quinta-feira, fevereiro 21, 2008

segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Ai...Timor...

Presidente de Timor-Leste em estado crítico
José Ramos-Horta encontra-se em Darwin e vai ser operado de novo

O estado de saúde do Presidente de Timor-Leste é “extremamente grave”, segundo disse o director do hospital de Darwin, na Austrália, onde José Ramos-Horta está em coma induzido para ser sujeito a nova cirurgia.

Questionado pela jornalista da TSF sobre se Ramos-Horta corre risco de vida, aquele responsável clínico disse: “Espero que possamos resolver a situação”. Manifestou-se esperançado numa recuperação total mas não deu certezas.

O major Alfredo Reinado foi morto no ataque à residência do Ramos-Horta, que foi atingido quando estava a fazer “jogging” no exterior.

Pouco depois houve ataque, liderado por Gastão Salsinha, ao comboio de segurança do primeiro-ministro, Xanana Gusmão, nos arredores de Díli, segundo declarações de José Luís Guterres à TSF. Xanana não sofreu qualquer ferimento. Guterres, que é vice-primeiro-ministro, adiantou que houve cerca de 25 pessoas envolvidas nos dois ataques.

Os australianos, alegadamente a pedido de Xanana Gusmão, decidiram reforçar presença militar em Timor-Leste.

Vice-presidente do Parlamento assumiu chefia do Estado

O presidente do Parlamento Nacional timorense, que se encontra em Lisboa, vai regressar imediatamente a Timor, não realizando a visita oficial a Portugal que se deveria iniciar hoje. O vice-presidente do Parlamento assumiu interinamente a presidência da República.

Foi a GNR que levou Ramos-Horta de casa, onde esteve quase meia hora a sangrar, para o hospital de campanha militar australiano em Díli, onde foi submetido a uma primeira intervenção cirúrgica, na zona do heliporto. Há acusações à lentidão da reacção da polícia das Nações Unidas.

O ex-primeiro-ministro Mari Alkatiri fala de motivações motivações políticas e realça ter-se tratado de um atentado às duas principais figuras do estado (o Presidente e o primeiro-ministro) quando a terceira (o presidente do Parlamento) estava fora do país.

O major Reinado liderava uma facção de militares rebeldes que viviam a monte e estava acusado de vários crimes cometidos durante a revolta contra o Governo timorense, em Abril de 2006, na origem da morte de 37 pessoas e de mais de 1500 deslocados. Gastão Salsinha foi outro dos líderes dessa revolta.

in PÚBLICO, 11 fev 08

cumplicidades...

domingo, fevereiro 10, 2008

Untitled

O que faço aqui?
Como terei chegado a este estado?
Estranho, tudo isto. Parece que os lugares em volta são familiares. Mas talvez não o sejam. No fundo tudo é semelhante, parecido, similar e, no entanto, nunca o é.
Estou sobre um velho banco que range queixando-se das nossas dores e mesmo a mesa que imóvel fica ali a um canto encostada às cortinas de flores murchas sorri resignada com o passar do tempo.
A sala está quente, abafada, asfixiante. Mas não transpiro. Não devo estar aqui há muito tempo. Acho.
Olho em volta como que procurando tornar meu hábito o que olho em volta.
Olho em volta e vejo tudo desarrumado como nos dias em que saio a correr com algo para urgente para fazer. Mas tenho a certeza que esta não é a minha desarrumação. A minha segue uma pura organização de abandono controlado. Como se eu dominasse um novo caos do Universo. Porque todos os espaços são o meu espaço universal em cada manhã.
Olho em volta e já começa a parecer o meu espaço. Já olhei duas e três vezes e posso já garantir que se fosse eu deixaria aqueles livros russos a um canto. Ao canto direito. Só esse faria sentido. Pudera, era o meu espaço.
O calor aumentara. Se calhar deixara o aquecimento ligado. É frequente. Acho. Se calhar já não tenho radiador, porque quando mudei de casa deixei muita coisa pelo caminho. Mas está mesmo calor. Acho. Pelo menos já tenho umas gotas de suor na camisa azul.
Curioso. Não me lembro desta camisa. Tinha uma com riscas, lembro-me bem. Mas não uma azul. Ou se calhar é mais velha e já não me lembro. Acontece muitas vezes. A toda a gente.
Agora já reconheço perfeitamente a sala. É muito simpática. Gostava que fosse a minha sala. Mas acho mesmo que não é. É pena.
Mas também não faria sentido prender-me com cordas a uma velha cadeira na minha própria sala enquanto o calor aumenta e não tenho forma de abrir o terceiro botão da camisa que tenho a certeza que não é minha.

sexta-feira, fevereiro 08, 2008

cops & maddie





Bandeira, 05 fev 08

6 meses depois...

6 meses depois temos dados concretos de que a despenalizaçao da IVG era mesmo a melhor soluçao... uma vitoria sobretudo das mulheres portuguesas!

Nos primeiros seis meses depois da despenalização da Interrupção Voluntária da Gravidez (IVG), apenas 6000 mulheres abortaram a seu pedido, o que constitui pouco mais de metade do previsto, avançou hoje fonte oficial. Os dados dizem respeito a interrupções realizadas até ao fim de Dezembro passado.

Antes da realização do referendo que despenalizou o aborto, as autoridades de Saúde, com base na realidade de outros países europeus, calculavam que viessem a realizar-se 20 mil abortos legais por ano. A extrapolação do valor do primeiro semestre - menos 15 dias, já que a lei vigora desde 15 de Julho de 2007 - para um ano indica valores pouco superiores a 12 mil IVG, o que corresponde a cerca de 60 por cento do perspectivado.

O valor total (6099) corresponde a 97 por cento das interrupções de gravidez realizadas em hospitais públicos e privados, precisou o presidente da Comissão Nacional de Saúde Materna e Neonatal, Jorge Branco. Os restantes três por cento (quase 190 casos) referem-se a situações clínicas ou impostas por outros motivos.

Jorge Branco congratula-se com estes valores, aquém do previsto, e acentua ainda o "grande predomínio" da interrupção da gravidez com recurso a medicamentos em vez da opção pela cirurgia. O especialista, que também é director da Maternidade Alfredo da Costa, em Lisboa, considera esse factor bastante positivo, por o recurso aos medicamentos ser "menos agressivo e menos traumático" para a mulher.

Aplicação da lei decorre sem percalços

Acerca da entrada em vigor da legislação criada depois do "sim" ter vencido o referendo ao aborto, aquele médico disse que "está a decorre sem percalços", tanto nas instituições de Saúde públicas como nas três privadas que estão autorizadas a fazê-lo.

Outro facto que realça é os 30 abortos realizados a menores de 15 anos - apenas 0,5 por cento do total, enquanto, por idades, a maior concentração ocorre no grupo de mulheres entre os 20 e os 34 anos: 4124 IVG (65,8 por cento do total). Em mulheres com mais de 40 anos, os registos oficiais indicam 503 casos (oito por cento).

Por regiões, em Lisboa e Vale do Tejo realizaram-se mais de metade dos abortos (3547), seguida da região Norte (1173), Centro (382), Algarve (351) e Alentejo (147).

Acresce ainda que dois terços do total de IVG foram realizados em instituições de Saúde públicas e os restantes em estabelecimentos privados, ainda segundo dados oficiais.

in Publico, 08 fev 08

Para Além do Desespero

Para além do desespero...
Apenas a criança
Numa paisagem de nada

A sua boca não ri
(Nunca soube
que uma boca de criança
foi feita para rir)

Os seus olhos não choram
(Não há lágrimas para além do desespero)

Os seus pés
não correm atrás de borboletas
e as suas mãos
não abrem covas na areia
(Não há borboletas nem areia
numa paisagem de nada).

Para além do desespero...
Também minha revolta
com cadeados nos pulsos.

Ovídio Martins (1928-)

pela boca de outros...

Há quem queira colocar Blair como futuro presidente do Conselho Europeu, cargo previsto na nova arquitectura institucional da UE resultante do Tratado de Lisboa.
Sou contra. Não por causa do suposto "neoliberalismo ideológico" do ex-primeiro-ministro trabalhista britânico (de que não o acuso), mas sim porque entendo que só deve ocupar tal lugar um "full European", que compartilhe convictamente do projecto europeu na sua globalidade, e não um político que reduz a UE ao "mercado interno", que falhou a entrada da Grã-Bretanha no euro, que reiterou o "opting out" desse país das políticas sociais da UE, da política de justiça e de segurança interna e, "last but not the least", da Carta de Direitos Fundamentais da UE.
Entre um "semi-europeu" de esquerda como Blair e um político de direita inteiramente europeu, como por exemplo o luxemburguês J-C. Juncker, prefiro de longe o segundo.

Vital Moreira in Causa Nossa

terça-feira, fevereiro 05, 2008

errata

... parece que havia alguns erros, devidamente identificados por elementos do brian's gang, no diario de bordo em relaçao ao ultimo sabado 2 de Fevereiro... aqui fica a correcçao do plano de festas por entreposta pessoa...

segunda-feira, fevereiro 04, 2008

"il n 'y a pas encore de ghettos"

Rappelons tout d'abord que les quartiers étiquetés "zones urbaines sensibles" (ZUS) reagrupent 4,46 millions d'habittants. Si ghettos il y avait, ils enfermeraint le dixième de la population urbaine résidente en France. La terminologie du ghetto commence par amalgamer les situations et des populations extrement hétérogèenes, alors que le principal défi, pour une analyse des banlieues, est de rendre compte de cette double hétérogénéité. L'image du ghetto importée des états-unis, qualifie des zones ethniquement homogèenes, abandonnées à elles-memes et vivant en quasi-autarcie.

(...)

Pas plus que la banlieue n'est un "ghetto", le jeune de banlieu n'est un "exclu", si du moins on donne à la notion d'exclusion - ce qui n'est pas souvent le cas à tranvers l'inflaction actuelle de ses usages - le sens un peu précis d'une coupure franche instaurée entre deux catégories de la population.

(...)

Ainsi le problème qu'affrontent ces jeunes n'est pas d'etre "en dehors" de la société ni quant à l'espace qu'ils occupent (la cité n'est pas un ghetto), ni quant au statut qui est leur (beaucoup d'entre eux sont de citoyens et non des étrangers). Mais il ne sont pas non plus "dedans" puisqu'ils n'y occupent aucune place reconnue et beaucoup d'entre eux ne paraissent pas susceptibles de pouvoir s'en ménager une.


CASTEL, Robert, La discrimination négative, Seuil, Paris, 2007

orange break

Diário de bordo (continuação)

18 I
Aulas em Corbeil. Café curto no Marais. Jantar na Goretti. Cedo dormir…
19 I
Acordar cedo e levar o Kevin à Paris (dia obrigatório de conhecer a tropa francesa). Depois passeio pelas ruas de Paris e ver os saldos (momento fútil). À noite jantar nos árabes (e já sabemos nomes: Aziz, Hassan, Malek) … e depois copos num pequeno bar em Chatelet com a Linda, Ramziz e Hykel. Surreal… A Linda estava interessadíssima no Hykel (será assim q se escreve?) mas ele apesar de lhe achar piada ficava possesso quando ela se punha a falar altíssimo sobre religião num bar que segundo consta “não é lugar para se falar disso”… priceless.
20 I
Descanso e descanso.
21 I
Aulas em Corbeil e descanso.
22 I
Brunoy e café em Paris.
23 I
Corbeil e cafezito por Paris.
24 I
Não houve Brunoy, mas houve sr. do gás. Depois compras do mês no Cora. Fiquei com um belo frigorífico e prateleira…. Tantos doces e coisas boas.
25 I
Aulas Corbeil. Regresso a casa para limpeza completa da casa. Quase 3 horas de intensa ménage é obra. Acabei por ficar depois por casa e não ir ter com a malta aos árabes. Ah! Comprei a viagem para Amsterdão para ir ter com a Susie. O Diário de Bordo terá portanto direito a umas passagens em neerlandês.
26 I
Acordar cedo e ter tempo… e ter um enorme sorriso na cara. Como gosto de receber no meu espaço. Tudo a preceito para a malta. Encontrámo-nos no Cora para umas últimas compras (entradas e bebidas). E assim se passou uma boa tarde regada a cerveja, martini, baileys, empanturrada com queijos, enchidos de Mondim, e arroz de marisco. Há fotos e vídeos para os interessados da grande festa da cultura portuguesa em Combs. Terminus no Central Brasil. Filme muito bom, muito mais do que umas luzinhas ao fundo da sala (private).
27 I
Chegada a Paris depois de uma pequena massada apetitosa. Vínhamos um pouco para o morto, num típico ritmo de passeio. E assim passeamos pela Foche, Kleber, etc… é ver nas ruas que estão pintadas a azul no mapa (private). Depois fomos ver o Sporting-Porto enquanto jantávamos ao restaurante português da Kleber. Sim, parece que o Churrasco já era… desapareceu do mapa… nada de grave.
28 I
Almoço num japonês de Vavin. E depois Into the Wild (ver post sobre o filme). Quando cheguei a casa reparei que o cd que o Mário (Pimenta) me enviara de Portugal tinha a OST do filme. Perfeito!
29 I
Aulas em Brunoy. Café no Chaise au Plafond no Marais. Passeio na Bastilha com o gang do Brian (private… começa a ser um pouco abusivo, né?... eu explico brevemente a origem do gang do Brian num post). A zona de bares da Bastilha é simpática, sobretudo porque tem bares que ficam abertos até mais tarde que outras zonas. Está no entanto paredes meias com bastante pobreza e isso provoca por vezes momentos constrangedores.
30 I
Corbeil. Aula às 8h30. Confusão às 10h30. Lamentavelmente por causa um erro da minha parte, admito. Aceitei uma mudança de horário de uma aula para esse dia sem avisar a escola…. A adjoint soube e ficou brava. Infelizmente decidiu repreender-me em frente aos alunos o que levou a que um ou dois tentassem depois ganhar alguma margem de manobra e “renegociar” as relações professor-aluno… Fiquei desagradado com toda esta situação e não dei a aula das 14h… segui para Paris. Café na zona dos Champs Elysées com a Dalila. Depois umas cervejas ao pé de um mercado ali da zona que até Cerelac, Sagres, Nestum, Sumol, Casal Garcia, Bom Petisco tem para oferecer. Jantar na Bastilha e cerveja num bar já conhecido.
31 I
Sem aulas em Brunoy, sobra Paris e saldos para umas roupitas catitas. Almoço no japonês para um pouco mais de status com pauzinhos. Café no Chaise au Plafond. Regresso a casa. Descanso.
1 II
Aulas de manhã. Umas quantas queixas do Prof. Pean em relação aos alunos… uma semana negra esta… Depois Paris. A Barbara, amiga do Mário vem cá em trabalho da Siemens para uma reunião de 3 horas e 3 dias de passeio… Passeamos até ao jantar e depois fomos aos árabes… e ela para um passeio de barco pelo Sena… Siemens rula!
2 II
Babel? Almoço num Kurdo. E depois um agradável passeio pela zona de Place Monge e Censier. Paragem para uma cerveja belga num bar francês. Jantar nos árabes (argelinos) do costume a beber uma cerveja alemã enquanto se conversa com um grupo de brasileiros, e outro de suiças, francesas e alemãs… e claro com o Hykel (acho mesmo que não é assim que se escreve o nome deste rapaz tunisino) e com um amigo holandês. E assim se fica até de manhã a falar sobre o Islão e a crença em religião ou no ateísmo… sem fundamentalismos ou arrogâncias culturais. Assim se funda uma nova Babel?
3 II
Domingo depois de uma noitada destas seria mesmo dia de descanso… Mas havia concerto de Cristina Branco cá em Combs e fui com o Richard. Apesar de não ser de todo exemplo do novo fado a verdade é que ela canta um reportório bastante interessante. Indo dos clássicos de Amália a O’Neill, passando por Manuel Alegre e Zeca, usando registos próximos do fado convencional mas também com influências de jazz, que é alias a sua formação de base… parece ter tudo para se consagrar como uma forte representante do fado. As últimas criticas em Portugal vão nesse sentido e noutros países, como na Holanda, é já um nome de referência. Como pessoa demonstrou durante a actuação em palco ser uma pessoa muito querida e genuína. Depois como a mulher do Richard é da editora Universal fomos ter com a Cristina aos bastidores e realmente é uma rapariga muito afável e disponível sobretudo para todos os fãs portugueses que a incomodaram tantas vezes. Foi realmente um concerto muito agradável e um fim de semana bem happy.

dormências...

Sabes, é que a… a dormência parecia total.
Tornara-se perene, permanente, incessante e ininterrupta. Era já uma parte de mim, era já o nado-vivo indesejado. E parecia asfixiar-me em cada lufada de ar.
E eu que sem saber de onde ela viera, que rua tomara essa manhã, que caminhos trilhara, que passos dera ela até se alojar no meu corpo moribundo, fazia apenas contas ao mapa que estava de pernas p’ro ar.
E relembro cada segundo. Passado. E retomo a cada momento a angústia de não me sentir como antes. Sou um desconforto. Completo.
E a chuva que continua a cair.
Cada vez mais forte.
E o vento que já rasga os toldos das lojas.
As protecções.
As roupas.
E o frio. Que magoa quem não traz um xaile de mão…
Já nem o sinto.
Está dormente.
Preciso de um vocativo. Alguém para clamar, a quem reclamar, uma pessoa p’ra me declamar. Preciso de acusações, acusados e júris fingidos. Preciso das respostas destas mesmas dormências…
E por isso ontem deitei-me cedo. E por isso encharquei-me em medicamentos…
Enganei-me nas contas. Faltaram uns quantos. Nem dormente fiquei, como me prometiam. É que há sempre contra-indicações! Mas não para mim. Agora que sou o dormente não sinto a diferença. Já nem o sei definir.
Tenho agora uma pedra na mão. Sinto-a. Imóvel. E sinto-a às vagas. Aos tremores de quem se esquece que ainda cá está.
E continuo cada vez mais dormente. E acho que o ar desta vez já não passa na garganta. Sufocada pelas gravatas que vocês me foram vestindo em cada manhã de trabalho.
O nó está feito. Nos conformes. Sinto-o a ir e vir. Dormente. Abro a boca, as palavras não saem, é tudo seco. A dormência aumenta. Passou de estado latente a estado final.
E agora ao grande final.
Acho que desta vez não me enganei nas contas.
Podes baixar o pano, tento murmurar-te.