em que direção levar o argumento quando se decide que, evidentemente, ele não existe. A premissa deste livro é que tem de ser possível ser-se um ateu empenhado e, não obstante, considerar que as religiões são esporadicamente úteis, interessantes e consoladoras – e ser curioso relativamente à possibilidade de importar algumas das suas ideias e práticas para o reino secular.

Alain de Botton in Religião para ateus.

ESQUERDA: work in progress

A Esquerda mais livre é aquela que não é apenas Esquerda

Problema
Quem é a Esquerda Livre?
Esquerda ou Esquerdas?
A questão é antiga e não só não encontramos respostas como nos afastamos cada vez mais.
A Esquerda não deve ser apenas para pessoas de Esquerda. Deve ser também para os do Centro, de Direita e todos o que gostam sempre do não sabe /não responde.
O novo conceito de Esquerda tem de servir como base para uma análise dos tempos que vivemos.
A Esquerda não pode ficar colada às qualidades e elogios da Revolução Francesa e lutas humanísticas nem aos momentos mais negativos de algumas experiências políticas de actores socialistas e comunistas no século XX.
A Esquerda tem de se proteger e defender de uma opinião pública que a «mete no mesmo saco» dos agentes económicos liberais.
A Esquerda tem de ter propostas. Modernas e actuais. Tem de apresentar soluções pragmáticas para o endividamento de empresas e pessoas, para o desinvestimento na cultura, educação, saúde, ambiente.
A Esquerda tem de reescrever a Europa. Respeitar o seu passado mas, sobretudo, o seu futuro.
A Esquerda Livre não pode ser apenas mais um movimento, apenas mais um partido, apenas mais uma moda. A Esquerda Livre tem de ser... as Pessoas.

Proposta
Primeiro que tudo há que definir uma base de trabalho. O Manifesto.
A base para juntar tudo. Todos.Tem de ser ampla, generalista mas convicente e unificadora. Não ser apenas para os jovens nem para os velhos. Tem de ser para os que viveram muito na política e já não acreditam, mas também para os que nunca votaram mas querem ter soluções. Desempregados, independentes, ricos e pobres. Tem de servir para incluir todos os estereótipos de que se irá ser acusado. Assumi-los. Não ter vergonha.
Depois apostar em grupos de trabalho para diferentes áreas, com pessoas dessas áreas mas sempre com alguém de fora. Confiar no olhar do Outro.
Expandir o movimento através de uma plataforma europeista. Os nossos medos e problemas não são apenas nossos. São da actualidade.
A Esquerda Livre tem de partir de um Manifesto (como aqueles que marcaram a cultura e as artes no século XX) mas tem de apresentar propostas e provas de que «um outro mundo é possível».

(https://docs.google.com/spreadsheet/viewform?formkey=dGd1eXNWNFJIVk5jNmRyY0tYcWxQUUE6MQ#gid=0)

é apenas uma base de trabalho. é apenas um work in progress...

quinta-feira, maio 24, 2012

Para acabar de vez com a cultura

É só ler isto (link). É que nem vale a pena dizer mais nada...

quarta-feira, maio 23, 2012

Marina Abramović



Trailer The Artist is Present - Marina Abramovic

quarta-feira, maio 16, 2012

København convida...


Depois de fazerem girar discos na Pensão Amor, no Clube Ferroviário, Teatro da Comuna e por aí fora, os Gira-Discos chegam ao Copenhagen para animar a noite de Sábado!

Ping pong com poucas regras e sem rede, onde o improviso põe tudo em jogo - pop, rock, electrónica e o que mais houver pelo caminho. À espera que alguém se desdobre em passos mais ou menos arriscados, da mão no bolso à mão no copo até chegar à mão na anca. Gira que gira e torna a girar. A noite toda!

SÁBADO - 19 MAIO - 23H - 04 H

terça-feira, maio 15, 2012

Manifesto para uma esquerda livre


Portugal afunda-se, a Europa divide-se e a Esquerda assiste, atónita.

As raízes desta crise estão no desprezo do que é público, no desperdício de recursos, no desfazer do contrato social, na desregulação dos mercados, na desorientação dos governos, na desunião europeia e na degradação da democracia.
Em Portugal e na Europa, a direita domina os governos, as instituições e boa parte do debate público. A direita concerta-se com facilidade, tem uma agenda ideológica e um programa para aplicar. A direita proclama que o estado social morreu e que os direitos, a que chamam adquiridos, são para abater.
Em Portugal e na Europa, a esquerda está dividida entre a moleza e a inconsequência. Esta esquerda, às vezes tão inflexível entre si, acaba por deixar aberto o caminho à ofensiva reacionária em que agora vivemos, e à qual resistimos como podemos. Resistir, contudo, não basta.

É necessário reconstruir uma República Portuguesa digna da palavra República e construir uma União Europeia digna da palavra União.
É preciso propor aos portugueses, como aos outros europeus, um horizonte mais humano de desenvolvimento, um novo caminho para a economia e um novo pacto de justiça social.
É possível fazê-lo. Uma esquerda corajosa deve apresentar alternativas concretas e decisivas para romper com a austeridade e sair da crise, debatidas de forma aberta e em plataformas inovadoras.

A democracia pode vencer a crise. Mas a democracia precisa de nós.
Apelamos a todos aqueles e aquelas que se cansaram de esperar – que não esperem mais.

É a nós todos que cabe construir:

UMA ESQUERDA MAIS LIVRE, com práticas democráticas efetivas, sem dogmas nem cedências sistemáticas à direita, liberta das suas rivalidades, do sectarismo e do feudalismo político que a paralisa. Uma esquerda de cidadãos dispostos a trabalhar em conjunto para que o país recupere a esperança de viver numa sociedade próspera e solidária.
UM PORTUGAL MAIS IGUAL, socialmente mais justo, que respeite o direito ao trabalho condigno e combata as injustiças e desigualdades que o tornam insustentável. Um país decidido a superar a crise com uma estratégia de desenvolvimento económico e social, com uma economia que respeite as pessoas e o ambiente, numa democracia mais representativa e mais participada, com um Estado liberto dos interesses particulares que o parasitam.
UMA EUROPA MAIS FRATERNA, à altura dos ideais que a fundaram, transformada pelos seus cidadãos numa verdadeira democracia. Uma Europa apoiada na solidariedade e na coesão dos países que a formam. Uma Europa que ambicione um alto nível de desenvolvimento económico, social e ambiental. Uma União que faça do pleno emprego um objetivo central da sua política económica, que dê um presente digno aos seus cidadãos e um futuro promissor às suas gerações jovens.

Assinam este manifesto, entre muitos outros: Alexandra Lucas Coelho (jornalista), Alfredo Barroso (ensaísta, comentador), Ana Benavente (professora universitária), Ana Gomes (diplomata, eurodeputada), André Barata (professor universitário), António Mega Ferreira (escritor), Carlos Nô (artista plástico), Daniel Oliveira (jornalista), Fernando Vendrell (realizador), Francisco Belard (jornalista), Hélder Costa (dramaturgo e encenador), Ivan Nunes (doutorando em estudos de cinema), Jorge Bateira (economista), José Reis (economista), José Vítor Malheiros (consultor), Manuel Frias Martins (professor universitário), Mário de Carvalho (escritor), Miguel Real (escritor, ensaísta), Miguel Vale de Almeida (antropólogo, professor universitário), Nuno Artur Silva (autor, produtor), Olga Pombo (professora universitária), Paula Gil (precária), Raquel Freire (cineasta), Rui Cardoso Martins (escritor), Rui Tavares (historiador, eurodeputado) e Rui Zink (escritor).

Para assinar o Manifesto vá aqui.

domingo, maio 13, 2012

do cinema português

dizia o anúncio que aquela era provavelmente a melhor cerveja do mundo.
pois agora digo eu que é provavelmente um dos melhores planos do cinema português. ok. vá. a melhor cena de uma festa do mundo.

na rtp2 dá o A Espada e a Rosa, na minha cabeça ecoa o Rapace. Obrigado João Nicolau.

sexta-feira, maio 11, 2012

bernardo

by Pedro Vieira Que morte inesperada, estúpida e injusta!

domingo, maio 06, 2012

lust for life

Iggy Pop

"Não somos um país qualquer..."

"...somos a França." E, infelizmente, esse pode ser o seu maior problema desta (tão esperada) eleição. Hoje a França é apenas e só a França, apenas um dos mais populosos países da Europa, apenas um dos estados com mais história,  hoje a França é apenas passado.

Os tempos mais recentes até têm sido ao mais alto nível, mas apenas como acompanhante de luxo.  Os últimos líderes franceses não têm conseguido de forma alguma evitar a sua perda de poder e influência na Europa em comparação com o poderio da Alemanha, Inglaterra e, em certo momento, até da Itália.

E pode Hollande alterar algo? Sinceramente não acredito que mude muito. Se a esperança em Obama era imensa, os resultados apesar de serem positivos têm ficado aquém. E o presidente americano quando foi eleito tinha já uma enorme vantagem sobre o novo governante francês... experiência política.

Mais do que isso, Hollande pode ter recebido um presente envenenado com esta vitória, porque os próximos tempos serão deveras complicados e esta "nova oportunidade" da esquerda é única e, talvez, irrepetível.

Espero mesmo que me engane. Quero mesmo estar errado... Mas não acredito que mude muita coisa em termos europeus com Hollande, sobretudo porque me pareceu que houve mais voto anti-Sarkozy do que pró-socialismo. A Europa espera um novo líder. Uma nova referência. Ainda não foi hoje...

quinta-feira, maio 03, 2012

Anatomia de um golpe

Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. "O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida".

Contado, toda a gente acredita: o Pingo Doce dá um super-desconto, a população adere em massa, é um golpe genial. Visto, é inacreditável: uma turba faminta amotina-se, espanca-se, enlouquece, encena uma pilhagem sórdida. É uma miséria de marketing. É um marketing da miséria. "O balanço é positivo, considerando-se a acção como conseguida".

Primeiro, o acessório: este 1º de Maio alterou o equilíbrio na distribuição em Portugal. Este não foi um episódio único, foi uma afirmação de poder da Jerónimo, que vem perdendo para as estratégias agressivas de descontos da concorrência. O Modelo chega aos 75% em certos produtos e horas; o Lidl está a quebrar 33%; o Pingo Doce entrou no jogo em grande estilo. Arrumou o assunto com uma bomba de neutrões. Pôs o país a falar disso. Arruinou o mês à concorrência. E fê-lo provavelmente perdendo dinheiro, o que significaria que comprou mercado.

Dar um desconto de 50% num cabaz significa ter uma margem média de 100% para ganhar dinheiro. Margens médias de 100% na distribuição são como manadas de gazelas na Atlântida, não existem. Dir-se-á: e os clientes com isso? É concorrência e a concorrência é linda. Pois, mas esta é feia. Porque se é abaixo de custo, a do Pingo Doce ou a do Modelo, não é concorrência, é anti-concorrência. É destruir concorrentes que não suportam predações. É aniquilar fornecedores que as subsidiam.

A distribuição não é para meninos. É um negócio de margens reduzidas, negociações complexas, de um conhecimento quase doentio dos hábitos dos clientes. Fazem-se promoções ao meio-dia porque quem está com fome compra mais. Perfuma-se o ambiente com pão quente porque se vende mais. Dispõe-se os alhos ao pé dos bugalhos, nivela-se as prateleiras pela criançada, desnivela-se a iluminação entre dois corredores, puxa-se o lustro à fruta. É assim. E a Jerónimo Martins é o melhor grupo português a fazê-lo. É a empresa mais valiosa em Bolsa. Vale mais que a Galp.

Agora, o Pingo Doce inicia uma mudança estratégica. Esta é uma campanha de "hard discount", um posicionamento mais "baixo" do que o actual desta cadeia. É por isso que esta operação não tem a mão de Alexandre, o patriarca, mas de Pedro, o sucessor, que carrega uma década de grande sucesso deste modelo na Polónia. Esta é a afirmação, surpreendente e bombástica, da sua gestão. Vem aí mais disto. "Hard discount" quer dizer desconto duro. Assim será: duro. Vale tudo menos arrancar olhos?

Também vale arrancar olhos. Assim foi neste 1º de Maio. Cenas lúgubres em todo o país. Os gestores viram um livro de marketing a ser implementado. Os economistas viram um livro com curvas de oferta e procura. Os juristas viram um livro de direito da concorrência. Eu vi um livro de Saramago a escrever-se sozinho.

Já foi escrito: a reacção dos clientes é racional, nada a apontar. Faltou escrever: quem organizou o circo romano sabia ao que ia. E orgulhou-se no dia seguinte. Ficámos a saber como está o país. A violência que não se vê nas manifestações de rua comprime-se no afã vidrado de uma fila de supermercado.

Esta não é uma questão entre direita e esquerda, entre idiotas e ideólogos, entre moralistas e pragmáticos, não é distracção, não se compara com saldos de trapos nem com liquidações de livros. Porque nenhuma dessas promoções provoca estes tumultos descontrolados. Talvez só uma oferta de gasolinas produzisse a mesma loucura.

Numa entrevista notável, a Teresa de Sousa, publicada no Público este domingo, Rob Riemen, que não tem medo de falar de fascismo, afirma: "O espírito da democracia quer dizer que a verdadeira democracia é o oposto da democracia de massas." Riemen refere-se a Tocqueville ou a Gasset. "Ou Espinosa, para quem uma verdadeira democracia significa que somos mais do que indivíduos, aspiramos a ser pessoas de carácter, que não somos apenas motivados pelo medo, pela ganância, pela estupidez, mas capazes de um pensamento e de escolhas".

Acicatar a voragem desumana, como se viu neste Maio, não faz parte dos valores que Alexandre Soares dos Santos construiu. De defesa de salários dignos, de criação de postos de trabalho, de assistência social aos funcionários em dificuldades. Nem serão os valores de Isabel Jonet, que gere no Banco Alimentar situações de pobreza extrema com tacto social e dignidade individual. Isto é uma manifestação de poder autoritário.

Disse Frei Fernando Ventura, nessa noite, na SIC Notícias: "Quando vi as imagens do Pingo Doce, fiquei triste e alarmado. Vi isto na Venezuela, com o Chavez, exactamente o mesmo tipo de reacção. Fiquei com esta imagem como um ícone, ou como um contra ícone, uma mensagem de sinal contrário daquilo que é uma das urgências a descobrir hoje". E disse mais: "Nós, em alguns arroubos místico-gasosos, ficamos muito alarmados e muito agitados interiormente com a multiplicação dos pães e dos peixes. Se nós percebêssemos o que está ali (…). Só houve multiplicação porque houve divisão. A solução tem que passar por aqui: é preciso dividir para multiplicar e é preciso somar sem subtrair nada a ninguém. O segredo está aqui. A chave está aqui. E por aqui pode construir-se a esperança. Por aqui pode criar-se redes de relações, por aqui pode dizer-se às pessoas que a esperança é possível. É preciso organizar esta esperança."

Para o Pingo Doce, os descontos do 1º de Maio terão sido um golpe de marketing ou um anúncio de uma nova estratégia. Mas para os portugueses, que reviram um país negado e renegado, foi mais do que isso. Foi uma humilhação. Como no "Rei Lear", de Shakespeare: "Esta é a praga deste tempo, quando os loucos guiam os cegos".

Pedro Santos Guerreiro in Jornal de Negócios

quarta-feira, maio 02, 2012

Racionalidade e irracionalidade

© Pedro Vieira

A ver se nos entendemos: o que está em causa não é a racionalidade do comportamento das pessoas que foram às promoções do Pingo Doce. Foram, individualmente consideradas, inatacavelmente racionais. Se posso comprar barato quando tenho salário baixo, irracional é não aproveitar a oportunidade.
A questão é a irracionalidade coletiva de uma sociedade que tem salários baixos e por isso precisa de preços baixos. E que tem de esperar por promoções de um hipermercado, nas condições e no dia em que este entende fazê-las, para conseguir comprar o essencial. Esta irracionalidade promove a perda de exigência social (um homem como Soares dos Santos é visto como uma “amigo do povo” quando tenta esmagar os seus concorrentes), a perda de memória política (o 1º de Maio passa a ser “o dia do consumidor”), o caos nos comportamentos (luta-se para consumir o essencial) e a concentração económica nas mãos de quem se pode dar ao luxo de esmifrar os fornecedores.
Numa sociedade destruturada pela crise e pela distribuição pornograficamente desigual, o comportamento racional de cada individuo leva a uma irracionalidade coletiva que o empobrece ainda mais. Quem não compreende isto e faz exigências morais a cada cidadão, através de gestos individuais que seriam, para ele, economicamente incomportáveis, comete o mesmo erro dos que defendem que as promoções do Pingo Doce são excelentes para o “povo” ou que esperam que a caridade resolva a pobreza. Ignora tudo o que o episódio de ontem nos disse sobre os problemas sistémicos deste país e para onde eles nos estão a levar.
A pobreza não é uma escolha, é uma condição social. O combate contra a desigualdade não é um delírio de uma elite bem-pensante. É uma urgência política. O que há do inaceitável no que ontem aconteceu é como um Estado que desistiu de representar os interesses da maioria permite que uma empresa se aproveite da crise para violar todas as regras comerciais e sociais. As pessoas que lá foram, essas, apenas fizeram o que fazem todos os humanos a quem não sobram recursos: tentaram o que era melhor para elas.

Daniel Oliveira in Arrastão

Mary and Max



Quando tudo parece negro (é favor retirar o dramatismo excessivo desta expressão), há sempre algo que anima a noite. Mary and Max, o filme de 2009, é a garantia de um bom momento. Mais do que isso, é um dos melhores filmes de animação que vi no último ano.

terça-feira, maio 01, 2012

Os donos de Portugal são?


«Documentário de Jorge Costa

Donos de Portugal é um documentário sobre cem anos de poder económico.
O filme retrata a proteção do Estado às famílias que dominaram a economia do país, as suas estratégias de conservação de poder e acumulação de riqueza.
Mello, Champalimaud, Espírito Santo – as grandes famílias cruzam-se pelo casamento e integram-se na finança. Ameaçado pelo fim da ditadura, o seu poder reconstitui-se sob a democracia, a partir das
privatizações e da promiscuidade com o poder político. Novos grupos económicos – Amorim, Sonae, Jerónimo Martins – afirmam-se sobre a mesma base.
Quando a crise desvenda todos os limites do modelo de desenvolvimento económico português, este filme apresenta os protagonistas e as grandes opções que nos trouxeram até aqui.»

O documentário é um exercicio interessante sobre a história económica recente de Portugal. Sinto, todavia, que ficam a faltar outros olhares para dar ainda mais crédito a esta teoria...

«Parece o fim do mundo»

Em dia feriado gerou-se o pandemónio nos supermercados de maior dimensão da cadeia Pingo Doce, que foram varridos por multidões de compradores. Conflitos entre clientes a tentar passar à frente de outros nas filas para pagar obrigaram em Almada e na Quinta do Mocho, em Loures, mas também na Rua Carlos Mardel, em Lisboa, à intervenção da polícia.

in Público

Hoje é um dia triste para todos os portugueses.  O mais vergonhoso nem foi obrigarem os funcionários a trabalharem naquele que é apenas um dos feriados mais importantes que existe, nem a respectiva coacção que terá existido junto dos trabalhadores, nem mesmo a muito provável prática de dumping do grupo do Soares dos Santos, o mais grave deste dia foi o descontrolo que existiu em todos os supermercados. Dizem que parecia o «fim do mundo» e o problema é mesmo esse. Já são demasiadas familias perto do fim do mundo. Os esforços ultrapassaram o limite há muito e ninguém parece ligar a isso. Até um dia... (link)