segunda-feira, junho 30, 2008

Poesia de Junho XXX

Chove. Que fiz eu da vida ?

Chove. Que fiz eu da vida?
Fiz o que ela fez de mim...
De pensada, mal vivida...
Triste de quem é assim!

Numa angústia sem remédio
Tenho febre na alma, e, ao ser,
Tenho saudade, entre o tédio,
Só do que nunca quis ter...

Quem eu pudera ter sido,
Que é dele? Entre ódios pequenos
De mim, estou de mim partido.
Se ao menos chovesse menos!



Fernando Pessoa (1888-1935)

o Euro por cá

Final

Espanha - Alemanha 1-0
Viva la España!
Por uma vez penso o mesmo que toda a gente... ganhou mesmo a melhor equipa durante todo o Euro. E viva o futebol!

domingo, junho 29, 2008

Poesia de Junho XXIX

Exilio

Voz del exilio, voz de pozo cegado,
voz huérfana, gran voz que se levanta
como hierba furiosa o pezuña de bestia,
voz sorda del exilio,
hoy ha brotado como una espesa sangre
reclamando mansamente su lugar
en algún sitio del mundo.
Hoy ha llamado en mí
el griterío de las aves que pasan en verde algarabía
sobre los cafetales, sobre las ceremoniosas hojas del banano,
sobre las heladas espumas que bajan de los páramos,
golpeando y sonando
y arrastrando consigo la pulpa del café
y las densas flores de los cámbulos.

Hoy, algo se ha detenido dentro de mí,
un espeso remanso hace girar,
de pronto, lenta, dulcemente,
rescatados en la superficie agitada de sus aguas,
ciertos días, ciertas horas del pasado,
a los que se aferra furiosamente
la materia más secreta y eficaz de mi vida.
Flotan ahora como troncos de tierno balso,
en serena evidencia de fieles testigos
y a ellos me acojo en este largo presente de exilado.
En el café, en casa de amigos, tornan con dolor desteñido
Teruel, Jarama, Madrid, Irún, Somosierra, Valencia
y luego Perpignan, Arreglen, Dakar, Marsella.
A su rabia me uno, a su miseria
y olvido así quién soy, de dónde vengo,
hasta cuando una noche
comienza el golpeteo de la lluvia
y corre el agua por las calles en silencio
y un olor húmedo y cierto
me regresa a las grandes noches del Tolima
en donde un vasto desorden de aguas
grita hasta el alba su vocerío vegetal;
su destronado poder, entre las ramas del sombrío,
chorrea aún en la mañana
acallando el borboteo espeso de la miel
en los pulidos calderos de cobre.

Y es entonces cuando peso mi exilio
y miro la irrescatable soledad de lo perdido
por lo que de anticipada muerte me corresponde
en cada hora, en cada día de ausencia
que lleno con asuntos y con seres
cuya extranjera condición me empuja
hacia la cal definitiva
de un sueño que roerá sus propias vestiduras,
hechas de una corteza de materias
desterradas por los años y el olvido.


Alvaro Mutis (1923 - )

sexta-feira, junho 27, 2008

Poesia de Junho XXVII

The dervish, in his freedom

The dervish, in his freedom,
Guards the secret divine
The secret that he shares
With Gabriel’s spirit.

Who knows how much havoc
Has been wrought in the world,
By the myopic thought
Of the Sufi and the poet?

Have a tiger-baffling glance,
That pierces the soul,
Not a lily-livered sigh,
A sheepish look of fear.

What thou dost not have,
Is a noble, luminous soul,
What thou dost have,
Is an case—fattened rosy health

Allama Iqbal

tradução de Naeem Siddiqui

quinta-feira, junho 26, 2008

o Euro por cá

Meias-finais

Alemanha – Turquia 3-2
Desta vez não houve milagre turco… o que é no mínimo injusto pois houve muito mais Turquia do que Alemanha na primeira parte e em grande parte da segunda… Só que esta Alemanha é demasiado pragmática e soube responder com uma frieza impressionante ao segundo golo dos turcos mesmo no fim do jogo como hábito… e Lahm marcou um golo à avançado… e temos o primeiro finalista!

Espanha – Rússia 3-0
Depositava grandes esperanças neste jogo pela toada ofensiva das duas equipas nos jogos anteriores mas a primeira parte mostrou sobretudo duas equipas receosas de correr riscos… tem que se compreender que estava em causa uma final europeia. Até ao intervalo destaque para a saída por lesão de Villa e entrada de Fabregas. Terá sido o fim da linha para Villa? Após o intervalo Xavi descobriu um golo dum remate de Iniesta. Genial. A Rússia não soube reagir ao golo e o 2-0 e 3-0 apareceram naturalmente, e que belas assistências de Fabregas. Temos um segundo finalista que chega lá só com vitórias e um goal-average de 11-3! Para mim são favoritos… só que tenho apostado sempre ao lado…

Obs: A presença da Espanha na final e a qualidade do seu futebol quase que me dá a certeza sobre uma opinião que tenho partilhado… o melhor campeonato do mundo é o espanhol. Pelo contrário o famoso inglês vale pela sua intensidade, futebol ofensivo com muitos golos e por algumas estrelas cintilantes… mas ponham uma equipa de meio da tabela inglesa a jogar com uma semelhante espanhola…

Republicanos à deriva...

Tal como se previa Obama é realmente um candidato a ter em conta, e como tal apresenta mais do que nunca reais hipóteses de ganhar as próximas eleições. É por isso com naturalidade que vemos que os republicanos se encontram em alerta máximo... por isso a solução arranjada só poderia ser pôr toda a gente em alerta...

Estas declarações do seu assessor foram prontamente negadas por McCain mas como nos EUA tudo é pesquisado à exaustão logo foram encontradas umas semelhantes do próprio candidato... em suma está o caldo entornado!

Mas tenhamos calma... isto é só o principio... haverão muitas mais polémicas e em ambas as campanhas... não esqueçamos que os americanos adoram escândalos e têm uma tendência única para declarações infelizes.

Poesia de Junho XXVI

Nom à la mer

Je ne suspendrai pas mon ombre sur une corde à linge
mais la jetterai au détour du chemin et
Je te rencontrerai
alors que tu me quittes pour elle
Tu me dépasseras fatalement
Quant à moi, je m'amuserai :
avec les lettres de mon nom qui m'ont échappé un matin et se sont éparpillées.

Dans la maison du bateleur, dans son coffre ou dans son théâtre,
dans son jeu, dans sa magie,
et dans mon enfance que je pousse à ruser
non parce qu'elle est un vol d'oiseaux que je mène à leur nid la nuit
mais aussi une promesse qui m'a quittée suivant cette même ombre,
mon ombre avalant le sommeil.

Lorsque la mare au-dessus du ravin se mit à frémir
après qu'un poisson d'argent se fut insinué en elle jusqu’au fond de son ventre
ce poisson luisant qui me glisse toujours entre les doigts
quand je cherche les phrases alignées comme des briques entre les deux limites
afin d'en faire ma maison
ou ma chambre
ou mon lit
Là, là où je n’ai pas de pays, dans le non de la terre à la terre, dans le non de la patrie à mes pères

là où ce nom avoisine ce que ma mère a planté
et sa langue est une pousse dans le carré de boue de mon enfance,
La langue qu'elle a mise dans ma bouche et qui m'est devenue une mère
à la place de la Mère langue.


FATHY Safaa

quarta-feira, junho 25, 2008

o Euro em França...

por uma vez os franceses mostram sentido de humor... priceless!

"je ne suis pas à l'Euro"


"Allo Raymond"


"on va s'marier"

o Euro por cá

Quartos-final

Portugal – Alemanha 2-3
Muito simples:

Alemanha – Paulo Ferreira 1-0

Alemanha – Ricardo 2-0

Alemanha – Portugal 2-1

Alemanha – Ricardo 3-1

Alemanha – Portugal 3-2

Porque as coisas têm sempre um nome!

Turquia – Croácia 1-1 (3-1)
Apanhei o jogo aos 75 minutos com uma igualdade a zero bolas. Sinal mais para a Croácia perante uma Turquia muito defensiva. Com o aproximar do fim do jogo os riscos são menores. Prolongamento em que deu muita Turquia sobretudo com o que aconteceu na segunda metade… alias nos últimos momentos… aos 117 Rustu sai muito mal a um centro, a lembrar Nikopolidis, e a Cróacia está nas meias… ou não pois o empate chegou aos 122… num lance que cheira a falta… mas contou… derrotados animicamente a marcação dos penaltys foi um passeio para a inacreditável Turquia.

Holanda – Rússia 1-3 (a.p.)
Não vi o jogo… estava na festa da Musica… e fico com uma pena… os russos que já haviam deixado Inglaterra pelo caminho deixam uma outra grande equipa pelo caminho… temos candidato!

Espanha – Itália 0-0 (4-2)
A Itália tentou fazer o seu jogo morto, mortiço, mole, etc… a Espanha pelo contrário sempre com Fabregas a começar no banco manteve o seu estilo de troca de bola assente num Senna imperial no meio-campo defensivo. O jogo foi passando com poucos lances de perigo… alias… sempre que os havia… estavam lá Casillas e Buffon. Assim sendo tinha que acabar em penaltys e desta vez nuestros hermanos conseguiram ganhar à squadra azurra.

Polémica a caminho?

Encontrei isto no blog Spectrum...

Foi em Rio-de-Mouro City que conheci os fantásticos momentos das amizades infantis e da adolescência. No fim do século passado, o prédio onde morava foi alvo de uma mudança radical de população. Os apartamentos ocupados outrora pelas classes médias, são agora habitados pelas classes populares (terminologia “classista” que pode ser discutida). Grosso modo, os sacos de lixo começaram a voar pelas janelas, a música pimba começou a reinar, as discussões familiares tornaram-se públicas, enfim, toda uma panóplia de situações que nenhum sociólogo ousaria referir na Academia. Como “cidadã” sublinho estas situações, sem contudo ignorar, por um lado, de onde vêm estes habitus de classe, e, por outro lado, num sentido mais prático, o ambiente tenso e hipócrita de alguns prédios burgueses!
Na minha família criámos um ritual que consiste na etiquetagem dos diferentes clãs da vizinhança. Metemos, por exemplo, as seguintes etiquetas: “Os Quiquis”, “Os Cuscos”, Os Mongos”, “Os Racistas”, “Os Pequenotes”, “Os Trongas”. O meu clã, deveria ser chamado por sua vez “As Arrogantes (no feminino pois éramos todas mulheres)”. O clã dos Mongas era o alvo das críticas mais acutilantes, alimentadas por toda a arrogância de clivagem de classe existente entre nós e eles. Certo dia uma das minhas gatas arrogantes atirou-se às pernas da mãe Monga, por esta trazer consigo o seu cão Monga histérico. Foi a ocasião para a Monga de fazer uma grande peixeirada contra o clã das Arrogantes. Foi igualmente o início oficial do nosso mau estar habitat. Há cerca de um ano e meio, a mãe Arrogante não conseguiu aguentar o melting pot classista e étnico do prédio e lá teve que se fazer mudanças.
Este prédio já fazia parte do passado do clã das Arrogantes, quando recebemos a seguinte notícia: O pai Monga, com um cancro já avançado, matou a mãe Monga à facada em frente do filho mais novo. Foi este último, com nove anos, que telefonou para a polícia.
Parece-me agora sórdido pensar que pude ter pensamentos tão negativos em relação a esta família. Será esta família um simples produto de um Portugal de Miséria sem perspectivas optimistas de futuro? Não gostaria de entrar em argumentos miserabilistas de certas culturas populares, mas que sentido faz viver 20, 40, 60, 80 anos embriagado em valores estritamente materialistas de sobrevivência básica? Gramsci diria que todo o individuo é um filósofo, artista, uma pessoa de gosto requintado, participando assim numa determinada concepção do mundo. Mas... certas linhas de conduta só me apetece afastar do meu quotidiano... primeiro que se inventem meios de possibilitar a maximização dos recursos intelectuais de toda gente. E num país castrado culturalmente, como Portugal, é uma missão quase impossível! O “quase” é o meu resto de esperança no que diz respeito a um eventual aparecimento dos “tais” “intelectuais orgânicos”, no sentido de se salvar, entre outros, todas as famílias Mongas do inferno obscurantista da actualidade.

Aqui fica a minha resposta...

Num mundo perfeito, acho que podemos sempre sonhar com isso, não haveria subúrbios, nem "mongas", nem mesmo alcunhas, haveria só uma sociedade sem classes onde todos seríamos iguais.

Alias, já que estamos numa de sonhar podíamos mesmo pedir que fossemos todos ricos e vivessemos em belos edifícios construídos por S. Calatrava ou J. Nouvel.

Nesse mesmo mundo todos seriam multiculturais, cosmopolitas e mesmo interculturais... e viveríamos felizes com todas as outras comunidades, mesmo com aquelas que têm comportamentos "curiosos" como mandar o lixo pela janela porque como o mundo era perfeito nem isso fariam.

E claro que todos podemos falar livremente e de consciência descansada sobre a nossa relação com o Outro porque gostamos muito dele...

somos os primeiros a levantar os bracinhos, bater palmas e dançar no festival de Sines e nas festas politicamente correctas...

somos os primeiros a criticar a violência policial sobre o Outro, excepto quando rouba o nosso irmão mais novo...

somos os primeiros a criticar o Estado e o sistema politico vigente, mas nunca apresentamos propostas concretas que saiam da mesa de café ou do blog...


Não! O problema não está nas "classes populares" que tanto assustam com os seus hábitos, gostos e modos aparentemente incompreensíveis, nem nos académicos que criam e renovam conceitos sociológicos para explicar este mundo constantemente em mudança... o problema está nessas cabeças que dizem... "primeiro que se inventem meios de possibilitar a maximização dos recursos intelectuais de toda gente."...

Sim! Primeiro os Outros que façam algo para mudar este mundo de loucos que não compreendo...que depois eu cá estarei para recolher os louros na minha bela e mais segura casa em “Telheiras”.

Espero ansiosamente polémica...

Paris-espelho-de-Amsterdam

Poesia de Junho XXV

TRANSIT SCHEDULE

today’s means of communication
lets us learn
the worst
sooner

I can’t hear anything
but björk björk

and our total multi-vectorism
becomes local bipolarity
because walking on fire
is easier than breathing fire
because loving you
is almost like being in love
because with replacement joints
satisfaction is guaranteed

you see
life’s monkey strokes impatient fingers
with his cold tongue
and every cloud
clings to another
just so
trains leave on time
only to return . . .

you know? — but you definitely don’t know
right? — but surely the truth is not that pleasant

trains really do leave on time
but somehow we’re always late

I can’t hear anything
speak slowly


Dmytro Lazutkin (1978 - )
tradução de Mark Andryczyk and Andrij Kudla Wynnyckyj

terça-feira, junho 24, 2008

arquitecturando fotografias

Poesia de Junho XXIV

Sea Canes

Half my friends are dead.
I will make you new ones, said earth
No, give me them back, as they were, instead,
with faults and all, I cried.

Tonight I can snatch their talk
from the faint surf's drone
through the canes, but I cannot walk

on the moonlit leaves of ocean
down that white road alone,
or float with the dreaming motion

of owls leaving earth's load.
O earth, the number of friends you keep
exceeds those left to be loved.

The sea-canes by the cliff flash green and silver;
they were the seraph lances of my faith,
but out of what is lost grows something stronger

that has the rational radiance of stone,
enduring moonlight, further than despair,
strong as the wind, that through dividing canes

brings those we love before us, as they were,
with faults and all, not nobler, just there.


Derek Walcott in "Sea Grapes", 1971

segunda-feira, junho 23, 2008

... os perigos dos interesses...

Obama Camp Closely Linked With Ethanol

When VeraSun Energy inaugurated a new ethanol processing plant last summer in Charles City, Iowa, some of that industry’s most prominent boosters showed up. Leaders of the National Corn Growers Association and the Renewable Fuels Association, for instance, came to help cut the ribbon — and so did Senator Barack Obama.
Then running far behind Senator Hillary Rodham Clinton in name recognition and in the polls, Mr. Obama was in the midst of a campaign swing through the state where he would eventually register his first caucus victory. And as befits a senator from Illinois, the country’s second largest corn-producing state, he delivered a ringing endorsement of ethanol as an alternative fuel.

Mr. Obama is running as a reformer who is seeking to reduce the influence of special interests. But like any other politician, he has powerful constituencies that help shape his views. And when it comes to domestic ethanol, almost all of which is made from corn, he also has advisers and prominent supporters with close ties to the industry at a time when energy policy is a point of sharp contrast between the parties and their presidential candidates.

In the heart of the Corn Belt that August day, Mr. Obama argued that embracing ethanol “ultimately helps our national security, because right now we’re sending billions of dollars to some of the most hostile nations on earth.” America’s oil dependence, he added, “makes it more difficult for us to shape a foreign policy that is intelligent and is creating security for the long term.”

Nowadays, when Mr. Obama travels in farm country, he is sometimes accompanied by his friend Tom Daschle, the former Senate majority leader from South Dakota. Mr. Daschle now serves on the boards of three ethanol companies and works at a Washington law firm where, according to his online job description, “he spends a substantial amount of time providing strategic and policy advice to clients in renewable energy.”

Mr. Obama’s lead advisor on energy and environmental issues, Jason Grumet, came to the campaign from the National Commission on Energy Policy, a bipartisan initiative associated with Mr. Daschle and Bob Dole, the Kansas Republican who is also a former Senate majority leader and a big ethanol backer who had close ties to the agribusiness giant Archer Daniels Midland.

Not long after arriving in the Senate, Mr. Obama himself briefly provoked a controversy by flying at subsidized rates on corporate airplanes, including twice on jets owned by Archer Daniels Midland, which is the nation’s largest ethanol producer and is based in his home state.

Jason Furman, the Obama campaign’s economic policy director, said Mr. Obama’s stance on ethanol was based on its merits. “That is what has always motivated him on this issue, and will continue to determine his policy going forward,” Mr. Furman said.

Asked if Mr. Obama brought any predisposition or bias to the ethanol debate because he represents a corn-growing state that stands to benefit from a boom, Mr. Furman said, “He wants to represent the United States of America, and his policies are based on what’s best for the country.”

Mr. Daschle, a national co-chairman of the Obama campaign, said in a telephone interview on Friday that his role advising the Obama campaign on energy matters was limited. He said he was not a lobbyist for ethanol companies, but did speak publicly about renewable energy options and worked “with a number of associations and groups to orchestrate and coordinate their activities,” including the Governors’ Ethanol Coalition.

Of Mr. Obama, Mr. Daschle said, “He has a terrific policy staff and relies primarily on those key people to advise him on key issues, whether energy or climate change or other things.”

Ethanol is one area in which Mr. Obama strongly disagrees with his Republican opponent, Senator John McCain of Arizona. While both presidential candidates emphasize the need for the United States to achieve “energy security” while also slowing down the carbon emissions that are believed to contribute to global warming, they offer sharply different visions of the role that ethanol, which can be made from a variety of organic materials, should play in those efforts.

Mr. McCain advocates eliminating the multibillion-dollar annual government subsidies that domestic ethanol has long enjoyed. As a free trade advocate, he also opposes the 54-cent-a-gallon tariff that the United States slaps on imports of ethanol made from sugar cane, which packs more of an energy punch than corn-based ethanol and is cheaper to produce.

“We made a series of mistakes by not adopting a sustainable energy policy, one of which is the subsidies for corn ethanol, which I warned in Iowa were going to destroy the market” and contribute to inflation, Mr. McCain said this month in an interview with a Brazilian newspaper, O Estado de São Paulo. “Besides, it is wrong,” he added, to tax Brazilian-made sugar cane ethanol, “which is much more efficient than corn ethanol.”

Mr. Obama, in contrast, favors the subsidies, some of which end up in the hands of the same oil companies he says should be subjected to a windfall profits tax. In the name of helping the United States build “energy independence,” he also supports the tariff, which some economists say may well be illegal under the World Trade Organization’s rules but which his advisers say is not.

Many economists, consumer advocates, environmental experts and tax groups have been critical of corn ethanol programs as a boondoggle that benefits agribusiness conglomerates more than small farmers. Those complaints have intensified recently as corn prices have risen sharply in tandem with oil prices and corn normally used for food stock has been diverted to ethanol production.

“If you want to take some of the pressure off this market, the obvious thing to do is lower that tariff and let some Brazilian ethanol come in,” said C. Ford Runge, an economist specializing in commodities and trade policy at the Center for International Food and Agricultural Policy at the University of Minnesota. “But one of the fundamental reasons biofuels policy is so out of whack with markets and reality is that interest group politics have been so dominant in the construction of the subsidies that support it.”

Corn ethanol generates less than two units of energy for every unit of energy used to produce it, while the energy ratio for sugar cane is more than 8 to 1. With lower production costs and cheaper land prices in the tropical countries where it is grown, sugar cane is a more efficient source.

Mr. Furman said the campaign continued to examine the issue. “We want to evaluate all our energy subsidies to make sure that taxpayers are getting their money’s worth,” he said.

He added that Mr. Obama favored “a range of initiatives” that were aimed at “diversification across countries and sources of energy,” including cellulosic ethanol, and which, unlike Mr. McCain’s proposals, were specifically meant to “reduce overall demand through conservation, new technology and improved efficiency.”

On the campaign trail, Mr. Obama has not explained his opposition to imported sugar cane ethanol. But in remarks last year, made as President Bush was about to sign an ethanol cooperation agreement with his Brazilian counterpart, Mr. Obama argued that “our country’s drive toward energy independence” could suffer if Mr. Bush relaxed restrictions, as Mr. McCain now proposes.

“It does not serve our national and economic security to replace imported oil with Brazilian ethanol,” he argued.

Mr. Obama does talk regularly about developing switchgrass, which flourishes in the Midwest and Great Plains, as a source for ethanol. While the energy ratio for switchgrass and other types of cellulosic ethanol is much greater than corn, economists say that time-consuming investments in infrastructure would be required to make it viable, and with corn nearing $8 a bushel, farmers have little incentive to shift.

Ethanol industry executives and advocates have not made large donations to either candidate for president, an examination of campaign contribution records shows. But they have noted the difference between Mr. Obama and Mr. McCain.

Brian Jennings, a vice president of the American Coalition for Ethanol, said he hoped that Mr. McCain, as a presidential candidate, “would take a broader view of energy security and recognize the important role that ethanol plays.”

The candidates’ views were tested recently in the Farm Bill approved by Congress that extended the subsidies for corn ethanol, though reducing them slightly, and the tariffs on imported sugar cane ethanol. Because Mr. McCain and Mr. Obama were campaigning, neither voted. But Mr. McCain said that as president he would veto the bill, while Mr. Obama praised it.

in New York Times, 23 Junho 2008

Poesia de Junho XXIII

Divine Soirée (Mawloud)

Tous les univers sont en fête,
Sous mes pieds et au dessus de ma tête;
18 000 mondes chantent a l'unisson
La venue sur terre d'un Parfait Nourrisson;

C'était il y a 1400 années,
Mais demande donc au fier Soleil,
Il te répondra que c'etait la nuit passée,
Omnibulé qu'il fut par la Divine Merveille;

C'était il y a un millénaire et quelques centaines,
Mais demande donc a la Lune en prière,
Elle te dira que c'etait la nuit dernière,
Subjuguée qu'elle fut par cette Beauté d'Eden;

Tous les univers sont en fêtes...
En ce magnifique jour-anniversaire
Le Croyant ne connait pas la défaite,
Et le mystique n'a pas d'adversaire;

Les Anges et les jinns se sont réunis
Sur le toit du plus beau des Paradis
Pour chanter la gloire du Prince
Dans le Ciel de chaque province;

Le Mont Sinai s'est prosterné
Et les fils d'Iblis sont consternés;
Al-Aqsa versa des larmes de joie
Au cri amoureux des Buraks en émoi;

Ce soir a minuit, dans chaque coeur
Retentit le Discour du Seigneur:
"Ma Joie emplit tous les univers,
Cette Nuit appartient au Sceau de Ma Lumière;
Que le pêcheur soit pardonné!
Que le croyant soit exaucé!
Ma Misericorde en cette divine soirée
N'a d'égual que Mon Amour pour Mon Bien-Aimé !”.


Good Gee

domingo, junho 22, 2008

Poesia de Junho XXII

Intimidation

Intimidation by definition
can only mean separation
pits one against the other
encourages retribution
Mama Africa she lived the struggle
evaded shadow men witnessed Apartheid crumble

They confront the white policemen
demand to know why the boy
is being detained his arm wrenched
behind his back an angled decoy
He is not from here
smirks the cop
though his hand loosens its grip
there’s no intention to stop
dark ladies step forward with looks of indignation
Mama Africa heard Freedom’s song
to reconstruct the System reconcile the wrong

They contradict the boy
lives down the street ignore
inference he’s not South Africa
born their eyes underscore
resolve to cease this interrogation
Stoic they stand near the squad car
witness fear drain from the boy’s face
he cautiously grasps who the victors are
in this awkward altercation
Mama Africa weeps for her children
a vanquished generation lonely African orphan

The police concede release the boy
who upright stands a head taller
than the others rubs his reddened wrist
flexes assaulted arm adjusts his collar
distancing himself from this humiliation
As the cruiser pulls away he
bows his head in humble respect
Ngiyabonga thank you voice of refugee
in his eyes deep satisfaction
Mama Africa allied to the land
marches forever forward steadfast her stand


Debbie Amirault Camelin

Poesia de Junho XXI

Hide-and-seek

Someone hides from someone else
Hides under his tongue
The other looks for him under the earth

He hides on his forehead
The other looks for him in the sky

He hides inside his forgetfulness
The other looks for him in the grass

Looks for him looks
There's no place he doesn't look
And looking he loses himself.

Vasko Popa

Poesia de Junho XX

UNSPOKEN WORDS

Each time I want to write
Nothing comes out of my pen
Though I can feel
Thousands of words
Rushing in my head
The words that set
Fire in my burning heart
Speaks the pain of decay
Each time I want to write
Nothing comes out of my pen
The lonely me cries alone
Having no one to wipe out
The crystal pains.


Bushra Zahed

quinta-feira, junho 19, 2008

mar adentro

o Euro por cá

Grupo D

Grécia - Espanha 1-2
Não vi o jogo só os golos. Posso só dizer que a campeã europeia saiu como a única equipa só com derrotas e com o segundo pior goal-average, só atrás da França. Quanto à Espanha resta a dúvida como se aguentará quando chegar a verdadeira pressão... os nuestros hermanos que se dão tão mal com fases a eliminar...

Rússia - Suécia 2-0
"From Russia with love"... só deu mesmo Rússia neste jogo... a Suécia tentou praticar o seu futebol mas nunca conseguiu sair em condições para o ataque, pelo contrário os lances de perigo do lado russo sucederam-se e além dos golos contaram-se três bolas nos ferros e ainda mais dois lances de golo iminente. Segue-se um jogo contra a Holanda, a super-favorita, o que conseguirão eles fazer? Lembro apenas que esta Rússia foi a selecção que deixou a Inglaterra a ver os jogos em casa...

Poesia de Junho XIX

Nemzeti dal

Talpra magyar, hí a haza !
Itt az idõ, most vagy soha !
Rabok legyünk, vagy szabadok ?
Ez a kérdés, válasszatok !
A magyarok istenére
Esküszünk,
Esküszünk, hogy rabok tovább
Nem leszünk !

Rabok voltunk mostanáig,
Kárhozottak õsapáink,
Kik szabadon éltek-haltak,
Szolgaföldben nem nyughatnak.
A magyarok istenére
Esküszünk,
Esküszünk, hogy rabok tovább
Nem leszünk !

Sehonnai bitang ember,
Ki most, ha kell, halni nem mer,
Kinek drágább rongy élete,
Mint a haza becsülete.
A magyarok istenére
Esküszünk,
Esküszünk, hogy rabok tovább
Nem leszünk !

Fényesebb a láncnál a kard,
Jobban ékesíti a kart,
És mi mégis láncot hordtunk !
Ide veled, régi kardunk !
A magyarok istenére
Esküszünk,
Esküszünk, hogy rabok tovább
Nem leszünk !

A magyar név megint szép lesz,
Méltó régi nagy hiréhez;
Mit rákentek a századok,
Lemossuk a gyalázatot !
A magyarok istenére
Esküszünk,
Esküszünk, hogy rabok tovább
Nem leszünk !

Hol sírjaink domborulnak,
Unokáink leborulnak,
És áldó imádság mellett
Mondják el szent neveinket.
A magyarok istenére
Esküszünk,
Esküszünk, hogy rabok tovább
Nem leszünk!

(Pest, 1848. március 13.)

National Song


Rise up, Magyar, the country calls!
It's 'now or never' what fate befalls...
Shall we live as slaves or free men?
That's the question - choose your 'Amen"!
God of Hungarians, we swear unto Thee,
We swear unto Thee - that slaves we shall no longer be!

For up till now we lived like slaves,
Damned lie our forefathers in their graves -
They who lived and died in freedom
Cannot rest in dusts of thraldom.
God of Hungarians, we swear unto Thee,
We swear unto Thee - that slaves we shall no longer be!

A coward and a lowly bastard
Is he, who dares not raise the standard -
He whose wretched life is dearer
Than the country's sacred honor.
God of Hungarians, we swear unto Thee,
We swear unto Thee - that slaves we shall no longer be!

Sabers outshine chaine and fetters,
It's the sword that one's arm betters.
Yet we wear grim chains and shackles.
Swords, slash through damned manacles!
God of Hungarians, we swear unto Thee,
We swear unto Thee - that slaves we shall no longer be!

Magyar's name will tell the story
Worthy of our erstwhile glory
we must wash off - fiercely cleansing
Centuries of shame and condensing.
God of Hungarians, we swear unto Thee,
We swear unto Thee - that slaves we shall no longer be!

Where our grave-mounds bulge and huddle
Our grandson will kneel and cuddle,
While in grateful prayer they mention
All our sainted names' ascension.
God of Hungarians, we swear unto Thee,
We swear unto Thee - that slaves we shall no longer be!

(March 13. 1848)

Tradução de Adam Makkai


Petõfi Sándor (1823-1849)

Poesia de Junho XVIII

Untitled

I live by defeating my own words.
This is my job, my profession to defeat my own words.
Words are in full stomach,
Words are in empty minds
Words are narrow- minded.
If you also want to defeat, I can tell you:

If you want to defeat them, pronounce them.
To delight from non-pronouncing.
To delight from patience in front of speaking temptation
As of those pronounced words
Those are words who defeated me.


Muhammed Salih (1949 - )

o Euro por cá

Grupo C

França - Itália 0-2
Ponto prévio: ao contrário do que imaginava é realmente impossível ver todos os jogos por dois motivos: jogos em simultâneo e porque já só penso nos quarto-de-final de Portugal. Quanto a este jogo vi-o rodeado de portugueses e digamos que a forma como correu o jogo: lesão de Ribery, penalty claro contra a França e sobretudo uma péssima substituição após a expulsão francesa, levou os portugueses a esboçarem um sorriso pelo resultado. Quanto a mim... eu sempre gostei do futebol italiano e do seu famoso cinismo que nem foi aliás imagem evidente neste jogo, pelo contrário houve uma Itália claramente ao ataque... e 2au revoir les bleus".

Holanda - Roménia 2-0
Do que vi do jogo só posso dizer que os romenos eram mesmo fraquinhos... claro que a segunda equipa holandesa tinha nomes como Huntellar e van Persie mas de qualquer forma mostrou que uma segunda equipa pode e deve ganhar jogos. O principal candidato continua em forma.

terça-feira, junho 17, 2008

Poesia de Junho XVII

Je porte l’hiver dans mon coeur

La neige fond dans la campagne,
La glace fond dans le marais ;
Dans les essarts et dans les landes,
Sur les étangs c’est le dégel.
La neige reste dans mon couer,
La glace est là dans ma poitrine,
Je porte l’hiver dans mon cœur,
Dans mon ventre un amas de cuivre.
Ni ma douleur ne se déprend
Ni ma détresse ne dégèle,
Point de chaleur pour mon chagrin
Ni pour ma peine de printemps.
Plus le soleil au ciel s’élève,
Plus triste mon esprit retombe ;
Plus ardent se fait le soleil,
Plus forte en mon cœur la froidure ;
Plus le soleil a de splendeur,
Plus j’ai mal au fond de mon âme.

La Kantélétar
Tradução de Jean-Luc Moreau

segunda-feira, junho 16, 2008

O Café do Bairro

Eles encontravam-se sempre no café do bairro. No fundo, nem era o único café do bairro mas era assim conhecido por já lá estar antes mesmo do bairro se conhecer, quando eram só umas vivendas atravessadas por uma estrada poeirenta.
Eles encontravam-se sempre no café do bairro. E falavam horas sob o olhar atento do dono, que fazia anos que os via ali sentados na mesa de esquina, aquela perto da janela. E que via outros, que antes deles se sentavam naquelas mesmas mesas e cadeiras que doutros tempos vinham.
Eles encontravam-se sempre no café do bairro. E ele tentava sempre contar-lhes histórias do bairro, do café, dele mesmo. E eles, sempre, com as suas vidas ocupadas iam acenando que sim até mais não. Eles gostavam do velhote, afinal ele era o Café do Bairro, e era lá que eles se encontravam desde sempre.
Nesse dia estava calor, era daqueles fins de tarde de Junho que custavam a passar a caminho do Julho das férias. Eles haviam chegado cedo ao café e os temas de conversa haviam-se esgotado ao ritmo das moedas para matrecos e bilhar. Agora permaneciam calados, olhando em volta e trocando cumplicidades em relação às voltas perdidas do dono do Café do Bairro, às resmunguices da dona da loja de roupas que bebia religiosamente o seu café cinco minutos depois três, hora da morte do seu falecido, ou mesmo dos toques para o telefone da esposa do dono do café que estava sempre doente com uma doença estranha que ninguém conhecia e que provavelmente nem sequer existia. Tudo repetições e bizarrias que faziam daquele café o café deles.
Eles encontravam-se sempre no café do bairro. E conheciam já cada canto como se fosse uma continuação dos seus dedos, braços, corpos, mente. Nada lhes era estranho.
Conheciam de cor os três azulejos partidos aquando de uma briga de bêbedos entre o falecido coveiro e o vice-presidente da junta, que perdera as últimas eleições, por causa de uns negócios de terrenos.
Conheciam de cor a mesa ao pé da toilette, torta e desequilibrada pelas dentadas do cãozinho da mademoiselle Alice, que não era nenhuma menina apenas uma velha que ficara para solteirona.
Conheciam de cor, como ninguém, o roncar do ar condicionado que já não refrescava e apenas dava ares de aragem de primavera anunciada.
Conheciam de cor os matraquilhos onde faltava uma pega pelas brincadeiras do filho do bombeiro, que já era um rapaz crescido e trabalhava nos correios de uma cidade próxima.
Conheciam de cor tudo. E todos.
Nessa tarde, alias, nesse fim de tarde o dono do Café do Bairro desligou o som do telefone, e apenas a luz vermelha que piscava ritmada mostrava os toques da sua mulher, sentando-se na mesa deles.
- Bem… Meninos – ele chamava-lhes sempre assim.
- Tenho uma proposta a fazer-vos… Sabem que… Bom… Eu tenho pensado muito e… – o seu discurso era sempre tão desordenado como os seus passos perdidos à procura do pacote de leite para o meio-pingado do talhante.
- Eu quero deixar isto. Eu sei que não sou artífice ou artista mas sinto este sitio como algo único e gostava de o deixar a alguém… que perceba este café. Percebem?
- Sim. Claro. – responderam em uníssono.
- Afinal este é o café do bairro e bem… vocês… quer dizer devem saber, acho eu, ou se calhar foi à menina Jacinta, bom vocês devem saber que não tenho filhos por causa da minha esposa, uma querida, não os pôde ter por causa da doença. E sabem com que pena minha…
- Claro. Claro.
- Bem, vocês… Quer dizer… eu… queria dizer… pensei que poderia ser simpático… vocês e o café… – afirmou por fim, arregalando infinitamente os seus olhos.
- O café? – disse um deles com uma voz trémula.
- O Café do Bairro? – repetiu o outro. – Para nós?
- Sim!
Eles sorriram. O café já era deles. O que podia mudar agora? Compreensivelmente o dono do Café do Bairro só queria uma resposta mas era difícil para eles mudar para uma vida assim de certezas tão incertas. Era para eles estranho mudar para o outro lado do balcão, nunca tinham sequer pensado nisso. Eles que nunca seriam os donos do Café do Bairro pois não há espaço para donos num espaço daqueles.
- Deixe-nos pensar… um pouco, por favor.
- Mas claro, meus meninos. Claro que sim. A vida não acaba hoje… começa amanhã. – disse convicto.
Eles levantaram-se de imediato, pagaram, e saíram apressadamente despedindo-se com um olhar conivente do velho e descendo as escadas do café em silêncio.
Como sempre, caminhavam em direcção ao jardim passando pela loja dos sapatos da sra. Luz e pela loja dos animais do sr. Chico. Tudo aquilo era a história deles. Uma história de final aberto. Olharam um para o outro e um sorriso cúmplice e matreiro denunciava a resposta. Amanhã começava algo novo.
Amanhã eles iam encontrar-se como sempre no café do bairro…

Poesia de Junho XVI

I Am He

Mind, nor intellect, nor ego, feeling;
Sky nor earth nor metals am I.
I am He, I am He, Blessed spirit, I am He!
No birth, no death, no caste have I;
Father, mother, have I none.
I am He, I am He, Blessed spirit, I am He!
Beyond the flights of fancy, formless am I,
Permeating the limbs of all life;
Bondage I do not fear; I am free, ever free.
I am He, I am He, Blessed spirit, I am He!


Adi Shankaracharya (8 a.C.)

domingo, junho 15, 2008

o Euro por cá

Grupo A

Portugal – Suiça 0-2
Scolari apresentou uma segunda equipa… eu apresento um resumo de segunda…
Simplesmente uma prestação lamentável e indesculpável de Portugal!

Rep. Checa – Turquia 2-3
Só consegui ver os últimos 6 minutos… Indescritível! Que emoção num jogo só… uma reviravolta turca baseada num incompreensível erro de Cech, uma expulsão idiota e o um aguenta-coração num jogo que me era indiferente. Fiquei desolado… devia era ter visto este jogo e não aquele outro que dava à mesma hora.

o Euro por cá

Grupo D

Suécia – Espanha 1-2
Perdi quase toda a primeira parte por estar no comboio a caminho de casa. Vi os seus últimos minutos e muita Espanha. Vi ainda um penalty claro por marcar contra a Suécia, aos 44 min. Os erros grosseiros da arbitragem sucedem-se e muitos deles com visibilidade no resultado final.
Na segunda parte houve ainda mais futebol dos nuestros hermanos sobretudo aproveitando muito bem a saída de Ibrahimovic e a falta dessa referência ofensiva dos suecos. A partir dos 70 minutos a Suécia estava completamente remetida ao seu meio-campo, a título de exemplo aos 72 havia 6-0 em cantos. Até ao final do lado sueco só um livre perigoso aos 78 min. Os últimos minutos deram muito coração e querer latino… e como é sabido tantas vezes o cântaro vai à fonte que… quem mais do que Villa… a marcar o golo espanhol aos 92 num contra-ataque.
Conclusão: a Espanha juntou-se já a Portugal, Croácia e Holanda nos quartos mas voltou a ficar patente que golos para os nuestros hermanos só em contra-ataque e isso talvez não chegue para ser campeão europeu.

Grécia – Rússia 0-1
Era talvez o jogo mais importante para as duas equipas porque uma derrota significava casa, por isso ambas fizeram os possíveis e impossíveis para ganhar. Interessante sobretudo o facto de a equipa helénica ter jogado balanceada para o ataque tal era a necessidade de um golo e da vitória. Aos 13 minutos o golo grego esteve à vista mas a bola saiu junto ao poste esquerdo. Aos 19 foi um remate russo que passou junto ao poste. A Rússia começou a partir dai a fazer a Grécia provar o seu veneno e jogando em contra-ataque. Aos 32 o golo caiu do céu para os russos, ou melhor foi o experiente guarda-redes grego que pareceu que tombou do céu tal a sua falha numa saída a um cruzamento. No lance seguinte quase que a Rússia, novamente em contra-ataque, matava o jogo. Alias, os minutos seguintes ao golo russo mostraram uma Grécia completamente baralhada nas marcações e a falhar passes na saída para o ataque. Pedia-se o intervalo. E ele lá veio sem grandes lances de perigo. Infelizmente para estas minhas pseudo-crónicas desportivas depois do intervalo fui para casa da Goretti e apesar de ter visto lá a segunda parte não tive possibilidade de anotar as jogadas. De qualquer forma friso que ficou um sinal mais claramente para a Rússia, que desperdiçou claras e soberanas oportunidades para marcar. E assim fica pelo caminho a campeã europeia…

Poesia de Junho XV

CHAGALL'S LEG

With an Epidural there is no pain
just noise. The anæsthetist
recommended earphones -
a soothing Sony Walkman®.
The operation started
at the start of Woman's Hour.

Through the sawing, filing, hammering
a soft voice said
We're going to move you now.
And above the haze of pale-green gauze
my leg detached itself and floated
plump and wan and lifeless
in an impossible trajectory towards
the corner of the room,
lacking only goat or violin to
turn into a painting by Chagall.

Vi Whitehead

o Euro por cá

Grupo C

Itália – Roménia 1-1
A Itália entrou a todo o gás neste jogo com uma equipa bem mais atacante do que com a Holanda. Aos 12 minutos já contava com três lances bem perigosos, e em todos eles havia Del Piero. Por outro lado após esse início forte da selecção italiana foi Buffon que aos 13 e 17 evitou o golo romeno. Aos 19 Chivu bateu bem um livre e Panucci desviou a bola para o poste mais distante com Buffon já batido. Aos 29 Camaronesi centra a bola para a equipa de Toni que a coloca milimetricamente… ao lado do poste. Dez minutos depois foi Lobont que safou uma bola que dizia golo. Já nos descontos destaque para um golo muito mal assinalado a Luca Toni que daria uma vantagem bem útil a italianos.
Na segunda metade a selecção italiana entrou pressionante a dificultar as saídas para o contra-ataque romeno. Até que aos 54 minutos um livre a meio do meio-campo defensivo romeno resultou num belo golo de Mutu após assistência primorosa de Zambrotta. No entanto, no lance seguinte Panucci empata. Aos 58, 68, 69 e 70 lances de enorme perigo e grandes defesas de Buffon, por outro lado lances de perigo italianos aos 62, 74 e 77. Este jogo teve, portanto, bastante emoção e muitos lances de perigo sobretudo porque mostrou uma Roménia mais ofensiva que no jogo anterior e que podia mesmo ter chegado à vitória aquando do penalty aos 84… Buffon manteve a Itália no Euro.

França – Holanda 1-4
Depois de ter visto os franceses rejubilarem com o empate da Itália, sobretudo com o facto de se não houvesse Buffon o Euro tinha terminado para a Squadra Azurra foi com alguma pena que fui para um concerto no Institut de Monde Árabe. Após o concerto ainda tive tempo para ver a máquina holandesa meter mais um golo na fraquinha França. Os últimos dez minutos deram muitos ataques franceses mas pouca eficácia sobretudo em comparação com a Holanda e com o mortal Sneijder… que golo… provavelmente o melhor do Euro até ao momento.

sábado, junho 14, 2008

Poesia em Junho XIV

The violin-maker

Joey Finkl calls himself the last anarchist in town.
He’s been here over fifty years, making fiddles,
right here (except the wars) six days each week,
sometimes seven. “I don’t go with religion.
I work when I like. That’s most of the time,
because, you see, I love to make them,
my babies, hmmm.” He reaches among
the shavings and tools and dried out glue pots
and oil rags for a block of wood on which
is drawn the fine curved outline of a violin.

He holds the block up to his ear, knocks
with a knuckle whose backlit white hairs
make lines of light. He says, “Listen to that.
With care it will sing. You can hear it. Listen.”
He says, “Most people don’t take care,
and you know why? Because they don’t care.
Look at it for yourself: Apartheid, the rich
robbing the poor, the poor, they rob each other.
Sure, some people fight for them, and a few
of the poor fight too, but that’s not enough,
all of the people must care enough
to stand up for themselves. I fought in Spain,
and against Hitler, in Africa.
Then I got tired of fighting.
It has no heart. Music is better.

He tucks the block of wood under his chin
and humming, bows the air left-handed. He says:
“We can live without money, without nations,”
and he spits into the shavings, “without rabbis and priests...”
he moves his hand to pat his heart
and the block falls to the dust and he ignores it,
touching his breast: “But without this heart
we are nothing, and less than nothing.”

Michael Cope (1952 - )

sexta-feira, junho 13, 2008

Poesia de Junho XIII

Nocturne


Je suis effrayé

Par les feuilles mortes

Et j’ai peur de prés

Baignés de rosée.

Je vais m’endormir.

Si tu ne m’éveilles,

Tu trouveras à tes côtés mon cœur glacé.

Qu’est-ce qui résonne

Au loin?

L’amour.

Le vent sur les vitres,

Mon amour !

J’ai mis à ton cou

Des gemmes d’aurore.

Pourquoi me laisser

Parmi ce chemin ?

Si tu vas au loin,

L’oiseau va pleurer

Et la verte vigne

Restera sans vin.

Qu’est-ce qui résonne

Au loin ?

L’amour. Le vent sur les vitres.

Mon amour !

Tu ne sauras point

Mon beau sphinx de neige

Avec quelle ardeur

Je t’aurais chéri

Au petit matin,

Lorsqu’il pleut si fort

Que sur l’arbre sec

Se défait le nid!

Qu’est-ce qui résonne

Au loin?

L’amour. Le vent sur les vitres.

Mon amour !

Federico Garcia Lorca (1898-1936)

Tradução de André Belamich

quinta-feira, junho 12, 2008

o Euro por cá

Grupo B

Croácia – Alemanha 2-1
Antes de mais o problema não era os jogos serem às 18h… eram os executantes porque o jogo de Portugal e Alemanha foram bastante bons… parece que a França perde uma desculpa…
Boa entrada das duas equipas… futebol croata mais técnico que alemão e com boas movimentações, mas atenção que esta Alemanha também não é tão dura de rins como antigamente. Ficou por dar um amarelo a Klose aos 20 por ter rematado à baliza depois do fora de jogo. Dois minutos depois um belo golo croata de Srna ao segundo poste. Confesso que pelo que vi na primeira parte tenho talvez mais receio dos croatas do que dos alemães…Aos 29, por exemplo, outro ataque muito perigoso dos croatas que pôs a nu as lacunas defensivas alemãs. Curiosamente foi sobretudo do lado do experiente Lahm que as oportunidades se seguiram. Aos 32 um remate violentíssimo de Balack e no seguimento da jogada o perigo rondou a baliza croata por duas vezes. Aos 41 mais uma jogada brilhante com uma troca de bola dentro da área alemã. Klose voltou a mandar a bola para fora depois do apito e nada enquanto Simunic apanhou amarelo aos 44 por essa razão. Discutível. Infelizmente a minha recente adversidade obriga-me a uma troca de pensos que por vezes ocorre nesta hora… perdi quase toda a segunda parte e só apanhei os minutos de descontos com a pressão intensa dos alemães sobretudo após a expulsão. Conclusão: Parece que talvez tenhamos um outro candidato… esta Croácia promete… e na Alemanha os seus jogadores parecem perder facilmente a cabeça se o jogo não lhes começar a sair.


Áustria – Polónia 1-1
A vitória da Croácia contra a Alemanha tornou este jogo mais apetecível pois a haver um vencedor este pode sonhar em deixar a equipa germânica pelo caminho. A Polónia claro que levava vantagem pois tinha uma equipa com jogadores mais experientes e mais evoluídos tecnicamente. Boruc, o guarda-redes polaco, e o capitão austríaco destacaram-se no início do jogo. A Áustria procurou tomar a iniciativa do jogo mas os lances maior perigo só chegavam em bolas paradas, ou numa falha defensiva escandalosa dos polacos aos 10 minutos. Aos 12 e aos 15 min, lances claros para golo dos austríacos e em ambos grandes defesas de Boruc. Parecia que estávamos encaminhados para um jogo em tudo semelhante ao da outra organizadora… onde a ineficácia foi o seu calcanhar de Aquiles. Outro aspecto que ficou também patente é que a Polónia a jogar “fora” não é a mesma equipa que venceu Portugal e que ganhou o grupo de apuramento. E realmente após 30 minutos em que só deu Áustria Saganowski, o do Guimarães, e companheiros puderam celebrar o primeiro golo. Injusto? No futebol como diz o povo: quem não marca… arrisca-se a sofrer. E continuou assim até ao intervalo… investidas austríacas sem concretização. A segunda parte começa com um penalty por marcar contra a Polónia… é sabido que os árbitros ingleses permitem muito os contactos…Depois disso seguiram-se vários contra-ataques muito perigosos da Polónia. A partir dos 60 minutos a Áustria quebrou fisicamente e os polacos começaram a aproveita-lo testando sucessivamente o guarda-redes austríaco em remates cada vez mais perigosos. A ultima meia hora deu muito coração da Áustria e pouco futebol no terreno… até que aos 93… penalty e finalmente o golo merecido por Vastic…

Poesia de Junho XII

Diario de la noche

A la hora en que el sueño se desliza
Como un ladrón por senderos de fieltro
Los poetas beben aguas rumorosas
Mientras hablan de la oscuridad,
De la oscura edad que nos circunda.
A la hora en que el tren tizna la luna
Y el ángel del burdel se abandona a su suerte,
La orquesta toca un aire lastimero.
Una yegua del color de los espejos
Se hunde en la noche agitando su cola de cometa.
¿Qué invisible jinete la galopa?

Juan Manuel Roca (1946 - )

Ai as bolas paradas...

Portugal já está nos quartos-de-final como todos desejávamos e era esperado, tendo em conta a qualidade dos nossos jogadores e o forte espírito de grupo que Scolari conseguiu implantar no lote que levou ao Europeu. Ultrapassadas as dificuldades previsíveis num grupo acessível como era o nosso e obtida a qualificação para a fase seguinte, a selecção nacional pode ficar física e mentalmente ainda mais forte para enfrentar os próximos adversários. Fisicamente, porque será possível dar descanso a alguns dos jogadores mais utilizados e com mais minutos nas pernas; mentalmente, porque provavelmente ao dar a titularidade a outros, Scolari contribuirá para unir ainda mais o grupo. E, nesta área, o trabalho do seleccionador de Portugal tem sido notável.

Ontem, a República Checa "facilitou-nos" a vida ao deixar de fora Koller e ao optar por colocar Baros na frente do ataque. Na prática, os checos optaram pela mobilidade em vez de colocarem uma referência na área. O que foi bom para a equipa portuguesa. Anular Baros é mais fácil porque Ricardo Carvalho e Pepe são dois centrais muito rápidos, enquanto que, com Koller, a equipa checa teria maior posse e controlo de bola, maior profundidade central, o que seria bem mais complicado para a nossa defesa. Tendo em conta as características dos nossos jogadores, a mobilidade de Baros e as movimentações nas costas e nas alas são para nós muito mais fáceis de anular. Como, aliás, o foram enquanto o "enorme" checo não esteve em campo. Quando este entrou, as dificuldades logo aumentaram, apesar da entrada de Meira, com o claro intuito de ganhar altura na zona central do terreno.

Portugal chegou inclusivamente a passar por momentos de dificuldade inesperados, mesmo depois de chegar à vantagem com um belo golo de Ronaldo, e só respirou tranquilidade quando a agilidade mental de Deco (que cobrou o livre quando os checos ainda se recompunham) proporcionou o terceiro que acabava com todas as veleidades do adversário.

Com tudo isto, para mim, a vitória portuguesa não foi uma vitória fácil, sobretudo porque a equipa mostrou ser pouco rigorosa e pouco forte nos lances de bola parada, e terá sido até facilitada pela leitura menos correcta do técnico contrário pelas razões que apontei. Sofremos o empate na sequência de um pontapé de canto e quase sofríamos um segundo golo, que nos colocaria atrás no marcador, numa situação idêntica. Com Ricardo muito preso entre os postes e uma equipa constituída por elementos pouco altos (olhemos para Paulo Ferreira, Deco, Petit, Simão, por exemplo, sendo Pepe, Ricardo e Cristiano excepções, com a agravante de este último não estar bem defensivamente) somos frágeis nos lances em que a bola circula pelo ar. Por isso, e recordando até o que nos aconteceu diante da Grécia, na final do Europeu, e mais recentemente frente à Sérvia, julgo que talvez surtisse melhores resultados a opção por uma defesa à zona em vez da defesa homem-a-homem que temos vindo a utilizar. É que esta só deve ser utilizada quando existe um domínio na altura, o que não é o caso. Talvez com esta alteração se evitassem alguns sustos. De outra forma, se defrontarmos uma Itália (abro aqui um parêntesis para dizer que aqui em Itália, onde me encontro a trabalhar preparando a nova temporada do Inter, todos acreditam na passagem à fase seguinte) ou uma Alemanha, vamos certamente ter muitos problemas neste aspecto.

Mas até lá pode ser que nos quartos nos toque a Croácia e, se assim for, acredito numa meia-final com a Alemanha, para mim a equipa favorita para vencer o Europeu. E então, meus amigos, que grande meia-final vai ser....

José Mourinho in DN, 11 Junho 2008

obs: até José Mourinho se engana e parece que a Croácia também tem que entrar nas contas dos favoritos...

o Euro por cá

Grupo A

Portugal – Rep. Checa 3-1
Este jogo prometia pois a equipa que ganhasse provavelmente ficava imediatamente apurada. No 11 inicial de Portugal nenhuma surpresa, enquanto do lado checo Koller ficou de fora para a entrada do mais móvel Baros que se lembre foi o melhor marcador do último Euro. Portugal teve uma entrada auspiciosa com um golo bem cedo a acalmar a equipa e a contentar os adeptos. Destaque no lance do golo para a movimentação colectiva dos portugueses e para a forma como Deco se apresenta neste Euro. Todavia a Rep. Checa tem bem mais qualidade do que a Turquia e quando eles começaram a avançar no terreno Portugal vacilou e não foi com grande surpresa que chegaram ao empate numa bola parada. Ficou evidente que a selecção lusa precisa de melhorar esse aspecto. Até ao intervalo houve mais Portugal mas nada de golos.
Na segunda parte Portugal entrou forte e tal como no jogo da Turquia o golo foi natural e foi apenas o corolário de uma quantidade de lances de perigo e jogadas de envolvimento entre os móveis avançados e extremos portugueses. À entrada de Koller Scolari respondeu com Fernando Meira para compensar a elevada estatura do checo e de uma maneira geral ele foi bem anulado. Já nos descontos e como ele havia prometido Quaresma chegou ao golo num lance de contra-ataque bem desenhado.
Conclusão: Portugal entrou nos dois jogos em força e numa pressão alta sobre os seus adversários chegando naturalmente ao golo, depois tende a adormecer. Na segunda parte há sempre uma procurar de avolumar o resultado que tem levado a que Portugal tenha chegado ao golo mesmo em período de descontos. Em suma, ao contrário de outras equipas os jogadores lusos parecem estar em grande forma física e anímica.

Suiça – Turquia 1-2
Jogo que poderia em caso de derrota deixar os anfitriões pelo caminho. O jogo ficou desde logo marcado por uma chuva intensa que tornou o campo quase impraticável. Os festejos da vitória portuguesa levaram-me a não ver este jogo com muita atenção, mas ficou-me na retina a clara falta de qualidade técnico-táctica de ambas as equipas. A Suiça tal como no jogo dos checos teve oportunidades para concretizar mas entre a falta de qualidade, confiança e experiência foi acumulando falhanços, e ao alto nível isso paga-se caro. A Turquia empatou por volta da hora de jogo e deu o golpe final já nos descontos levando o “país da neutralidade” para uma terrível realidade: Adeus Euro!

quarta-feira, junho 11, 2008

Poesia de Junho XI

An Empty Glass

The empty glass
on the table
simply stands there, looking the same as yesterday.
It is neither asleep
nor open-eyed.

It simply stands until someone comes stepping lightly
carefully fills it full of water,
or until a day later, or a year later,
an empty hand comes
and grasps it.

Beside it an ashtray
with spent matches,
a year later again
beyond it a rusty lighter
lies abandoned like some dead soul.

The empty hand that comes and goes as if crossing
back and forth between this world and the world beyond,
that transparent skull,
those thirsting lips:
while they all lie rotting in the tomb,

the empty glass
simply stands there, looking the same as yesterday.

Moon Dok-soo (1928 -)
traduzido por Brother Anthony of Taize

O FUTEBOL É MAIS DO QUE BOLA A ROLAR

Quando foi à Suíça para o dia inaugural do Euro, Durão Barroso citou Roman Gary: "Patriotismo é gostar dos seus, nacionalismo é odiar os outros." Roman Gary era polaco, como esse Lukas Podolski que joga na selecção alemã e marcou golo contra a Polónia dos seus pais. Gary nunca combateu contra a Polónia, mas combateu por outras pátrias: foi companheiro de De Gaulle na libertação de França. Sob o pseudónimo de Émile Ajar, escreveu um dos mais comoventes livros da minha vida, La Vie devant Soi - uma velha judia e um pequeno árabe, em Pigalle. Gary compreenderia Podolski, o do golo contra a pátria de ambos. Porque o futebol é lugar de patriotismo e o patriotismo permite outros patriotismos, até para si próprio. No estádio de Genebra, antes do Portugal-Turquia, viu-se na tela o golo checo contra a Suíça. A bancada dos imigrantes emudeceu de tristeza. Os portugueses da Suíça são como Podolski e sabem- -no. O futebol ensina-nos que pátria não há só uma.

Ferreira Fernandes in DN, 11 Junho 2008

terça-feira, junho 10, 2008

Qual é a raça daquele político austríaco que governa a Califórnia?

Este 10 de Junho acordou cheio de gaffes à direita e à esquerda.
Cavaco Silva nunca teve o seu ponto forte em desviar a conversa dos jornalistas de respostas que não quer dar para outras questões. Em tempos, mastigou uma fatia de bolo-rei agora tentou repetir de diferentes formas que o 10 de Junho não é o dia nacional do camionista e à terceira ou quarta repetição o inconsciente traíu-o e saiu-lhe o "dia da raça, de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas". O nosso presidente, evidentemente, não é racista e tratou-se de uma mera gaffe. Esta, no entanto, tem gravidade porque a extrema-direita faz do 10 de Junho o dia do racismo e essa comemoração já produziu vítimas mortais. Se Cavaco tivesse querido piscar o olho à extrema-direita teria sido uma declaração de grande profissionalismo, mas de certeza absoluta que não era essa a intenção.
A esquerda respondeu rapidamente e o Bloco de Esquerda, que tem grandes méritos no comabte ao racismo, essencialmente por força da herança da actividade anti-racista dos activistas do PSR, foi rápido na reacção. Mas também caíu na gaffe. Fernando Rosas, para sustentar a inexistência da raça portuguesa, referiu aquele "brasileiro que joga na selecção". Ora, na selecção não joga nenhum brasileiro, embora joguem cidadãos portugueses nascidos em vários pontos do mundo, incluindo o Brasil. A crítica não foi menos gaffeuse que a frase criticada.
Alguém que acreditasse que quer Cavaco Silva quer Fernando Rosas pretendiam dizer o que disseram, perguntar-se-ia qual é a raça daquele político austríaco que governa a Califórnia.

Paulo Pedroso in o Canhoto

o Euro por cá

Grupo D

Espanha – Rússia 4-1
A Espanha apresentou-se com um 4-4-2 com Senna no lugar de Fabregas mas com a certeza de ter na dupla Torres-Villa perigo constante. A Rússia apostou num 4-5-1 que se transforma em 4-3-3 na saída para o ataque. Wenger era o comentador de serviço e garanto-vos que tem futuro garantido nesse trabalho. Os alas espanhóis são um dos aspectos fundamentais no ataque pela forma como sobem no terreno e ajudam às variações entre os centro-campistas. A Rússia pelo contrário joga bem fechada e compacta apostando no lançamento de contra-ataques bem abertos e em grande velocidade.
A Espanha chegou ao primeiro golo por Villa numa jogada de insistência de Torres. Dois minutos depois os russos atiram ao poste e na jogada seguinte é assinalado erradamente um fora-de-jogo. Mesmo antes do final da parte uma bela jogada e sobretudo uma assistência perfeita de Iniesta para Villa bisar.
Após o intervalo o seleccionador espanhol apostou numa alteração táctica tirando o mais fixo Torres para o móvel e cerebral Fabregas. E se o jogo estava difícil para russos a segunda parte foi o pesadelo. Jogando sempre em contra-ataque os golos foram-se avolumando e os lances de perigo para um meio-campo espanho muito móvel. Destaque para a Rússia que não desistiu mesmo depois do 3-0.
Conclusão: Temos candidato! Mas também ficou patente que a Espanha vacila um pouco nos lances de bola parada.

Grécia – Suécia 0-2
Na Suécia como surpresa só o regresso do “reformado” Larsson para concretizar o 4-4-2 à inglesa. Do outro lado uma Grécia que apresentou praticamente a mesma equipa (mas com mais 4 anos) e sobretudo o mesmo futebol defensivo que lhes deu o titulo europeu. Na primeira parte o árbitro muito “clássico” acumulou erros contra a Suécia como faltas por marcar aos 20, 27, 34 e amarelos por mostrar a gregos aos 32 e 43. Ao intervalo a vitória dos suecos aceitar-se-ia por uma série de jogadas perigosas nos últimos 5 minutos e sobretudo pela forma cobarde como os gregos trocavam a bola na sua defesa sem avançarem.
Após o intervalo a Suécia veio ainda mais ofensiva e a Grécia começou a aproveitar o maior espaço nas costas do meio-campo para arrancadas de Karagounis e Charisteas, como aos 62 min. Aos 65 minutos um lance de enorme perigo com um corte de cabeça sueco que ia resultando num auto-golo de belo efeito. Aos 66 e depois de 2 anos e meio Ibrahimovic marcou um golo pela sua selecção. Justíssimo e num remate de enorme qualidade. Bastante discutível a sua substituição aos 70 minutos e se não fosse o golo de Hansson (72 min) numa embrulhada na área poderia mesmo ter acabado mal. Um mau alívio sueco e um remate perigoso para uma grande defesa aos 86 foram os últimos momentos de alguma emoção até ao fim.
Conclusão: Não me parece que tenhamos candidato ao Euro mas ficou provado que até ao momento quem arriscou no jogo ganhou sempre.

Poesia de Junho X

PETITE FIN DU MONDE

Oh ! Oh !
Les oiseaux
morts

Les oiseaux
les colombes
nos mains

Qu'est-ce qu'elles ont eu
qu'elles ne se reconnaissent plus

On les a vues autrefois
Se rencontrer dans la pleine clarté
se balancer dans le ciel
se côtoyer avec tant de plaisir
et se connaître
dans une telle douceur

Qu'est-ce qu'elles ont maintenant
quatre mains sans plus un chant
que voici mortes
désertées

J'ai goûté à la fin du monde
et ton visage a paru périr
devant ce silence de quatre colombes
devant la mort de ces quatre mains
Tombées
en rang côte à côte


Et l'on se demande
A ce deuil
quelle mort secrète
quel travail secret de la mort
par quelle voie intime dans notre ombre
où nos regards n'ont pas voulu descendre
La mort
a mangé la vie aux oiseaux
a chassé le chant et rompu le vol
à quatre colombes
alignées sous nos yeux

de sorte qu'elles sont maintenant
sans palpitation
et sans rayonnement de l'âme.


Saint-Denys Garneau(1912-1943)

segunda-feira, junho 09, 2008

o Euro por cá

Grupo C

Roménia – França 0-0
Primeiro empate do Europeu. Justo. A Roménia não quis mais e a França não conseguiu concretizar as poucas oportunidades que teve. A França até entrou com uma boa troca de passes mas sem perigo evidente. A equipa romena foi sempre muito defensiva mas sem sequer estar bem posicionada. Em relação ao jogo o primeiro canto foi aos 22 minutos, o primeiro canto perigoso aos 32, e o primeiro lance de claro de golo aos 42 quando um romeno quase fazia auto-golo… é preciso dizer mais sobre a primeira parte? A segunda parte foi na mesma toada França ofensiva mas sem grandes lances de perigo. A situação só melhorou com a saída de Anelka e Benzema e entradas de Nasri e Gomis. A Roménia jogou a partir dos 80 minutos com 11 jogadores no último terço… é preciso dizer mais alguma coisa? É… na Roménia além de pedintes também há ladrões… hoje foram 2 pontos à França.

Holanda – Itália 3-0
Melhor jogo do Euro 2008. Muito aberto e sobretudo com jogadores muito evoluídos tecnicamente. A vitória sorriu à juventude contra a equipa da experiência. Os lances de perigo caíam para um lado e para o outro a grande ritmo. Van der Vaart, Sneijder, Pirlo criaram um jogo perfeito. Mas mais perfeito para a Holanda que chega ao golo (26 ça min) num fora-de-jogo claro de 2 metros. Cinco minutos depois van Bronckhorst corta a bola na linha e avança para o contra-ataque que termina no 2-0. Assim… sem espinhas. Aos 42 min um passe de outro mundo de van der Vart só não fica para a história como uma assistência porque Buffon faz o impossível. Após o intervalo a Itália entra em força e com ritmo mas não consegue chegar com perigo claro. Uma expulsão de Materazzi perdoada logo aos 48 minutos. Aos 53 minutos há uma alteração táctica da Itália para compensar a modificação da Holanda que passara de pressão alta individual para uma defesa à zona. Mais do que isso foi a entrada de Del Piero que levou a uma redução dos espaços entre as linhas do meio campo e ataque e o abandono do meio campo à Milan com jogadores de características muito semelhantes. Entre os 75 e 80 os lances de perigo para a Itália seguiram-se e parecia claro que o golo ia surgir… e surgiu o 3-0 para a Holanda num lance de ataque muito bem conduzido e que contou ainda com outra defesa impossível de Buffon. Conclusão: Vitória justíssima da Holanda que embora privada de alguns grandes jogadores venceu este excelente jogo. E parece que temos o 3º grande candidato ao Europeu.

Poesia de Junho IX

ألا أيها الظالم المستبد
حبيب الظلام عدو الحياه
سخرت بأنات شعب ضعيف
و كفك مخضوبة من دماه
و سرت تشوه سحر الوجود
و تبذر شوك الاسى في رباه

رويدك لا يخدعك الربيع
و صحو الفضاء و ضوء الصباح
ففي الافق الرحب هول الظلام و قصف الرعود و عصف الرياح
حذار فتحت الرماد اللهيب
و من يبذر الشوك يجن الجراح

تأمل هنالك انى حصدت رؤوس الورى و زهور الأمل
و رويت بالدم قلب التراب اشربته الدمع حتى ثمل
سيجرفك سيل الدماء
و يأكلك العاصف المشتعل


Ô tyran oppresseur...

Ami de la nuit, ennemi de la vie...
Tu t'es moqué d'un peuple impuissant
Ta main est teinte de son sang
Tu abîmes la magie de l'univers
Et tu sèmes les épines du malheur dans ses éminences

Doucement ! Que ne te trompent pas le printemps,
La clarté de l'air et la lumière du jour
Dans l'horizon vaste, il y a l'horreur de la nuit
Le grondement du tonnerre et les rafales du vent
Attention ! Sous la cendre, il y a des flammes

Celui qui plante les épines récolte les blessures
Regarde là-bas où tu as moissonné
Les fleurs de l'espoir
Le torrent du sang va t'arracher
Et l'orage brûlant va te dévorer.


Abo Al Qassim Al Shabbi (1909-1934)

o Euro por cá

Grupo B

Áustria – Croácia 0-1

A Áustria apresentou-se como se previa com um futebol muito físico sobretudo em comparação com o croata. Prova disso uma expulsão, por agressão, que ficou em claro aos 28 minutos. O conhecido Linz e Ivanschitz foram na primeira metade os mais esclarecidos num futebol claramente directo. Do outro lado a Croácia procurava trocar a bola e o penalty logo nos primeiros minutos ajudou o esquema montado pelo seu treinador. Os últimos 5 minutos da primeira parte mostraram mais Áustria, com o avolumar de jogadas sucessivas do seu capitão, enquanto a Croácia só reagia por Olic.
No segundo tempo a equipa da casa fez um jogo mais apoiado e os lances de perigo sucederam-se. Destaque negativo para o facto de a partir dos 65 minutos grande parte dos jogadores croatas estarem arrasados fisicamente. Até ao final, no entanto, não houve alterações no marcador e tal como no outro jogo dos organizadores fica uma pequena ideia de injustiça.

Alemanha – Polónia 2-0
A Alemanha é uma das favoritas à vitória final, e em campo mostrou desde o primeiro minuto esse estatuto. A Polónia vinda de uma fase de qualificação bastante positiva denotou algumas dificuldades em controlar os jogadores alemães mais avançados e o seu meio campo pressionante. Destaque especial para o facto de a Polónia ter tido sempre uma postura ofensiva o que tornou um jogo aberto com oportunidades de parte a parte. Podolski, tal como no último mundial, mostrou que é um dos melhores avançados do mundo e os dois golos neste jogo serão certamente apenas os primeiros de vários neste europeu. Um aspecto apenas a realçar na vitória justíssima dos alemães é que os dois golos resultaram de lances de contra-ataque e uma equipa campeã tem que ser também capaz de marcar golos em lances de ataque continuado.

domingo, junho 08, 2008

Poesia de Junho VIII

1996. obično jutro

starci uprežu
konje nedvojbeno
dolazi proljeće osjetim
to dok čitam
Emily Dickinson i slušam
Iron Maiden (što povezuje
Emily i Maidene pita me
Brane prezime Dickinson
mogao bih odgovoriti ali
zapravo sve
ovo u pjesmi povezujem
ja) i zato
kad zovnu isključujem
muziku zatvaram
knjigu izlazim iz
zagrade pa pijemo
kavu i rakiju pljunemo
u ruke uzmemo
vile i tovarimo
gnoj s kojega se
kao s usopljenih
životinja kao iz naših usta
putanjama vijugavih
matematičkih formula magla
proteže širom
oranica

1996. just another morning

old men harness horses
spring is coming
that’s certain I feel it
while I’m reading
Emily Dickinson and listening to
Iron Maiden (what do
Emily and Maiden have in common Brane
asks family name Dickinson
could be my answer but
actually everything
in this poem is just as
I say) so
when they called me I turned down
the music put aside
the book and climbed out of
the parentheses and then we drink
coffee and brandy spit
in our hands take up
the pitchforks and load
manure from which
like from sweaty
animals like from our mouths
in meandering paths of
mathematical formulas the mist
spreads down
the fields

Slađan Lipovec (1972-)