quarta-feira, janeiro 26, 2011

III Prémios de Edição Ler / Booktailors

Até 15 de Fevereiro vota-se AQUI (a votação do público vale 20%). Os resultados serão apresentados AQUI (12.ª edição das Correntes D’Escritas, na Póvoa de Varzim), a 25 de Fevereiro. Eu confessarei os meus votos no dia 16 de Fevereiro AQUI. Ou seja, entre o AQUI e o ALI, passando pelo ACOLÁ, o que não falta são livros e votos (de mais livros).

terça-feira, janeiro 25, 2011

nem vale a pena dizer mais nada

Monsaraz 11

there is

There is a time to stop reading, there is a time to STOP trying to WRITE, there is a time to kick the whole bloated sensation of ART out on its whore-ass.

Charles Bukowski (1920-1994)

segunda-feira, janeiro 24, 2011

The Brick Thief


A LEGO Short Film via Pedro Rolo Duarte

já é dia 24...

e eu estou à espera das respostas do sr. silva sobre a fuga ao imposto da sisa, o negócio da herdade da coelha, as faltas às aulas na universidade nova, os 140% de lucro nas acções do bpn/sln, a licença caducada para obras na casa, e muito mais.

contudo, algo me diz que daqui para frente só ouvirei opiniões do sr. silva sobre o estatuto político de vila nova de poiares, o casamento homopartidário, e o divórcio entre estranhos e desconhecidos. 

finalmente e por mais voltas que dê à minha imaginação, só vejo uma boa noticia na reeleição do político (que não o é há mais de 17 anos): o sr. silva ficará estritamente ligado à aprovação do casamento homossexual e à nova lei do divórcio. em suma, o sr. tacanho foi afinal um reformador modernista. a vingança serve-se a frio.

domingo, janeiro 23, 2011

olha eu...


no IGNITE 2010 - 15 de Dezembro 2010 - LX Factory

[com fogo não se brinca]

Com fogo não se brinca
porque o fogo queima
com o fogo que arde sem se ver
ainda se deve brincar menos
do que com o fogo com fumo
porque o fogo que arde sem se ver
é um fogo que queima
muito
e como queima muito
custa mais
a apagar
do que o fogo com fumo


Adília Lopes

os pequenos-grandes pormenores

cavaco silva:

2011 +- 2 milhões e 200 mil
2006 +- 2 milhões e 800 mil
1996 +- 2 milhões e 500 mil
a honra do sr. silva já viu melhores dias...

josé m. coelho:

39 % na madeira e os problemas de saúde de alberto joão jardim certamente que se agravaram esta noite.

manuel alegre:

uma derrota clara. a culpa será apenas do sócrates?

fernando nobre:

deve estar escondido a um canto à espera do tiro que o vai afastar de belém e levar à morgue, ou então a correr atrás de uma galinha com comida.

outros:
ah, pois é, e os outros?... o defensor moura foi o único que discutiu alguns assuntos de economia e política, "but it takes two to dance tango". leva o prémio de melhor tirada da noite ao dizer que não felicitaria cavaco. priceless.

quarta-feira, janeiro 19, 2011

a outra prisão

é me estranho, este prender das palavras que não escrevo. é me estranho, e digo-te que repito na tinta seca da caneta um prolongar do bico que foi cortado a silêncios. não dá. não cai mais giz na ardósia. e é me estranho, este querer um abc à maneira antiga, daqueles que tem rimas nas vogais e contratempos nas consoantes. é me tão estranho, o sentir ausente da escrita quando me afogo em palavras de outros. é me estranho, entrar nesta outra prisão e fechar-me por dentro. é me estranho, ser um estranho das minhas palavras.

adeus

É um adeus...
Não vale a pena sofismar a hora!
É tarde nos meus olhos e nos teus...
Agora,
O remédio é partir discretamente,
Sem palavras,
Sem lágrimas,
Sem gestos.
De que servem lamentos e protestos
Contra o destino?
Cego assassino
A que nenhum poder
Limita a crueldade,
Só o pode vencer
A humanidade
Da nossa lucidez desencantada.
Antes da iniquidade
Consumada,
Um poema de lírico pudor,
Um sorriso de amor,
E mais nada.


Miguel Torga

Ulalume


Edgar Allan Poe por Jeff Buckley

segunda-feira, janeiro 17, 2011

Deve chamar-se tristeza

Deve chamar-se tristeza
Isto que não sei que seja
Que me inquieta sem surpresa,

Saudade que não deseja.

Sim, tristeza — mas aquela
Que nasce de conhecer
Que ao longe está uma estrela
E ao perto está não a ter.

Seja o que for, é o que tenho.
Tudo mais é tudo só.
E eu deixo ir o pó que apanho
De entre as mãos ricas de pó.


 
Fernando Pessoa in Poesias Inéditas (1919-1930), Lisboa, Ática, 1956 (imp. 1990).

sábado, janeiro 15, 2011

sábado, frio

«Caí no silêncio há vários dias. Quero falar-te das horas incandescentes que antecedem a noite e não sei como fazê-lo. Às vezes penso que vou encontrar-te na rua mais improvável, que nos sentamos diante do rio e ficamos a trocar pedaços de coisas subitamente importantes: a tua solidão, por exemplo. Mas depois, virando a esquina, todas as esquinas de todos os dias, esperam-me apenas as aves que ninguém sabe de onde partiram.»

Vasco Gato, in Rusga, Trama, 2010
via atrama

a casa portuguesa do sr. silva


Momento sublime ao 1'13": a história triste de uma pobre mulher, ex-professora em Portugal e Moçambique, e praticamente indigente. E, assim - revela-o o comovido esposo -, "Depende de mim! E eu tenho de trabalhar também para ela".

Sorte a dela ter um homem destes (é não o deixar fugir, já há poucos!) que sabe aplicar bem as suas economiazinhas, escolher criteriosamente os amigos e até amealhou para uma casinha de férias bem catita no Algarve. Mas a D. Maria, santa senhora, "bem merece" a ajudinha.

via Provas de Contacto

sexta-feira, janeiro 14, 2011

poeta

Afasta-te de mim, ó hora
o teu adejar feridas em mim cria
só: que farei com a minha boca agora?
com a minha noite?
com o meu dia?

Amada não tenho, sem casa estou
sem qualquer lugar onde viver
todas as coisas às quais me dou
enriquecem e gastam o meu ser.


Rainer Maria Rilke, in As anotações de Malte Laurids Bridge, Relógio d'Água

terça-feira, janeiro 11, 2011

noite chegada

o comboio prometera a todos uivar com força, nessa noite chegada, mas era já demasiado tarde para algo mudar. ela puxara os cobertores até cima e enrolara os lençóis nos pés. era um tique cozido nas saudades dele. o frio instalara-se de surpresa na cidade-deserto e, contudo, ela só pensava que os sonhos estavam já aí. como o sol de julho numa esplanada de agosto. como um desejo mesmo à mão de semear. ainda sussurrou um “boa noite”, mas ninguém ousou responder. ela. só no silêncio. só na noite chegada.

nota: resgatado de uma outra vida perdida

O SOM DO SILÊNCIO

Devagar, como se tivesse todo o tempo do dia,
descasco a laranja que o sol me pôs pela frente. É
o tempo do silêncio, digo, e ouço as palavras
que saem de dentro dele, e me dizem que
o poema é feito de muitos silêncios,
colados como os gomos da laranja que
descasco. E quando levanto o fruto à altura
dos olhos, e o ponho contra o céu, ouço
os versos soltos de todos os silêncios
entrarem no poema, como se os versos
fossem como os gomos que tirei de dentro
da laranja, deixando-a pronta para o poema
que nasce quando o silêncio sai de dentro dela.

Nuno Júdice in Guia de Conceitos Básicos, D. Quixote, 2010

segunda-feira, janeiro 10, 2011

Por qué escribo

Escribo porque siempre es mejor que descargar cajas en el mercado central.
Escribo porque no sé hacer otra cosa.
Escribo porque después puedo dedicar los libros a mis nietos.
Escribo porque así me acuerdo de todas las personas a las que tanto he querido.
Escribo porque me gusta contarme historias.
Escribo porque me gusta contar historias.
Escribo porque al final puedo tomarme mi cerveza.
Escribo para devolver algo de todo lo que he leído.

Andrea Camilleri in El País

(Traducción de Carlos Gumpert)


a trama


a trama no ah! a literatura
(a partir do minuto 14)

uma palavra

16.

Era uma vez uma palavra que estava sentada à porta de casa quando passou um rato. Bela palavra diz o rato. Como ia com muita pressa deu-lhe umas dentadas e engoliu-a. Mal. A palavra ficou-lhe atravessada na garganta. Então os dentes começaram-lhe a crescer para dentro.

ana hatherly in 463 tisanas

sábado, janeiro 08, 2011

sexta-feira, janeiro 07, 2011

na passagem da efeméride

o poeta é um guardador

o poeta é um guardador

guarda a diferença
guarda da indiferença

no incerto
guarda a certeza da voz.


Ana Hatherly, in Um Calculador de Improbabilidades
 
...e desde há cinco anos que guardo as diferenças e as indiferenças. os poemas e as prosas. as notícias e os recortes. as pinturas e as fotografias. os vídeos, a música e tudo o que não se define mais. em cinco anos muita coisa mudou, e muita coisa ficou: a minha escrita e os meus interesses. os meus medos - cavaco também era candidato -, e os meus amores - benfica lutava pelo título? e mantive o amor à palavra e à imagem. e sobrou um mundo que não pára e que procuro prender para sempre no que guardo aqui. cinco anos não é muito, nem pouco. são mais de mil e seiscentos posts. mais de vinte mil visitas. foram dias e noites aqui, e outros assumidamente ausente. hoje, no seu quinto aniversário, confesso que este blog é já uma parte indissociável de mim. e sobre isso acho mesmo que nem vale a pena dizer mais nada...

do que vejo e do que vês


«O que acho que está bem é uma pessoa poder ver de certa maneira e outra de uma maneira completamente diferente»
Pina Bausch

via a Trama

sunday smile



All I want is the best for our lives my dear,
and you know my wishes are sincere.
Whats to say for the days I cannot bare.


A Sunday smile you wore it for a while.
A Sunday mile we paused and sang.
A Sunday smile you wore it for a while.
A Sunday mile we paused and sang.
A Sunday smile and we felt true


We burnt to the ground
left a view to admire
with buildings inside church of white.
We burnt to the ground left a grave to admire.
And as we reach for the sky, reach the church of white.


A Sunday smile you wore it for a while.
A Sunday mile we paused and sang.
A Sunday smile you wore it for a while.
A Sunday mile we paused and sang.
A Sunday smile and we felt true.

Beirut in Blogotheque's Take Away Shows

um cansaço

Há um cansaço da inteligência abstracta e é o mais horroroso dos cansaços. Não pesa como o cansaço do corpo nem inquieta como o cansaço pela emoção. É um peso da consciência o mundo, um não poder respirar com a alma.

Bernardo Soares

tu e todos

agarro-me ao peito e levanto a cabeça procurando ajuda. a rua está deserta. o autocarro já fez a curva. já nem o oiço. sinto o vento suave ,de final de noite, a roçar-me na pele e acho mesmo que ainda oiço o refrão das últimas músicas da discoteca a ecoar na minha cabeça. dirias que era o álcool, se estivesses aqui.  se estivesses aqui, não haveria álcool, dir-te-ia eu enquanto te beijaria apaixonadamente. nunca percebi como aquilo aconteceu. a minha mulher garante que ainda não ultrapassei. é provável. não é fácil. o nó não sai. e, por isso, vivo assim com um nó de gravata tatuado no inspira-expira de cada noite.

nota: roubado dos meus outros devaneios, daqueles que nunca arrancaram convenientemente.

quinta-feira, janeiro 06, 2011

Composição de lugar

Não caibo nesta tarde que me desfolhas
sobre o coração. Renovam-se-me sob os passos
todos os caminhos e o dia é uma página que, lida
e soletrada, descubro inatingível como o vento, a rua e
a vida.
As mesmas mãos que antes desfraldavam
domésticas insígnias abaixo dos beirais
emprestam novos pássaros às árvores.
Pétala a pétala chego à corola desta minha hora.
Roubo o meu ser a qualquer outro tempo,
não há em mim memória de alguma morte,
em nenhum outro lugar me edifiquei.
Arredondas à minha volta os lábios para me dizer,
recuo de repente àquele princípio que em tua boca tive.
Eu sei que só tu sabes o meu nome
- tentar sabê-lo foi afinal o único
esforço importante da minha vida.
Sinto-me olhado e não tenho mais ser
que ser visto por ti. Há no meu ombro lugar
para o teu cansaço e a minha altura é
para ser medida
palmo a palmo pela tua mão ferida.

Ruy Belo in Aquele Grande Rio Eufrates

quarta-feira, janeiro 05, 2011

há menos cores por aqui...

O pintor moçambicano Malangatana morreu aos 74 anos, esta madrugada, no Hospital Pedro Hispano, em Matosinhos, vítima de doença prolongada, segundo a direcção do hospital.

terça-feira, janeiro 04, 2011

sábado, janeiro 01, 2011

this is this


Joe Lovano e Hank Jones, in "Lullaby", Blue Note Records

1.1.11

se este dia fosse apenas um número,
eu seria von Leibniz.

se este dia fosse apenas um número,
eu seria a Conjectura de Goldbach.

se este dia fosse apenas um número,
eu seria um.

se este dia me trouxesse algum sentido à vida,
eu escrevia "silêncio".