quarta-feira, abril 29, 2009

terça-feira, abril 28, 2009

Do S. João ao Indie

Pensemos o actual Portugal cultural através do teatro e do cinema ou da oferta cultural de Porto e Lisboa e encontramos diferenças e semelhanças. No espaço de dois dias pude assistir a uma peça num dos principais teatros do país (S.João) e a um filme dum jovem cineasta promissor num já conceituado festival (Indie Lisboa) e que pontos de contacto pude encontrar entre estes dois eventos?

Na peça Tambores na Noite, de Brecht, por Nuno Carinhas, havia reminiscências do encenador alemão mas o trabalho do actor e dos personagens parecia pela metade. A qualidade das interpretações era mediana e só Paulo Freixinho sai da média. Para pior. Muito pior. Depois as escolhas cénicas excepto no terceiro acto (Marcha das Valquírias) tendiam para o old-school-piroso-banal. Mais do que isso, as tentativas de criar uma analogia entre o texto brechtiano e o 25 de Abril foram pouco mais do que um esforço estéril de umas notas no piano e uns cravos atirados à queima-roupa. Na minha opinião, exigia-se muito mais dos actores, do teatro e da primeira interpretação de Brecht. Ai, que saudades da Mãe de G. Amorim. Destaques ainda negativos para o calor infernal que se fazia sentir na sala, que só poderia fazer um sentido irónico no primeiro acto (África), e para o público labrego que enchia a sala mas que também podia estar a encher o Coliseu (os Produtores) ou o Sá da Bandeira (Peso Certo).

A minha estreia no Indie deste ano fez-se com Hulaloop soundings uma pavorosa curta indonésia, com a Nossa necessidade de consolo e Précis do Quotidien fastidiosas curtas portuguesa e canadiana, pela agradável surpresa dos Santos dos últimos dias de Leonor Noivo mas sobretudo pela deliciosa animação de La maison en petit cube. Após um jantar rápido como manda a lei de qualquer festival do género seguia-se o momento social da noite Birth of a City, primeira longa de João Rosas. O primeiro problema foi logo o conceito de longa-metragem... acima de tudo estávamos perante uma curta prolongada. A ideia tal como a da sua curta anterior era a de acompanhar um artista e o seu processo criativo, ou seja onde antes tínhamos uma pianista temos agora uma pintora. De grande qualidade, diga-se. Olhando os extremos pode-se dizer que o plano inicial e final deixam algo a desejar embora se compreenda a lógica de ambos. A viagem é o elemento central, tanto na sua visão da cidade enquanto corpo vivo de gentes, cheiros, e sons que João vive num questionamento de eterno adolescente, como na sua dimensão mais estrutural e material de linhas de arquitectura e mapas que Claire sente. É esta viagem constante que atravessa o filme que poderia ter sido mais trabalhada. Algo mais do que constantes planos-parados-retratos de ruas e gentes sempre de passagem. Falta ritmo. E não pode faltar ritmo numa cidade como Londres onde a cidade é sinónimo de mudança, de recriação, de reconstrução. Até pelas obras que se adivinham. Mas, não foi tudo negro. Longe disso. Alguns planos destacaram-se pela positiva, sobretudo depois da entrevista ao polaco com a simbiose entre a cidade que surgia das vigas e a dos pinteis. Os momentos do nascimento da cidade de Claire são aliás os mais bem conseguidos na obra, até pela qualidade da sua obra. Um último realce para o delicioso momento em que Claire afirma repetidamente que agora sim a obra esta acabada. Mentira. Nenhuma obra está definitivamente terminada. Talvez fosse melhor que assim fosse com Birth of a city.

E com todo este contexto passamos para um último ponto muito importante desta já longa análise... porque estou eu sempre tão desagradado com tudo?
Vivo a minha vida pessoal sempre com um sorriso na cara e uma visão positivista mas em contraste sou extremamente crítico com as minhas experiências culturais. E isto significa que saio regularmente desiludido ou pelo menos apreensivo de teatros, cinemas ou exposições. Será a culpa da qualidade média do que se apresenta pelas nossas bandas? Será que devia ter mais sentimentos e deixar-me ir pelo facto de ser um amigo meu que fez uma coisa, ou que a mãe dele morreu, ou que o gato está doente, ou que vem de um país sem produção cultural e relativizar as obras artísticas ao contexto do autor? Sinceramente não sei.

Até ver sinto-me apenas o velho rezingão que raramente fica feliz com o resultado final que é apresentado nos teatros, cinemas, exposições ou revistas deste nosso (re)canto.

TVI? TVI?

O semanário Expresso noticia este sábado que Charles Smith foi inquirido quatro vezes entre Janeiro e Julho de 2007 e que em todas as ocasiões confessou ter inventado que José Sócrates tinha recebido um suborno através de um primo. Segundo o Expresso, terá sido uma manobra para fazer com que o Freeport pagasse o que lhe devia.

in IOL Diário

ressaca de Abril

Portugal de armas e brasões, de histórias e estórias, de sonhos e pesadelos. Portugal de calendário na mão e futuro na algibeira. Onde só há tempo para o deixa andar.
Portugal dos portugueses. Portugal de muitos outros. Portugal de deixar amanhar o amanhã. Portugal de se arranjar, remediar ou dar um jeito com o que há. Com o que temos por aqui. No frigorífico. Na biblioteca. No impresso.
Portugal onde a culpa morre solteira, porque viuvez é coisa de gente crescida.
Portugal onde toda a gente critica. Mas ninguém mexe. Se mexe. Toda a gente deixa a um canto as decisões de amanhã. Portugal de bota-abaixo letrados e de críticos iletrados.
Portugal sem jeito. Que não muda enquanto tu perderes tempo a ler isto só porque é uma crítica e não uma solução. Uma resposta. Uma mudança.
Porque a maior herança de Abril são os portugueses como tu... ávidos do sangue do outro e receosos do seu suor.

segunda-feira, abril 27, 2009

25 Abril por outros II

by Bandeira in Bandeira ao Vento

25 Abril por outros

Tanto Mar*

Sei que estás em festa, pá
Fico contente
E enquanto estou ausente
Guarda um cravo para mim

Eu queria estar na festa, pá
Com a tua gente
E colher pessoalmente
Uma flor do teu jardim

Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei também quanto é preciso, pá
Navegar, navegar

Lá faz primavera, pá
Cá estou doente
Manda urgentemente
Algum cheirinho de alecrim


Chico Buarque
* Letra original vetada pela censura; gravação editada apenas em Portugal, em 1975.

obs.: o 25 de Abril deste ano passou-se no Porto, daí o atraso na colocação deste post.
obs.2: música de Chico Buarque via o Inferno da Luz

Vivemos todos numa caixa

Caixote de coisas frívolas
Caixa de cenas insignificantes
Jazigo de futilidades e inutilidades mágicas.

Vivemos todos numa caixa

Guarda-se em cada cubo de matéria
Uma fórmula química
Feita recordação para guardar. Memórias.

Vivemos todos numa caixa

Abrem-se livros antigos, folheiam-se álbuns de fotografias, remexem-se revistas demodes
e
atiram-se
ao chão todas as caixas de coisas, cenas, objectos que nos recordem que o
TEMPO
Passa
Por todos. Sem exclusão social, de raça ou credo.

Vivemos todos numa caixa

Assim até ao fim,
guardados numa última caixa de madeira
Pronta a levar ao forno a 3000

Porto 09

quarta-feira, abril 22, 2009

Se houvesse degraus na terra...

Se houvesse degraus na terra e tivesse anéis o céu,
eu subiria os degraus e aos anéis me prenderia.
No céu podia tecer uma nuvem toda negra.
E que nevasse, e chovesse, e houvesse luz nas montanhas,
e à porta do meu amor o ouro se acumulasse.

Beijei uma boca vermelha e a minha boca tingiu-se,
levei um lenço à boca e o lenço fez-se vermelho.
Fui lavá-lo na ribeira e a água tornou-se rubra,
e a fímbria do mar, e o meio do mar,
e vermelhas se volveram as asas da águia
que desceu para beber,
e metade do sol e a lua inteira se tornaram vermelhas.

Maldito seja quem atirou uma maçã para o outro mundo.
Uma maçã, uma mantilha de ouro e uma espada de prata.
Correram os rapazes à procura da espada,
e as raparigas correram à procura da mantilha,
e correram, correram as crianças à procura da maçã.

Herberto Hélder

terça-feira, abril 21, 2009

"granda palhaçada"

Manuela Moura Guedes vai avançar com um processo judicial contra José Sócrates, revelou a jornalista ao PÚBLICO. José Sócrates fez, na entrevista à RTP, várias referências negativas Jornal Nacional de sexta-feira do canal, apresentado pela subdirectora da TVI, que a jornalista considerou “injuriosas”.

“Colocou em causa o trabalho sério, rigoroso e fundamentado de toda uma equipa de jornalistas de um jornal da TVI que é o mais visto de todas as televisões portuguesas”, disse a jornalista.

Manuela Moura Guedes, garantiu ainda que o primeiro-ministro “não cala os jornalistas da TVI com as ameaças e críticas aos jornalistas da TVI, especialmente aqueles que fazem investigação fundamentada para o Jornal Nacional”. “Tentou tirar credibilidade à seriedade e rigor do jornal mais visto e mais procurado pelos portugueses. Não vai conseguir e vai responder em tribunal”, acrescentou.
in Público, 21 Abril 09

O circo nacional e a hipocrisia decididamente atingiram níveis inenarráveis... Parece que a moda do futebol já pegou de estaca nos restantes meios e todo o Zé-Ninguém opta por este sistema que até é bastante fácil de por em prática:
- Dizes que vais processar alguém mas não o fazes. Claro. Isso custa dinheiro e dá trabalho.
- Mas, pelo caminho consegues mais audiência e atenção da próxima vez que falares.
- Desvias as críticas da miserável qualidade de notícias e factos que apresentas num suposto momento noticioso.
- Apresentas-te como expoente da independência política e da isenção, mas a tua posição há muito que foi tomada. Não és um de nenhum partido...
- És o "bota-abaixo". E todos estes circos só te enchem a loja. É disto que gostas. É isto que te faz sorrir.

Só que foram cardos, foram rosas e o teu tempo já era. Só te ouve quem quer e a tua imagem à muito que anda pela lama. Tal e qual um cardo podre.

É hora em Portugal de se fazer bom jornalismo. Apresentar os casos que houver a apresentar mas só depois de investigados pelas autoridades competentes. Mostrar os casos chocantes da sociedade mas só depois de fazer algo para ajudar e para mudar. Porque tudo o resto é apenas um aproveitamento repugnante!

Tratolixo - é o tratas...

A Tratolixo, uma empresa municipal controlada por quatro Câmaras nas mãos do PSD - Sintra, Cascais, Oeiras e Mafra - era suposta tratar dos resíduos sólidos urbanos.
Mas era tudo treta - não tratava!
A ponto de ter originado um crime ambiental, aparentemente "o mais grave do género registado no país", segundo o Secretário de Estado do Ambiente: a contaminação de solos e de águas subterrâneas provocada pela deposição descontrolada de resíduos na estação que era suposta ser "de tratamento" da Tratolixo, em Trajouce (Cascais).
Ficamos a aguardar que quem de direito - o Ministério do Ambiente, o MP e tutti quanti - actue criminalmente contra quem é responsável pelo "grave crime ambiental", se este se confirma.
Mas, a avaliar pelas notícias na imprensa, mais provável é darmo-nos por contentes se a Tratolixo se dignar tratar de apresentar novos planos para tratar o que não tratou, nem trata, além de descontaminar o que contaminou. Planos que metem contratos com empresas de "spinning" mediático e aconselhamento juridico, tão precisos, tão científicos, tão tratados que a Tratolixo estima poder orçar entre 2,5 e ... 10 milhões de euros.
A pagar por quem ? pelos contribuintes dos 4 municipios de gestão camarária PSD que contrataram a Tratolixo e agora tratam de assobiar para o ar.
A Tratolixo não trata do lixo, mas os representantes do PSD nestas 4 autarquias tratam de nos lixar.
Para quê pedir à Dra. Ferreira Leite mais demonstrações do "PSD de verdade"?

Ana Gomes in Causa Nossa

segunda-feira, abril 20, 2009

um pouco mais de Abril

Milano 08

Fugas. Cá dentro.

Estamos de passagem. Todos.
Mas eu mais. Do que tu ou eu.
Há um eu meu
que se separou há muito
daquele que ficou em terra a ver-me partir.
Há um querer ficar aqui. Previsível. A teu lado.
Nos teus sonhos. E meus.
Que de procurar encontrei apenas uma palavra
no dicionário
paginas antes, bem perto de viagem, uma viagem anónima...
que ouso fazer no comboio que passou depois do meu.
o barco que me levou logo a seguir, a mim.
no avião que pairou sobre um mar de coisas que desconheço.
que não conheço.
nem sei o preço.
certo. como o do anúncio que passa na tv ao fundo da estação.
Há um eu, meu, que se separou há muito.
Do qual perdi o contacto.
E, assim, contínuo
esperando pelo próximo comboio que me traga de volta
no apitar das portas.

Como fritar um PM em lume brando

1 Eis o meu ponto de partida: eu não acredito que o cidadão José Sócrates Pinto de Sousa tenha, enquanto ministro do Ambiente, aceite quatro milhões (de euros ou de contos, a suspeita nunca ficou clara) para autorizar, contra a lei, o Freeport de Alcochete. Não acredito: é um direito que me assiste e que decorre não apenas da experiência de trinta anos a observar políticos por dever profissional, como também pelo conhecimento pessoal que dele tenho.

Segundo ponto: além da crença pessoal, eu desejo veementemente e como português que quem quer que seja primeiro-ministro do meu país esteja acima, largamente acima, de tão rasteiras suspeitas. Isso, porém, não impede que existindo suspeitas, dúvidas, interrogações por esclarecer, com ou sem razão, elas sejam investigadas a sério e a fundo. Acho que nenhuma outra coisa podemos desejar e exigir.

Terceiro e decisivo ponto: acho absolutamente intolerável que a investigação e esclarecimento de um assunto desta gravidade, envolvendo suspeitas deste tipo sobre um PM, acabe - uma vez mais! - por flutuar, sem prazo nem dignidade alguma, nesse limbo de maledicência e de justicialismo popular onde invariavelmente vegetam ultimamente todas as investigações deste tipo, entre a incompetência do Ministério Público e a leviandade de uma imprensa que vive para o escândalo e que se está borrifando para o que seja o Estado de Direito. Por outras e mais cruas palavras: é intolerável que, uma vez mais, o palco principal da investigação seja ocupado, não pelos seus progressos e conclusões, mas pelas notícias sobre incidentes laterais, estados de alma dos investigadores e insinuações sobre pressões externas - tudo, como sempre, alimentado por sistemáticas fugas de informação que, para vergonha nossa, toda a gente sabe de onde vêm e mesmo assim se repetem constantemente.

Não consigo entender como é que, nas últimas semanas, o centro das atenções relativamente ao Freeport se deslocou dos resultados da própria investigação para as queixas de "pressões" dos magistrados dela encarregados. Primeiro, porque já vi este filme várias vezes e sei que, quando começam queixinhas destas, elas são invariavelmente o sinal de que a investigação marca passo e já se procuram desculpas. Depois, porque não entendo que um magistrado de investigação ande a queixar-se publicamente de pressões em lugar de lhes resistir silenciosamente e continuar o seu trabalho. Terceiro, porque há qualquer coisa de pouco transparente em queixarem-se de pressões atribuídas a um outro magistrado, amigo e colega de trabalho neste mesmo caso. Vai agora um outro magistrado encarregar-se da extraordinária investigação de saber se o facto de Lopes da Mata ter dito aos colegas que o primeiro-ministro queria celeridade no processo é ou não uma pressão política ilegítima. E assim se vai entretendo o tempo, como se (e a ser verdade que Sócrates terá enviado aquele recado por interposto procurador) não fosse apenas o PM, mas todos nós, a democracia portuguesa, a exigir celeridade e poucos floreados para distrair as atenções!

Escreveu Pacheco Pereira há dias que "colocar o caso Freeport debaixo do tapete, enchê-lo de medos, de sussurros, de silêncios, de incomodidades, deixará Portugal envenenado por muitos e bons anos". Ora, salvo melhor opinião, o que tem sucedido é exactamente o contrário: o caso Freeport ocupa a cena há três meses, em vez de silêncios e sussurros, é objecto de uma gritaria sem fim e, em vez de medos, tem propiciado abundantemente o que melhor caracteriza a nossa investigação criminal nos chamados casos mediáticos: permitir ou promover a execução pública dos suspeitos, antes que eles tenham tido uma hipótese de se defender e muito antes de a acusação concluir se tem ou não matéria para levar o caso a tribunal. É grave que isto possa suceder com qualquer cidadão; é gravíssimo que possa suceder com o próprio primeiro-ministro: não por José Sócrates, no caso, mas pela saúde pública do regime democrático. Desgraçadamente, chegámos a um ponto em que qualquer pessoa, por mais inocente que esteja, e em especial se for figura pública, pode ser executado em lume brando na praça pública, num fogo assassino alimentado pela negligência da investigação e pelas sistemáticas violações do segredo de justiça, que permitem a uma imprensa sedenta de sangue e de 'sucessos' atear as labaredas da execução popular. Mesmo quando, como foi o caso, tudo nasce de uma denúncia anónima - para mais, sugerida pela própria PJ e com contornos mais do que suspeitos de manobra política eleitoral, nunca devidamente esclarecida.

Eu não quero saber se os senhores magistrados se sentem ou não pressionados porque o PM supostamente lhes terá mandado dizer que andassem rapidamente com o processo, conforme é obrigação deles. Eu quero é que eles não finjam não perceber a gravidade do que têm em mãos, as implicações políticas imediatas e a prazo do arrastar do caso e a arrasadora suspeita que pende sobre a cabeça de um cidadão que, por acaso, também é primeiro-ministro.

Tanto quanto sei, seguindo as coisas de fora, todas as suspeitas contra José Sócrates assentam na existência de um vídeo onde um tal Charles Smith, para tentar justificar perante os patrões do Freeport uma quantidade de dinheiro que desapareceu em Portugal, o explica dizendo que teve de corromper o então ministro do Ambiente. Ora, o sr. Smith está para aí, à disposição dos investigadores, que aliás já o interrogaram algumas vezes. Permitam-me os senhores magistrados que diga que não vejo aqui nenhum bico de obra: ou conseguem que o sr. Smith prove como e quando pagou a Sócrates e qual o destino do dinheiro, ou não o conseguem e, então, só lhes resta uma coisa a fazer: arquivar o processo contra Sócrates e prossegui-lo contra o sr. Smith e demais envolvidos, por crime de falsas declarações e muito provável roubo, em benefício próprio, dos tais quatro milhões. Não alcanço porque são precisos cinco anos de adormecidas investigações e mais três meses de histeria investigatória para concluir uma destas duas coisas.

Ainda esta semana ouvi o ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral referir-se ao casal McCann como assassinos da própria filha - a tese que ele defendeu durante as investigações que conduziu e que depois publicou em livro. Durante dois anos, o dr. Amaral teve todos os meios, tempo e condições para fazer provar a sua gravíssima tese ou então descobrir o que tinha sucedido a Maddie e se estava viva ou morta. Não o conseguiu e, prorrogados todos os prazos de investigação, esta foi encerrada sem conclusões, por falta de qualquer indício do que quer que fosse. Mas, imperturbável, o senhor aí continua, a acusar os próprios pais de terem morto a filha e a dizer que só não o conseguiu provar por culpa das "pressões políticas". Será este tipo de 'justiça' que os investigadores do Freeport se preparam para reservar também a José Sócrates?

2 O argumento de que Durão Barroso tem de ser também o candidato do Governo socialista à presidência da Comissão Europeia porque é português é igual ao argumento de que todos tínhamos de achar o Cristiano Ronaldo melhor que o Messi na eleição de jogador do ano só porque também é português. Se alguém acha que Barroso - essa alforreca política - representa a melhor Europa, hoje e no futuro, é porque não percebeu nada da diferença que faz Barack Obama no renascer da esperança, num mundo em grande parte reduzido à desesperança pela falta de qualidade dos líderes políticos.

Miguel Sousa Tavares in Expresso, 13 Abril 09

Há-de flutuar uma cidade

há-de flutuar uma cidade no crepúsculo da vida
pensava eu... como seriam felizes as mulheres
à beira mar debruçadas para a luz caiada
remendando o pano das velas espiando o mar
e a longitude do amor embarcado

por vezes
uma gaivota pousava nas águas
outras era o sol que cegava
e um dardo de sangue alastrava pelo linho da noite
os dias lentíssimos... sem ninguém

e nunca me disseram o nome daquele oceano
esperei sentada à porta... dantes escrevia cartas
punha-me a olhar a risca de mar ao fundo da rua
assim envelheci... acreditando que algum homem ao passar
se espantasse com a minha solidão

(anos mais tarde, recordo agora, cresceu-me uma pérola no coração. mas estou só, muito só, não tenho a quem a deixar.)

um dia houve
que nunca mais avistei cidades crepusculares
e os barcos deixaram de fazer escala à minha porta
inclino-me de novo para o pano deste século
recomeço a bordar ou a dormir
tanto faz
sempre tive dúvidas que alguma vez me visite a felicidade

Al Berto

quarta-feira, abril 15, 2009

obituário
















Morreu o autor daquela aldeia típica que todos visitamos quando éramos pequenos e íamos para a Ericeira. Podíamos não gostar muito ou talvez até gostássemos.. apesar de tudo era o Portugal dos Pequeninos alfacinha mas fez claramente parte da meninice de muitos de nós...


O oleiro, José Franco, 89 anos, criador da aldeia típica do Sobreiro em Mafra, faleceu ontem, pelas 02h00, no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde estava internado na sequência de uma queda. O corpo está em câmara ardente na Capela de S. Sebastião, em Sobreiro, de onde o funeral sairá hoje, pelas 14h30, para o cemitério local.

Agraciado com o título de comendador pelo ex-Presidente da República, Ramalho Eanes, e abençoado pelo Papa João Paulo II, o ceramista vivia num lar de idosos (antigo hotel Morais), na Ericeira, e deixa dois sonhos por cumprir, segundo informou a sua secretária.

De acordo com Dulce Silva, "o mestre tinha um grande sonho que era criar uma escola de formação para crianças e jovens do Sobreiro. O outro desejo era criar uma fundação que preservasse o seu espólio". Nos últimos anos, assinalou Dulce Silva, "o mestre lutou sozinho, só com alguns amigos, como Duarte Pio de Bragança, para constituir uma fundação que preservasse o seu espólio. Mas a família era contra".

O espólio do oleiro permanece na aldeia miniatura que construiu no Sobreiro, da qual era sócio gerente e detinha uma quota de 40%.

Afastado de aldeia por motivos pessoais e familiares, José Franco realizou algumas das suas últimas peças no lar onde vivia. Quanto à obra que deixou, Ramalho Eanes classificou-a ontem como "uma referência nacional".

O futuro da aldeia típica está nas mãos da filha do oleiro, Suzete Franco, e do seu marido, Armando Dias Batalha. E assim irá continuar, segundo explicou ontem ao CM o seu genro, que rejeita a ideia de criar a fundação. A aldeia, de entrada gratuita, é visitada por milhares de pessoas , precisou Dias Batalha. O genro recordou que, por vontade da sua sogra, autora da ideia de criar a aldeia, a propriedade foi colocada em nome da filha aquando da sua morte em 1990.

in Correio da Manhã, 14 Abril 09

obs: foto de Diogo Ruas in Olhares

domingo, abril 12, 2009

untitled

Nantes 08

Forgiveness, is it a tender word?

No perdão,
há uma crença que vê o oposto da vingança.
Na desculpa,
há uma desresponsabilização de ser. Alguém.
E se nada é para sempre, se nenhum crime é eterno, nenhuma punição durável, porque há o perdão de ser intemporal e transversal?
Salvação,
o mito feito justificação. Para tudo. e Nada.
Quando assumes aquela porta
que entreaberta
deixa a luz entrar,
não há salvação nem caminho de perdão
não há outras leituras nem há credos,
nem mesmo esperanças.
Há apenas uma porta entreaberta. que pode facilmente
ser fechada.
com o abrir de uma janela.

Estrela do Mar


Jorge Palma

V de publicidade

Nos cartazes do PSD que inVadiram Lisboa há um V de potencial vitória que se destaca.
Mas há sobretudo um cartaz quase sem lógica e coerência temporal... a menos que Luís Filipe Menezes tenha razão (link) e Ferreira Leite venha a ser a candidata do partido ao Parlamento Europeu.
Ou seja, quando todos os partidos apresentam os seus candidatos para as eleições que vão decorrer daqui a 2 meses e tal o PSD prefere mostrar quem é a sua cara principal. Ok. São escolhas. Ou apenas derivas. Ou então o cartaz era outro e o PS, PCP e Bloco formaram uma aliança inesperada e alteraram os cartazes com o candidato europeu...
Sem querer indiquei um link anteriormente para uma página de publicidade a computadores, páginas amarelas, livros, arranjos de computadores, moedas antigas, telemóveis. Peço desculpa... mas se verificarem bem há um ligeiro rasto a política ao longo do site... discreto mas asseguro-vos que há... Ao menos fica-se com a certeza que em caso de vitória do PSD não haverá qualquer pudor em usar todas as soluções para controlar a crise económica... Consigo já imaginar M. Ferreira Leite como mulher-sanduiche nas ruas de Lapa a fazer publicidade ao creme Dove - anti-envelhecimento.

futuro encarnado?

Este post é sobre o Benfica. Aliás, triste sina, esta de escrever sobre o Benfica. De escrever algo de novo quando nada muda... E o marasmo se instala. Ou já se instalou. Há muito...
Ontem levei a Susie pela primeira vez ao estádio. Uma simples benfiquista por simpatia que nunca havia sentido a mística, a garra, o amor ao clube. E ainda não o sentiu...
Depois do jogo troquei palavras desiludidas com o Aires. Tal como as palavras que ecoaram o resto da noite nas bocas dos benfiquistas que navegavam nas ruas de Lisboa. Com cachecóis, cada vez mais escondidos dentro dos casacos.

Para este post vou partir de algumas ideias que o Aires me transmitiu por mensagens:

- o Benfica tem de descer à terra e deixar-se de megalomanias... mas vem ai a pré-época e os jornais já começam a atirar nomes, os adeptos a esfregar as mãos de contentes a dizer que é desta, o presidente a falar em conquistas europeias e a pedir mais um esforço aos adeptos... a paixão pelo Benfica é irracional e o facto de quase 170 mil bancarem no mínimo 100€ anuais olhando ao percurso da equipa nos últimos anos é sinal dessa fidelidade, mas o facto é que noto esmorecimento. Não é a toa situações como a do Afonso. Conheço muitos outros assim. O Benfica tem vindo a sufocar no seu gigantismo.

- A questão nem é tanto os jogadores (embora também tenham quota parte), é mesmo todo o circo montado à volta do clube. Enquanto isso não mudar...

- A culpa é do megalómano do presidente... a estrutura conta e muito. Do Quique falo porque a equipa tacticamente nada mostra. Não há trabalho feito, excepção às bolas paradas. Não notas que os jogadores tenham crescido como acontece com o porto de jesualdo. E isso é culpa do treinador. Mas, o problema é mais profundo do que isso. É própria cultura do clube. E isso é fodido de mudar.

- Pois. É o tal esmorecimento de que falo. Fazia bem baixar as expectativas, mas a realidade é que a massa adepta não iria permitir... Hoje estou com um melão (...).

Depois disso passei um pouco por alguns blogs benfiquistas e as opiniões variam entre uma segunda parte que nem foi má, o azar, a arbitragem, o quique, os jogadores, o presidente... E se o problema como o Aires refere for mesmo o clube?

Hoje somos apenas um clube médio europeu. Um grande-pequeno em Portugal. Temos isso sim uns grandes adeptos. Ou melhor... muitos adeptos. Porque se formos a ver a grande maioria que vai ver os jogos só puxa pela equipa quando a equipa puxa por eles. E é sempre assim. Continuam a ser poucos os que berram o jogo todo. Os que não esmorecem. São quase sempre os que percorrem todo o país e Europa e que já aprenderam muito na Irlanda, Inglaterra, Alemanha, Holanda, Itália, Espanha... com outros grandes adeptos. Um primeiro problema encontra-se dolorosamente na quantidade dos adeptos. Talvez nos tenhamos tornado na juventude de um partido que só se interessa em número de militantes e não na qualidade da participação...

Depois temos um problema de relatividade. Não podemos comparar a realidade dos anos 60 com a actual e não podemos sonhar voltar a ser o que fomos. Os tempos hoje são os dos grandes negócios de jogadores e de elevados valores de publicidade e transmissões. E nisso, a nossa realidade periférica asfixia-nos. A todos os clubes portugueses, até ao Porto que ganha lá fora. E se me permitem ser um pouco duro... ao contrário do que se lê por vezes mesmo nos anos 60 o Benfica não foi o maior da Europa... isso era o Real Madrid. De longe.

E chegamos talvez ao pior problema de todos: a organização e a exigência. Quando vemos a realidade de outros clubes internacionais, e infelizmente também do porto notamos que o nível organizacional é sempre muito superior e isso verifica-se numa cultura de exigência de resultados muito superior. Estes resultados não são apenas no campo. Aliás o campo é apenas a parte visível para o comum dos adeptos. Ou seja, quando uma contratação falha há que compensa-la ou tentando recolocar o jogador no mercado ou apoiando-o. Quando um problema interno surge é debatido internamente e não nos escaparates dos jornais. Monstros ávidos de sangue e carnes mortas. A exigência de resultados vê-se na vitória e na derrota. Após a vitória contra o Estrela o Benfica só treinou na segunda às 17h... Porquê? Precisávamos de dar descanso aos jogadores exaustos da Champions e Taça de Portugal? A resposta é simples: animicamente a equipa já está desfeita. Há muito. Bem antes da Taça da Liga. É um problema global e estrutural. De todo o clube.

O Benfica vai terminar esta época em 3º lugar. Neste último mandato, e pela primeira vez na história do clube, o Benfica nunca foi campeão nem vice... É por isso que digo que a culpa não é dos 6 ou 7 treinadores que por aqui passaram... o Quique pode ser mais fraco do que se imaginava... talvez... mas o Presidente Vieira há muito que foi ultrapassado pelo tempo. Pelo tempo dos resultados. Antes era o Rui Costa, agora será o regresso do Simão, Petit ou Miccoli... regressar sempre ao passado e nunca pensar em futuro. Não ver que o Benfica nos últimos anos tem tido equipas de juniores a lutar pelo título. Alguns jogadores são bons, outros não. Mas sentem a camisola como muitos crescidos não sentem.

Isto leva-nos a outro ponto: a questão da mística. Isso é um aspecto singular da cultura benfiquista. Ela existe, mas não se descreve. Só sente quem a tem... É uma espécie de religião inexplicável. Como todas. Ou seja é uma treta. No futebol actual não há lugar para misticismos, apenas para brio profissional. Ou seja, o Porto ou o Barça não têm mística têm antes jogadores que têm que dar o litro como profissionais que são. No Benfica temos poucos... Maxi Pereira, David Luiz, Ruben Amorim, Nuno Gomes... podem não ser muito dotados tecnicamente ou tacticamente mas têm garra e dão tudo o que podem (infelizmente por vezes é mesmo muito pouco). E na construção de uma equipa é isso que é necessário: Brio. Como eu ou tu no nosso trabalho.

Eleições precisam-se. Urgentemente. Para mudar algo. Ou não. Porque provavelmente quem aí vem não fará melhor. Nunca fazem... o sporting vai desaparecer em 10 anos... o Benfica em pouco mais. Benfica aos benfiquistas...

quarta-feira, abril 08, 2009

os verdadeiros simuladores

Bandeira, 06 Abril 09

Poéticas do Rock

Chega hoje ao fim e o melhor já passou... Ontem uma brilhante comunicação (link) sobre "SAGA - encontros improváveis", por Susana Chicó, incendiou a uma plateia que se amontoava dentro e ao redor do anfiteatro III da Faculdade de Letras da UL, ansiosos por ouvirem ilustre especialista sobre tão ampla e variada temática.

A realidade não foi bem assim mas foi próxima.. Uma muito boa casa esteve presente no segundo dia deste colóquio e a diversidade de temas das comunicações foi notória. O que tornou esta primeira edição um sucesso. Infelizmente houve algumas faltas na Mesa-Redonda mas a culpa dificilmente pode ser da organização. Neste último dia encontramos:

10h- 11h30
Luís Trindade
Sai prá Rua [ver resumo .pdf]
Rui Pina Coelho
Da garagem da adolescência ao supermercado pós-moderno [ver resumo .pdf]

# Intervalo para café

11h45 – 13h
Luís Filipe Cristóvão
A intervenção divina no Rock Português – um caminho do punk à poesia [ver resumo .pdf]
André Simões
A raposa [ver resumo .pdf]

14h – 15h45
Rita Grácio e Cristina Néry
“I sing the body electric”: a disfonia dos pulsos e o silêncio como pauta literária [ver resumo .pdf]
Emanuel Amorim
Rap Português: A liberdade de quem se faz ouvir [ver resumo .pdf]
Piroska Felkai
É fácil de (re)entender? O tom alternativo dos The Gift e as suas manifestações artísticas na música portuguesa [ver resumo .pdf]
Filipa Teles
Visões da Música Pop em Portugal [ver resumo .pdf]

# Intervalo para café

16h – 17h45
Fernando Guerreiro
Da Bar da Morgue a Turbina e Moça: o cabaret-circo futuro-dadá de Rui Reininho
Vitorino Almeida Ventura
As Letras como Poesia [ver resumo .pdf]
Golgona Anghel
Belle Chase Hotel – contra o destino, contra a personagem principal, a contratempo [ver resumo .pdf]

e para terminar:

17h45 Mesa redonda: Rock nas Artes

Moderador: Mário Jorge Torres
Convidados: João Pedro Rodrigues, Tiago Guillul, João Garcia Miguel, Paulo Furtado, Armando Teixeira, Manuel João Vieira, Manuel Mozos, Luís Futre.

Em caso de mais dúvidas consultar o site (link)

um alerta para o planeta

Este conjunto de conferências pretende suscitar uma reflexão aprofundada sobre alguns dos temas determinantes do futuro da humanidade e do nosso planeta. Convidaram-se personalidades que, pela importância das suas contribuições, têm marcado o debate das questões relacionadas com o desenvolvimento sustentável.
Esta iniciativa da Caixa Geral de Depósitos insere-se no programa de sustentabilidade que tem vindo a desenvolver – em que se inclui o Caixa Carbono Zero 2010.
Ambiente, Direitos Humanos, Desenvolvimento Sustentável e a sua ligação à Sociedade da Informação, Cidades pensadas como pólos agregadores para os seus habitantes, são temas de actualidade irrecusável e correspondem a grandes preocupações do mundo actual.

Culturgest

Ontem realizou-se a primeira com António Gonçalves Henriques, Viriato Soromenho Marques e Nuno Lacasta. E além de estarmos perante uma muito boa casa para um tema que em Portugal continua fora do mainstream, a qualidade das intervenções foi excelente. A forma como o painel avançou pelo tema foi muito coerente e abrilhantou ainda mais a conferência. Sinal menos apenas para o moderador.

Primeiramente António Gonçalves Henriques fez uma abordagem inicial do que são alterações climáticas. De seguida Viriato Soromenho Marques, que orador excepcional, avançou com mais dados sobre este assunto e pegou na ideia de como o desenvolvimento sustentável é exequível com a ideia de desenvolvimento económico e redução das dissemetrias sociais. Finalmente Nuno Lacasta, que faz parte da task-force para a discussão do pós-Quioto apresentou as principais ideias e práticas governativas que estão a ser executadas e planeadas na UE.

Nas próximas terças feiras teremos mais conferências dedicadas aos temas dos Direitos Humanos, dia 14; Desenvolvimento Sustentável e Sociedade da Informação, dia 21 e Arquitectura Sustentável, dia 28.

obs: Entrada gratuita e beberete.

palavras para quê?

O primeiro-ministro italiano voltou às declarações polémicas. Referindo-se às vítimas do sismo que na passada segunda-feira abalou a região centro de Itália e aos milhares de desalojados que estão provisoriamente acomodados em tendas, Silvio Berlusconi disse para encararem a situação como "um fim-de-semana no parque de campismo".

“Não lhes falta nada. Têm cuidados médicos, comida quente... Claro que o actual lugar de abrigo é provisório, mas há que encarar a situação como um fim-de-semana no parque de campismo”, respondeu Berlusconi à cadeia de televisão alemã N-TV.

in Público, 8 Abril 09

sexta-feira, abril 03, 2009

o ser-se mais humano

é talvez por isso que nos aproximamos mais de uns e afastamos de outros.
pelo que fazemos.
pelo que não fazemos.
pelo que não deixamos outros fazer.
é por isso e pela música.
porque há música,
no meio de todas as outras pautas que lemos noutro tom,
que lemos em conjunto.

CODED LANGUAGE, DJ Krust e Saul Williams

o ser-se humano

todos os dias há surpresas.
pessoas que fazem coisas que não esperamos.
p'ro bem e p'ro mal.
infelizmente bate-me muito forte quando é p'ro mal e quando mesmo um dia depois não consigo perceber o que pode levar uma pessoa a fazer algo tão... inexplicável.
explica-me.
e talvez consiga avançar com isto.
porque agora está bem complicado.