segunda-feira, fevereiro 20, 2006

Faltam-me palavras...

Passaram mil dias, milhares de horas, milhões de segundos, e tu sempre na minha cabeça, tu sempre a meu lado... acordando nos meus braços cansados de sonhar.

Hoje as coisas estão diferentes, um aperto na garganta faz-me chorar, e levanto-me para atender o telefone. Tu. Sempre a chorar do outro lado. Tu. Sempre a sofrer. Tu. Sempre dorida. Eu. Resignadamente aceitando o destino. Tanto no mal, como no bem, sempre acomodado, quando te amei, e quando te perdi... triste o fado...

Eu. Lutei contra os meus maiores estigmas e defeitos. Mas cheguei atrasado à batalha... Vi-a. Ao longe por entre duas folhas caídas.

A beleza das coisas reside em transformar o fundo do mar num calmo lago, banhado pelas verdes árvores da manhã de Setembro...

Va, vis et deviens


Schlomo viens ici... prés de moi

Apetece dizer ao pequeno Moshe, ao maior Mosche, e ao já Dr. Sirak... porque as vidas confundem-se... e a dor do pequeno silencioso tem as palavras por dizer de muitos... que não chegam nunca à terra prometida

Prometida a muitos, dada a demasiados poucos... encardida do sangue dos que lutam pela sua terra... que é de todos... e de ninguém... no escorrer destes lugares comuns soube Radu Mihaileanu não o filmar... de Israel, a Paris, onde a terra não mata, e a água corre sem fim, ao duro Sudão, pedras meias com a irmã Etiópia. Onde os pretos são mais Pretos, e a cor é menos cor... ou não fossem todos vermelhos... da cor de Deus, da cor do Amor... do sangue...

A beleza deste fime reside nos seus planos vulgares mas não muito, em locais invulgares mas não muito... E se traçássemos um paralelo com o Fiel Jardineiro... em tudo ganha o Va, Vis e Deviens. Porque há... um constante sentimento de perca, de solidão, de incompreensão, de inadaptação, de falta de palavras na terra de sonho... no olhar do pequeno Shlomo... há um olhar de África... porque por uma vez não são os escravos, mas sim homens livres, crentes libertos... e contudo... o que os recebe... é um país demasiado em guerra (sobre si mesmo)... um país perdido... porque é de todos...

Porque se eu plantei esta oliveira que te protege, tu plantaste a outra que tem em si os belos pássaros que me encantam.

sexta-feira, fevereiro 17, 2006

A gente vai continuar

Tira a mão do queixo, não penses mais nisso. O que lá vai já deu o que tinha a dar. Quem ganhou, ganhou e usou-se disso. Quem perdeu há-de ter mais cartas para dar. E enquanto alguns fazem figura. Outros sucumbem à batota. Chega aonde tu quiseres. Mas goza bem a tua rota.
Enquanto houver estrada para andar. A gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar. A gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.
Todos nós pagamos por tudo o que usamos. O sistema é antigo e não poupa ninguém, não. Somos todos escravos do que precisamos. Reduz as necessidades se queres passar bem. Que a dependência é uma besta. Que dá cabo do desejo. E a liberdade é uma maluca. Que sabe quanto vale um beijo.
Enquanto houver estrada para andar. A gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar . Enquanto houver ventos e mar. A gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.
Enquanto houver estrada para andar. A gente vai continuar. Enquanto houver estrada para andar. Enquanto houver ventos e mar. A gente não vai parar. Enquanto houver ventos e mar.
Jorge Palma

Walk Away

oh no here comes that sun again that means another day without you my friend and it hurts me to look into the mirror at myself and it hurts even more to have to be with somebody else and it's so hard to do and so easy to say but sometimes sometimes you just have to walk away walk away with so many people to love in my life why do i worry about one but you put the happy in my ness you put the good times into my fun and it's so hard to do and so easy to say but sometimes sometimes you just have to walk away walk away and head for the door we've tried the goodbye so many days we walk in the same direction so that we could never stray they say if you love somebody than you have got to set them free but i would rather be locked to you than live in this pain and misery they say time will make all this go away but it's time that has taken my tomorrows and turned them into yesterdays and once again that rising sun is droppin' on down and once again you my friend are nowhere to be found and it's so hard to do and so easy to say but sometimes sometimes you just have to walk away walk away and head for the door you just walk away walk away

Ben Harper

segunda-feira, fevereiro 13, 2006

Pinceladas de saudade em cores quentes

Passou quase um mês... E como escreveu António Machado...

O caminho faz-se caminhando.

Liberdade de expressão - expressão curiosa a de Liberdade

"Do ponto de vista epistemológico, se levarmos até ao extremo a ideia de relatividade das culturas, isto é, da sua radical diferença e originalidade, isso conduz-nos a admitir a impossibilidade absoluta de uma compreensão mútua entre culturas diferentes. Do ponto de vista político, ao relativismo cultural (mesmo na versão mais mitigada) pode opor-se a seguinte crítica: ele fornece um pretexto teórico ao não-intervencionismo. Isto é, face a uma agressão de que é vítima uma minoria devemos respeitar a atitude do agressor ou do agredido, tendo em conta a sua relatividade, isto é, a sua equivalência?"

Fernando Gandra, in CUCHE, Denys, A noção de cultura nas ciências sociais, Fim de século, Lisboa, 2003

Entre caricaturas, religiões e liberdades, às voltas na leitura deste livro encontrei umas ideias que muito se aproximam à minha posição em relação à recente polémica "dinamarquesa". Na realidade, a meu ver, toda esta polémica está intrinsecamente ligada ao relativismo cultural, e à aceitação do Outro.

Ultrapassando o chavão da liberdade de cada um terminar onde começa a do outro, a realidade obriga-me a reconhecer, que apesar do ateísmo fanático de que padeço, há que permitir a cada indivíduo tomar as suas escolhas religiosas.

O fim da história está claramente mais longe do que Fukuyama preconizava, e a actualidade espelha um choque de civilizações violento e sem fim previsível. Mais do que choque entre religiões ou dicotomia ocidente/oriente temos hoje um confronto ideológico sobre a conceitualização da Liberdade. É a definição dos limites e contornos desta que se esconde debaixo da bomba de Maomé, e é esta ideia que não tem sido suficiente e imparcialmente discutida.

É alarmante verificar-se que a liberdade de expressão, agnóstica e ateia, europeia que muito prezo, permitiu a movimentos religiosos católicos e judaicos, bem como políticos da extrema-esquerda à extrema-direita se associarem nesta "cruzada" pelo direito à livre expressão. Mas esta união entre grupos de opinião, tão diversos e opostos, é contra-natura e só um acordo tácito entre estes permite a sua existência. E traçando um paralelismo "enviesado", vem-me à memória as dificuldades do processo de adesão turco...

Só a mais pura falta de conhecimento teológico, se formos cândidos e ingénuos, ou um interesse sórdido na degradação das ligações entre ocidente e "mundo muçulmano", se formos pragmáticos, explica a publicação daqueles cartoons, e sobretudo do editorial que as acompanhava.

A questão da representação de ícones e referencias religiosos foi igualmente tema de discussão, embora numa escala bem menos global, na história da religião católica, e só o tempo, e acima de tudo o conhecimento e a informação dos crentes permitiu a aceitação iconográfica de alguns desses símbolos religiosos.

Se observarmos os milhares de crentes muçulmanos, que um pouco por todo o mundo saem à rua, poderemos ver na sua crença acima de tudo desconhecimento, e é essa lacuna que deveria ser colmatada pelos que hoje os atacam. O método e ferocidade das suas críticas é atiçado pelos seus líderes religiosos, cegos de poder, e embora não pareça, o seu alvo não é o Ocidente em geral, nem a Dinamarca em específico, mas antes o direito à escolha... sem crítica.

A minha posição neste assunto ultrapassa, portanto, o âmbito do direito à publicação de umas caricaturas, porque se é mais do que unânime que há o direito a esta, a realidade pressupõe e implica consequências que tem que ser consideradas em toda a sua plenitude. Isto significa que em tempos de "dificuldades de cooperação" com os "recentes" líderes políticos do mundo muçulmano teria que ser pesar melhor as acções e gestos que pudessem ferir susceptibilidades destes políticos, muitos deles, como Mahmoud Ahmadinejad, ansiosos por se legitimarem internamente. A longa e sinuosa história politica do Ocidente obrigava a uma mais pragmática e pensada política internacional...

quinta-feira, fevereiro 09, 2006

[em modo suspenso]


Peço-me desculpa por estes tempos sem tempo para escrever algo mais...

Mas... não encontro as chaves de regresso à calmaria...

Por umas horas mais... por uns dias mais...

Até ter tempo para encontrar o tempo perdido...

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Cada um tem o que Deus lhe dá...

A atriz Charlize Theron disse que muitas vezes perde papéis em filmes de acção porque os seus seios são muito pequenos, informou o jornal britânico The Sun.

Segundo a publicação, ela afirmou que muitos directores não a colocam no elenco de seus filmes por não poderem filmar com ela cenas de acção com os seus seios balançando.

Eu sempre soube que não poderia filmar aquelas cenas de lutas e corridas que as actrizes com seios grandes costumam fazer", disse a actriz.