sexta-feira, novembro 30, 2007

Trocas comerciais vistas pela China

L'Europe face à Pékin

Six ans après son adhésion à l'Organisation mondiale du commerce (OMC), la Chine s'est imposée comme l'empire du Milieu de l'économie mondiale. Le pétrole et les matières premières augmentent ? C'est de sa faute. La crise de la finance américaine a peu de répercussions sur le reste du monde ? C'est grâce à elle. La Chine est devenue le premier exportateur de produits manufacturés vers les Etats-Unis, devant l'Allemagne.


Pourtant la Chine reste, à bien des égards, un pays protectionniste. Pour y vendre des Airbus, EADS n'a pas eu d'autre choix que de construire une usine sur place. Dans les services, banquiers et assureurs ont les plus grandes difficultés à s'y établir. Lors de sa dernière université d'été, le Medef a consacré une partie de ses travaux à se demander si "la Chine joue le jeu" ? En déplacement à Pékin mercredi 28 novembre, José Barroso, président de la Commission européenne, donne la réponse : premier fournisseur de l'Union européenne, la Chine lui achète moins que... la Suisse.

Para reflectir...

Le Monde, 30 XI 2007

quarta-feira, novembro 28, 2007

Mitos portugueses

Os mitos da economia portuguesa são:

1 – O mito das receitas mágicas

2 - O mito dos brancos costumes

3 - O mito da maior crise da história

4 - O mito dos salários baixos

5 - O mito do euro

6 - O mito da produtividade

7 - O mito da paixão educativa

8 - O mito das universidades

9 - O mito da Europa

10 - O mito do perigo espanhol

11 - O mito dos imigrantes

12 - O mito do país pobre

13 - O mito do “Mezzogiorno” português

14 - O mito da Califórnia da Europa

15 - O mito da independência madeirense

16 - O mito do país sem futuro

in Publico 28 XI 07

terça-feira, novembro 20, 2007

Fronteiras

Daqui para fora
há um cadáver de intervalo.
Uma distância
De uns ossos,
carne,
sangue,
tripas e fibras,
e um olhar
de alma
por descobrir.
Há um esqueleto por montar
da criança que brinca
lá fora
a descoberto.
Que cá dentro,
está o frio de lá fora,
está a angústia
por agradar,
e está a redescoberta
por conhecer.
O meu nome
guardei
num cofre
daqueles de sete chaves.
Que não abrem mais.
As chaves
que a porteira
mandou
fora
com
o
lixo
que me torno.
Assim,
guardado dentro de mim.
Assim!
Ai, de mim!

segunda-feira, novembro 19, 2007

Um Dia Mau

Até acordei bem… levantei-me logo sem problemas de mais para quem só tinha dormido cinco horas. Banho. Vestir e pequeno-almoço. Rua. Chove! Aquela chuva desagradável que molha todos, até os parvos. O bus veio atrasado… para podermos apreciar a chuva. O comboio veio a horas. Mas tão, mas tão cheio… cheio de franceses que acham que não se toma banho antes das 7 horas. Chego a Brunoy num estado-misto de cheiros intensos e de goteiras sádicas. Aula com o Terminal de science… correu bem… não havia muito para correr mal. Um dos muitos furos do meu horário… e outra aula com a outra metade do Terminal. Idem. Depois seguir para a estação para as aulas de Corbeil à tarde. A aula terminou às 11h30… cheguei à estação às 11h40… o primeiro comboio era às 13h20!!! Li um pouco no café para fazer tempo e depois fui almoçar ao grego-turco… barato e não muito mau… até que um senhor ao meu lado lembrou-se de deixar cair um pouco de maionese sobre a minha roupa… Suspirei… Lá apanhei o comboio até Villeneuve onde faria a transferência de linha para Corbeil… só faltavam 37 minutos… já nem me parecia muito. Já tinha perdido a primeira aula da tarde de qualquer forma. Quando cheguei a Corbeil às 14h45… só tinha que esperar pelo bus das 15h20… bebi uma cerveja no bar da gare e lá esperei… Cheguei à escola às 15h 35! Tinha passado quatro horas e cinco minutos. Pela primeira vez senti mesmo a greve! E não gostei mesmo. Nem eu, nem muita gente que ouvi. Os sindicalistas não percebem que fazer uma greve durante mais do que uma semana está a faze-los perder todo o apoio popular que ainda tinham… e assim mais tarde ou mais cedo a corda quebrará… do lado deles. Duas aulas… e regresso a casa… um pouco mais rápido… 1h45. No caminho a chuva acompanhou-me e o meu casaco comprado em França decidiu dar uma ajuda e o fecho rebentou… Perfeito. Acho que poucas vezes senti que tanta coisa tinha corrido mal no espaço de 13 horas… será do número?

quarta-feira, novembro 14, 2007

Jean Cocteau

Beauty is always the result of an accident. Of a violent lapse between acquired habits and those yet to be acquired. It baffles and disgusts. It may even horrify. Once the new habit has been acquired, the accident ceases to be an accident. It becomes classical and loses its shock value. A work, therefore, is never perceived. It is received. If I am not mistaken, this was a remark made by Eugene Delacroix: "One is never perceived, one is received." It is a maxim frequently repeated by Matisse. Those who actually saw the accident hasten away, overwhelmed, unable to describe it. Those who did not see it are left to bear witness. This opportunity to make themselves seem important pro-vides the medium through which they express their stupidity The accident remains in the road, bloodied, petrified, awful in its solitude, a prey to gossip and police reports.

Poetry is a religion without hope. The poet exhausts himself in its service, knowing that, in the long run, a masterpiece is nothing but the perform-ance of a trained dog on very shaky ground.

Poetry is an ethic. By ethic I mean a secret code of behavior, a discipline constructed and conducted according to the capabilities of a man who rejects the falsifications of the categorical imperative.

ps: após ver o Jules e Jim do Truffaut fui procurar alguns dos seus amigos... obviamente a ideia era encontrar alguns excertos em francês... não consegui...

à volta do teatro

Fischer-Lichte, Erika, The show and gaze of theatre: European perspective, Iowa, University of Iowa Press, 1997. (pp. 290 a 336)
Nome e corpo são fundamentos e características basilares enquanto indivíduo no Mundo. Através do nome é feita uma relação simbólica entre a cultura vigente e na qual o individuo se insere e o seu próprio físico. É um reflexo na criação da sua especificidade mas também da sua globalidade.
Quando se fala de pratica teatral estes dois aspectos tomam forma de indicações do personagem, e não de indicadores e definidores do mesmo.
O corpo terá na criação do personagem um papel vital, sendo através deste que reflecte toda a narrativa e drama, bem como aspectos dos gestus social, ou da (in) temporalidade presente.
As teses sobre o sentido da obra têm divergido significativamente, sobretudo em termos pragmáticos, sintácticos, e semânticos. E pode-se inclusive relacionar essas divergências com as diferentes correntes, visões, e percepções da Arte: o seu conceito mimético; expressivo; estético e retórico; e catártico.
Y. Lotman e J. Kristeva procuraram reagrupar os diferentes conceitos sob uma tese unificadora, na qual a arte seria um sistema modelar secundário da realidade, e com base na linguagem do autor (…). Também Mukarovsky aproximou-se desse objectivo, embora tenha diferido na ponderação e valorização destes conceitos na criação artística, sobretudo no período pós-moderno.
Atendendo a esta sequência é possível compreender-se que na escrita teatral se verifique que quanto maior o texto secundário (didascálias, etc) menor a liberdade do actor, e a respectiva tensão com a oralidade, visto esta se perder nas diversas pistas e dicas do texto. O diálogo dramático deverá resultar, portanto, do difícil balanço entre a função para-pragmática, para-semântica, e para-sintáctica.

terça-feira, novembro 13, 2007

DIFICULDADE DE GOVERNAR

Hoje chego ao 100º post do ano... é um número redondo... faz sentido torna-lo especial com um poema que considero muito especial e marcante.


DIFICULDADE DE GOVERNAR

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
como é difícil governar. Sem os ministros
o trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
ele nasceria por certo fora do lugar.

2

É também difícil, ao que nos é dito,
dirigir uma fábrica. Sem o patrão
as paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
ele nunca chegaria ao campo sem
as palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
de outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil
não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
e se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
É só porque toda a gente é tão estúpida
que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que
governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
são coisas que custam a aprender?


Bertolt Brecht, Poemas, colecção Forma, Vila da Feira, 1976
(Trad. Arnaldo Saraiva)

ESPECIAL – 40 dias depois

- Há filas em todo o lado. O sistema de senhas deve ser para o terceiro-mundo. Por via das dúvidas há mesmo filas em todo o lado. E mais algumas coisas ainda.
- Há burocracia em todo o lado. Mas tudo ao computador.
- Há ZEP (zonas de educação reforçada). Mas há liberdade pedagógica quase total para os professores. Mesmo que isso signifique relações cortadas entre eles à cause de la politique, ou que os alunos sejam apenas uns macacos.
- Há falhas técnicas, razões de segurança, e esperas de uma hora nos comboios (com avisos apenas 15 minutos depois). Há mudanças de linha, de destino, supressões e atrasos constantes. Mas há uma total apatia das pessoas perante os atrasos. Dizem que é compreensão…
- Há todavia um verdadeiro conceito de transporte público.
- Há Internet e TV digital barata. Mas não há rede de telemóvel nem Internet móvel em muitos sítios.
- Há esplanadas em todo o lado. Mesmo quando chove ou faz frio. Muito frio.
- Há mil e um menus para as refeições. E há uma impossibilidade de comer fora regularmente. Não há tascas!
- Há cerveja e água cara. Mas há imensa escolha.
- Há café caro. Mas um balde.
- Há autores estrangeiros (Kafka, Torga, Steinbeck, Miller) no programa de francês. Mas estão todos na prateleira.
- Há liberdade individual. Cada qual como quer… sauf la religion… Mas porque há sobretudo indiferença em cada um.
Paris, 10 Novembro 2007

Diário de bordo (continuação)

1 XI
A Ana já arranjou um estúdio em Paris. Aviso: é mesmo difícil encontrar algo barato e minimamente interessante cá… ela também não o conseguiu. Verdade que o facto de termos chegado quando as universidades já começaram não ajudou. Mas ao menos está num sítio relativamente central (10º). Ajudei no que pude na mudança.
2 XI
Por Combs-la-Ville… a fazer nenhum até quase à hora do jogo do Porto. Jantei uma salada em casa da Goretti, e fui ver o Porto empatar com os Belenenses. Ah! Em casa dos tripeiros que só dizem asneiras… E eu ali com o meu ar de que também achava indecente o empate… e sem poder comentar o fora de jogo claríssimo do Postiga.
3 XI
Fui ao Conforama com a Goretti, e conheci o grande centro comercial da região. Espectáculo… Estranhamente como Sábado que era o centro comercial estava à pinha… Depois segui para Paris… passear um pouco até ao jogo do Benfica. Foi a desgraça! O Márcio embezanou-me todo. Uma desgraça! Não me lembro de metade da noite. Só sei que o pessoal do Churrasco é só amigos… Nada que se compare com o Vai Tu… calma.
4 XI
Hang-over. Ah! E depois jogo do Sporting no Churrasco… tinha combinado com o pessoal… não podia falhar. Só isso.
5 XI
Visita a mais umas quantas alas do Louvre (sim, sim, a Gioconda também) com o Mário e com a Ana.
6 XI
Museu da Cidade de Paris, no Marais, com o Mário. Cerveja nos amigos gays, e depois Benfica… imaginem onde…
7 XI
Levei a Goretti a Paris. Melhor dizendo até casa da Ana para ela fazer a limpeza. Cortei o cabelo pela módica quantia de 7 euros! Aqui é um achado. Pudera… deve ter sido num sítio que possivelmente é centro de recrutamento para algumas actividades de origem duvidosa, quiçá pecaminosas. À tarde, como bom professor que sou preparei as minhas aulas até ao Natal.
8 XI
Recomeço das aulas! No entanto, fui só às escolas mostrar o meu plano de aulas aos professores. Demonstraram receptividade e concordaram de maneira geral. Ah! O dia fica ainda marcado pelo meu 2º aniversário com a Susana… a dois mil e tal quilómetros de distância.
9 XI
Primeiras aulas a sério em Corbeil. Os miúdos tiveram muito bem. Mesmo os do 6º (nosso 5º ano) perceberam tudo… o que falei em francês. Agora a sério… é capaz de resultar numa cena gira as nossas aulas. Também quando o stor ajuda… “porque o stor é muito fixe, não é como o prof Pean”.
10 XI
Parti ao início da tarde de Sábado para Paris com o intuito de privar com um jovem, aspirante a poeta, que como qualquer artista que se preze é uma companhia agradável e sempre cheio de bons sentimentos. Dizem que é de ser um sonhador. As conversas correram sempre fluidas, banhadas aqui e ali por um copo de vinho, uma cerveja ou um café expresso. Entre esplanadas, visita a uma festa popular na associação dos metalúrgicos e ida a um bar com oferta de couscous ao som de música latina assim se fez o nosso fim de tarde, inicio de noite. Um jantar com toques de condimentos turcos, mais uns copos, e uma dormida já tarde.
11 XI
Nada de mais a apontar… dia caseiro… muito caseiro.
12 XI
Manhã em Brunoy para ver umas coisas. E depois Corbeil. Mais aulas do stor fixe.
13 XI
Aulas em Brunoy, numa turma só com meninas e menino que falam bem português. Óptimo! Vai dar para fazer muita coisa com fixe… desde inicia-los ao marxismo-leninismo até à dança do ventre… é toda uma panóplia de possibilidades a explorar. Regresso a casa com passagem pelo Cora para as segundas compras do mês… E depois como bom homme de menage que sou estive a limpar a casa. Ah, e a por os e-mails em dia. Amanhã há greve, temo o pior…

segunda-feira, novembro 12, 2007

curtas... em 30 segundos...

- Um canal de tv inglês está a realizar um concurso da mais bela mesquita no Reino Unido... neste programa as mesquitas são abertas e visitadas como no MTV Cribs. A mais bela ganha 100.000 euros para o apoio à integração dos mais jovens na sociedade inglesa.

- La question se pose à present de savoir si l'on peut être à la fois génial et raté. Je crois plutôt que le ratage c'est le talent. Réussir c'est rater. Je veux finalment défendre la thèse: Abel Grace auteur raté de films ratés. - François Truffaut.

- Resposta de um entrevistado no jornal da TF1- A França divide-se em três com a greve: os que aprovam, os que reprovam, e os que se fodem!

domingo, novembro 11, 2007

Demasiado mau para ser verdade...

Teme-se um terrível desastre ecológico... e não parece que haja nada que se possa fazer... por um lado o mau tempo, por outro embarcações velhas e o total desrespeito pelas indicações e avisos sobre o tempo.

Um quinto navio naufragou hoje no estreito de Kerch, que separa a península da Crimeia (Ucrânia) da costa sudeste da Rússia, devido ao forte temporal que assola a região do mar Negro.


A situação que mais preocupa as autoridades diz respeito ao petroleiro russo “Volganeft-139” que se partiu em dois, libertando pelo menos 1300 das quatro mil toneladas de fuelóleo que transportava. Teme-se um desastre ecológico no estreito de Kerch, que separa o mar Negro do pequeno mar de Azov, mas os ventos fortes e ondulação impossibilitam medidas de contenção do derrame.

O último navio a afundar foi o cargueiro russo “Kovel”, devido a uma fenda no casco resultante de uma colisão, ao largo do porto russo de Kavkaz, com o cargueiro “Volnogorsk” que viria a afundar-se pouco depois com 2400 toneladas de enxofre a bordo.

A tripulação do “Kovel”, que também transportava enxofre, foi resgatada a tempo por um rebocador que participa nas operações de socorro na zona, o mesmo tendo sucedido com os ocupantes do “Volganeft” e do “Kavkaz”.

Segundo o Ministério das Situações de Emergência da Rússia, foram resgatados ao todo 34 pessoas que seguiam a bordo de quatro embarcações em perigo, incluindo dois tripulantes do cargueiro georgiano “Hadj Ismail”, que naufragou ao largo de Sevastopol, na costa sul da Crimeia, com 5600 toneladas de ferro a bordo.

Desconhece-se, no entanto, a sorte dos restantes 15 tripulantes do cargueiro e dos oito ocupantes do navio turco “Nakhitchevan” que naufragou ao início da tarde a sul do estreito.

Treze navios e mais de 150 pessoas, tanto da Rússia, Ucrânia, como da Geórgia e da Turquia, participam nas operações de busca e salvamento, apesar da continuação do mau tempo.

As autoridades russas abriram um inquérito por poluição marítima e pretendem apurar se os armadores e os responsáveis dos portos da região ignoraram o aviso de tempestade emitido pelas autoridades.

in o Público, 11 Novembro 2007

sábado, novembro 10, 2007

AS DIFERENTES FORMAS DE OLHAR O VÉU ISLÂMICO NA EUROPA

Na cidade italiana de Treviso, uma rapariga foi autorizada a usar a burqa no colégio por motivos religiosos desde que aceitasse comprovar a sua identidade. No município belga de Maaseik, uma imigrante marroquina foi multada em 75 euros por usar burqa. A Espanha decidiu que não iria regular o uso do hijab nas escolas públicas. E a França proibiu-o nos estabelecimentos de ensino em nome da sua querida laicidade. Autorizações e proibições reflectem as diferentes visões e leis que existem nos países europeus sobre o uso do véu islâmico, nas suas várias formas, hijab, niqab ou burqa. A discussão do tema é recorrente, não há mês sem notícia, estando associada a uma reflexão sobre o islão na Europa e a tradição secular das suas sociedades.

Os que apoiam a proibição total do véu recorrem, essencialmente, a quatro argumentos. O primeiro é o de que o véu (especialmente a burqa e o niqab) reflecte uma recusa por parte dos muçulmanos em integrarem-se numa sociedade abrangente. O ex-líder do Governo britânico Tony Blair chamou-lhe, em 2006, uma "marca de separação". O segundo é que esse vestuário é uma prova de opressão das muçulmanas e o terceiro é que a exibição de símbolos religiosos constitui uma afronta às sociedades seculares. O último é o de que o véu, em certos casos, como o dos professores ou advogados, pode ter como efeito a intimidação de alunos ou de jurados e juízes.

Alguns destes argumentos são mais fortes do que os outros, mas, dizem analistas, arriscam enviar uma mensagem de discriminação que pode ter o efeito contrário. No ano passado, o Governo e o Parlamento da Holanda estavam dispostos a fazer deste o primeiro país europeu a banir por completo o uso da burqa em espaços públicos. Houve entretanto eleições e a nova ministra da Integração, Ella Vogelaar, indicou um recuo. Aliás, disse a uma rádio, apenas 150 mulheres na Holanda usam este tipo de véu. A sociedade holandesa era considerada como uma das mais tolerantes da Europa. Até que um marroquino matou Theo van Gogh, em 2004, por um filme seu em que uma mulher surgia nua, por baixo de uma burqa, denunciando maus tratos às muçulmanas.

No Reino Unido, onde atentados terroristas colocaram os muçulmanos sob suspeita, a polémica estalou no ano passado quando o ex-ministro dos Negócios Estrangeiros do país, Jack Straw, criticou o uso do véu e explicou-se dizendo que o niqab cria barreiras entre as pessoas e impede que a comunicação funcione nos dois sentidos. Neste país de tradição anglo- -saxónica não existem proibições sobre o uso do véu. Mas as escolas estão autorizadas a estabelecer o seu próprio código de vestuário. No caso de Portugal também não há proibições oficiais, é frequente ver mulheres de hijab e niqab, havendo mesmo uma escola, em Palmela, própria para receber alunas muçulmanas.

Apesar de tudo, foi a lei sobre a liberdade religiosa em França que lançou o debate, ao proibir todos os símbolos religiosos "ostensivos" nas escolas. A medida recebeu grande apoio político e por parte da opinião pública num país onde a separação entre a religião e o Estado é um dos princípios mais sagrados inscritos na lei. Mas enfrentou as críticas da comunidade muçulmana, a maior da Europa, provocando mesmo protestos de rua. Quanto à UE, as únicas declarações oficiais sobre o assunto vieram do vice-presidente da Comissão Europeia, Franco Frattini, que propôs a criação de um "islão europeu", ideia criticada nalguns sectores muçulmanos da Europa. O comissário italiano esclareceu, porém, no final do ano passado, que era contra a proibição da burqa.

Patricia Viegas in DN, 10 Novembro 2007

sexta-feira, novembro 09, 2007

“Assim se faz TV por cá”…

O canal 3 teve na segunda-feira um debate muito interessante sobre La France d’Astérix resiste t’elle toujour?
Um programa bem moderado e com convidados interessantes sobre a temática da mudança dos tempos. A França é o país das revoluções, mas também o de alguns atrasos significativos. Que vantagens poderia haver em uma pequena aldeia Bretanha na ficar cercada pelos romanos? Eles que trouxeram o melhor, também o pior claro, da cultura grega e de modernismo para a época. Que vantagens há em se questionar tanto o Maio de 68 na actualidade? Quando é evidente que foi essencial para a mudança das mentalidades em França, mas também enquanto influência para outros jovens europeus.
Num país de futuro o seu passado marca demasiado no presente…

Que prova maior disso senão o programa de ontem da TF1 sobre França e os Judeus.
Uma recolha e análise da história recente da França e da comunidade judaica, baseada em entrevistas de dirigentes políticos, excertos de noticiários, etc. Partindo do governo de Vichy e do seu apoio à solução final dos nazis, passando pela constante proximidade francesa à causa palestiniana no incontornável conflito israelo-árabe, ou pela forma como o estado francês não soube controlar os ataques a mesquitas e à comunidade judaica em 2000, e terminando com a referência a um programa de 2003 onde um sketch humorístico (o autor esteve mais tarde presente num comício da FN) gozava com a figura de um judeu, é comprovado a forma como as diferentes presidências francesas até Chirac não apoiaram a comunidade israelita.
Mesmo não concordando com algumas das referências feitas, fica a ressalva para um programa muito bom e bastante bem documentado.

Sonho, meu pequeno sonho

Era uma vez a história de um pequeno sonho. Pequeno. Tão pequeno como qualquer outro sonho acabado de nascer.

Aliás, este sonho nem nascera ainda. Era apenas um sonho por sonhar.

Claro que já haviam falado muito dele. Diziam que seria uma coisa perfeita. Doce como o mel, meigo como um bebé, e fofo como uma nuvem. Teria o sorriso da mãe Amizade, e os olhos do pai Paixão. Perfeito!

Havia desenhos, pinturas e murais desde sempre, havia poemas ancestrais e dedicatórias inovadoras, havia até peluches pirosos. E musicas divinas. Sempre o sonho. Diziam até que podia ser Deus na Terra, que ele tomava todas as formas, cores, e cheiros.

E ele, apenas um pequeno sonho, tinha medo.
Ele ainda não vivera nada ainda…

Ainda em pequeno experimentou mil aspectos, cores, formas, sensações, expressões, momentos e lugares. Mas, chegava uma altura e parecia que lhe faltava o oxigénio… e mirrava. E então escondia-se por detrás de pequenos mimos ou carinhos.

Mas, um dia, tal como nas histórias de cavaleiros e princesas, encontrou o seu belo castelo. Nesse castelo forrado a ouro, diamantes, chocolate, doce, morangos, veludo, seda, nuvens, e pintado por uns arco-íris esquecidos sentia-se um monarca absoluto. Sentia que poderia reinar até ao fim dos tempos.

Nesse dia, 8 de Novembro de 2005, o sonho instalou-se sorrateiramente entre duas cadeiras de cinema gastas mas vividas. E no toque de duas mãos desprevenidas escondeu-se. E cresce sob a forma de Amor.
Até hoje… amanhã… e depois…

segunda-feira, novembro 05, 2007

Não-poema

Chorava manhã sim.
Manhã sim.
Ao ritmo da queda das folhas.
Lá de fora.
Da janela entreaberta.
Que não abria.
Apesar de gostar tanto da
vista.
Sorria.
Nos lábios dos outros.
Porque já perdera o sorriso
Algures no ontem.
E só restava um não-sorriso.
Nos não-dias que não-sabia
quando iam acabar.
Rodava na cama,
e procurava um
pretexto
para não-acabar
aqueles momentos.
E a janela…
Que entre-aberta, entre-muros, e entre-cá-e-entre-lá.
Pedia.
Abre.
Vê.
Sente.
Chama.
Que há sorrisos guardados no rio.
Azul.
Como a sua roupa.
Ou no cacilheiro.
Ondulante.
Como a sua figura.
Que dança nas minhas saudades.
Tantas.

sexta-feira, novembro 02, 2007

Abd el Malik

Les autres

Moi, moi quand j'étais petit, j'avais mal
c'était l'état de mon esprit, je suis né malade
sur l'echelle de Richter de la misère, malade ça vaut bien 6
quelques degrés en dessous de là où c'est gradué "fou"

J'étais voleur et avant d'aller voler, je priais
je demandais à Dieu de ne pas me faire attrapper
je lui demandais que la pêche soit bonne
qu'à la fin de la journée, le liquide déborde de mes poches
bien souvent, j'ai failli me noyer, j'ai été à sec aussi, souvent....
quand je croisais papa, le matin, aller travailler avec sa 102 bleue
en rentrant, le matin, de soirée, j'me disais "c'est un bonhomme mon vieux"
ensuite, j'me faufilais dans mes couvertures et j'dormais toute la journée
le style "Vampire" dormir la journée et rôder une fois le soleil couché
le genre de prédateur à l'envers, le genre qui à la vue d'un poulet meurt de peur
je ne me suis jamais fait prendre, et si j'avais été pris, aux keufs, j'aurais dit....

J'étais beau-parleur et je souriais aux filles en jean's avec de grosses ceintures
celles qui aiment bien l'odeur que degagent les gars
qui ont la reputation d'être des ordures
le genre à jurer sur la vie de sa mère dès qu'il ouvre la bouche
rêve de BMW pour asseoir à la place du mort celle qui couche
dans mon monde, un mec comme moi, c'est le top
j'aurais été une fille, on m'aurait traité de sal....
quand je croisais ma soeur avec ses copines dans le quartier
moi, qui allait en soirée, j'lui disais "rentre à la baraque !, va faire à bouffer !"
ensuite, j'allais rejoindre mes copines, celles qui me faisaient bien délirer
celles qui, comme moi, avaient un pére, une mère
peut-être bien des frères et soeurs qui sait.....
mais moi, du genre beau parleur à l'endroit, sans foi ni loi
mais c'était pas moi le chien, mais....

Et puis du jour au lendemain, j'ai viré prêcheur
promettant des flammes aux pêcheurs et des femmes aux bons adorateurs
comme si Dieu avait besoin de ça pour mériter qu'on l'aime
mais moi, moi pour que les autres m'aiment, moi
moi, j'en ai dit des choses pas belles et j'en ai acceptées aussi
on m'a dit "t'es noir, tu veux te marier avec elle, mais t'es noir...."
les autres y disaient comme ça, qu'elle était trop bien pour moi
donc moi, moi j'faisais de la peine à voir
moi, j'continuais ma parodie, mon escroquerie spirituelle
sauf que, j'me carottais moi-même, j'étais devenu un mensonge sur pattes
qui saoule grave et qui sait même pas ce qu'il dit
qui voit même pas que c'est un malade et qui dit comme ça
tout le dit y dit comme ça....

Et je vous dis monsieur, je vous dis monsieur,
quand je pense à tout ça, je pleure

REFRAIN : Les autres, les autres, c'est pas moi c'est les autres..

Abd el Malik e o Islão


Nem vale a pena dizer mais nada...

Eu nem queria por este vídeo porque já estava no outro blog em que participo... mas é tão engraçado... Faz mesmo lembrar aquelas brincadeiras que temos com os amigos quando estamos em plena adolescência. Muito bom!

Histórias da bola - Brasil 50

Na celebérrima final do Mundial de 1950... Alto e pára o jogo! Não houve final nenhuma em 1950. A Copa realizada no Brasil começou com quatro grupos e - pela primeira e última vez num Mundial - os vencedores dos quatro grupos fizeram um campeonato entre si (Suécia, Espanha, Uruguai e Brasil). Por acaso, o Brasil -Uruguai, último jogo desse grupo final, reunia as duas únicas equipas que podiam ganhar o título pois entraram em jogo sem perder (o Uruguai empatara com Espanha e ganhara à Suécia e o Brasil arrasara os adversários: 7-1 aos suecos e 6-1 aos espanhóis). O Brasil-Uruguai tanto não era uma final que se os brasileiros tivesse empatado o jogo seriam campeões.

O Mundial de 1950 foi o primeiro depois da II Guerra Mundial. Berlim ficara encarregada do Mundial de 1942, que nunca aconteceria porque ela preferiu organizar outros combates. Por isso, em 1950, a Alemanha ainda estava castigada pela comunidade internacional e não foi convidada. Foram ao Brasil 12 selecções e outras, embora apuradas, recusaram ir. As quatro federações da Grã-Bretanha tiveram direito a dois lugares, escolhidos entre os finalistas do campeonato interno do Reino Unido. Seriam Inglaterra e Escócia, mas esta avisara que se não ganhasse aquela final não se sentiria digna de ir ao Brasil. Perdeu e cumpriu a palavra. Só foi a Inglaterra, um acontecimento: a pátria do futebol, pela primeira vez esteve num Mundial. Para substituir a Escócia, a FIFA convidou Portugal, que recusou, talvez por razões financeiras (só em 1966, Portugal participaria numa fase final). Outra recusa foi a de França. Esta não estava apurada (a Jugoslávia ganhara o seu grupo) mas foi convidada porque, afinal, o Mundial fora inventado pelos franceses. Durante a guerra, o presidente da FIFA, Jules Rimet, dormira com a taça do Mundo debaixo da cama. Mas a França também não aceitou, por causa dos moldes do Mundial brasileiro, sem jogos eliminatórios. Outra ausência: a Argentina, como se ela adivinhasse que outros, por ela, haveriam de humilhar os eternos rivais brasileiros. A Índia foi apurada mas a sua equipa tinha o costume de jogar de pés nus e a FIFA não aceitou isso. A campeã em título (vencedora do Mundial de 1938), a Itália, participou. No ano anterior, a equipa do Torino, que tinha oito jogadores da selecção, morrera toda num acidente áereo, em Superga, no regresso de um jogo amigável com o Benfica. A nova selecção recusou ir para o Brasil de avião e a longa travessia de barco (18 dias, com treinos no convés) fez de Itália uma equipa fraca. Enfim, o Mundial de 1950 começou a 24 de Junho. No dia seguinte, começou a Guerra da Coreia.

O primeiro jogo, Brasil-México, 4-0, foi uma facilidade que iria embalar ilusoriamente os brasileiros. Mas o essencial foi o lugar: inaugurou-se o Maracanã, uma lenda. E um lugar de tragédia colectiva mas isso ainda os brasileiros não sabiam. Só viam a imponência do maior estádio do Mundo, para 200 mil espectadores. Acabadinho de construir, ainda com andaimes: quando foram dadas as salvas saudando a inauguração, naquele jogo com o México, uma nuvem de pó de cimento encheu as bancadas. O Maracanã era o símbolo da importância que o país - ainda iludido pelo título que Stefan Zweig lhe emprestara, Brasil, País do Futuro - dava àquele Mundial. O treinador Flávio Costa (que viria a trabalhar no FC Porto) acabara com o deixa-andar costumeiro e fechou a selecção ao mundo: quatro meses antes, os jogadores deixaram de ver as mulheres. Até o programa dos jogos foi cuidado. Enquanto o Brasil faria todos os jogos na, então, capital (com uma excepção, em São Paulo), as outras equipas eram obrigadas a viajar milhares de quilómetros, entre Recife, Porto Alegre ou Belo Horizonte. Começaram a aparecer surpresas. Uma delas, das maiores da história de todos os Mundiais: a Inglaterra perdeu com os Estados Unidos. Para saber do que estamos a falar: o futebol, perdão, o soccer, era tão importante para os States que aquele jogo foi visto por um único jornalista americano, Dent McSkimming, do St. Louis Post Despatch, por acaso de férias no Brasil. Voltando ao Maracanã: o brasileiro Ademir marcou o primeiro golo dos nove que faria no torneio - nunca mais um brasileiro marcaria tantos num Mundial. Mas isso não é muito recordado porque 1950, brasileiramente falando, é para esquecer. A glória de Ademir pode não ter tido futuro, mas teve um presente extraordinário. Acabara ele de marcar esse primeiro golo e foi cercado, em pleno relvado, por dezenas de repórteres da rádio e dos jornais, ansiosos pelas primeiras palavras do goleador. Em Belo Horizonte, o Jugoslávia-Suíça começou 20 minutos atrasado porque as bandeirinhas de canto desapareceram. Indício de desorganização mas motivo de glória: foi o primeiro desafio de um Mundial a ser feito sob projectores eléctricos.

O Mundial de 50 foi um sucesso de assistência. Foi o primeiro acontecimento desportivo a ser visto por mais de um milhão de espectadores (ao vivo, não houve transmissão televisiva). E foi pena, porque houve momentos que outras partes do mundo teriam gostade de assistir em directo. A Inglaterra, além da honra que dera aos Estados Unidos, também se deixou derrotar por Espanha (0-1). O golo mais importante da nuestra história, anunciou um radialista para Espanha. A de Franco, que se sentiu vingada contra as democracias. O presidente da Federação Espanhola de Futebol gritou da tribuna do Maracanã, criando conflito diplomático: "Ganhámos à pérfida Albion". Entretanto, a Itália perdia para a Suécia a possibilidade de prosseguir. A equipa regressa a casa mais cedo e, dessa vez, deixa-se de maus augúrios e volta de avião.

Mas o Mundial de 50 é marcado por um dia, o tal que não é final mas foi o fim de uma enorme esperança. Aliás, esse dia, 16 de Julho, começou antes. Na véspera, o jornal O Mundo fez a primeira página com a foto da selecção brasileira e a manchete: "Estes são os campeões do mundo!" Nesse dia, no hotel, os uruguaios, quando iam à casa de banho, levavam esse jornal e regressavam sem ele. Nessa véspera, ainda, cada um desses jogadores recebeu um relógio de ouro, coma inscrição: "Campeão do Mundo". No dia do jogo, era época de eleições, os candidatos presidenciais interromperam o almoço da equipa para fazer discursos aos "campeões do mundo". No estádio - 205 mil espectadores, o recorde de sempre de um jogo de futebol -, antes do jogo, o governador do estado da Guanabara fez um discurso público, saudando "os campeões do mundo", a equipa brasileira. Ao Brasil bastava um empate, mas o extremo brasileiro Friaça decidiu aumentar o optimismo: 1-0. Foi então que o capitão uruguaio, Odulio Varela, pegou o destino nas suas mãos. Já antes, no hotel, quando o seu embaixador pediuà equipa para perder com honra, ele juntou a equipa e disse: "Vamos falar como homens. Isto é para ganhar". Quando Friaça marcou o golo, Varela foi discutir com o fiscal de linha. O Maracanã, que estava doido de alegria, virou-se contra o impertinente. Varela, com a bola debaixo do braço, manteve a cena o tempo suficiente para mudar o ritmo do jogo. Schiaffino empatou. E Ghiggia virou o resultado: "Só eu, Sinatra e o Papa calámos o Maracanã", dirá ele, décadas depois. Quando o árbitro inglês apitou o final, os radialistas choravam. Ary Barroso, autor de "Aguarela do Brasil", jurou, e cumpriu, nunca mais relatar um jogo. Jules Rimet passeava a taça sem ter a quem a entregar. E, depois, o silêncio do Brasil inteiro cercando o Maracanã silencioso. O guarda-redes Barbosa foi crucificado. No Mundial de 94 (44 anos depois!), ele quis visitar o balneário da selecção brasileira e foi expulso pelo treinador Zagallo: "Você é pé-frio [dá azar]".

in Diário Notícias N, 2 Nov. 2007