segunda-feira, janeiro 09, 2006

Da "Campanha na TV" à Campanha no Público

Hoje enquanto lia o Público fiquei "fascinado" pelo artigo de Inês Nadais. No seguimento de outro escrito na mesma coluna, na semana anterior, é feita uma apologia à campanha do professor Cavaco Silva e à qualidade da "chuva de estrelas" que o seguem. Perante esta situação, e apesar da minha falta de hábito para comentar e criticar "oficialmente" o trabalho de outros decidi enviar um e-mail ao director do Público, indicando a minha preplexidade perante esta situação. Abaixo encontra-se o dito mail:
O jornal Público tem primado nos seus 16 anos de vida por uma salutar isenção dos seus artigos. Excepção feita ao Espaço Público, onde o seu objectivo é exactamente o de disponibilizar as opiniões e posições dos seus autores. E é por isso que este jornal tem mantido, apesar das mudanças editoriais, um registo e uma qualidade impares em Portugal, ao nível dos jornais diários.
Contudo, com o aproximar da campanha presidencial de 2006 e com a necessidade editorial de "encher" a secção Presidenciais 2006, foram "convidados" jornalistas de outras secções a escreverem artigos n'"A Campanha na TV". Esta situação merece alguma reflexão editorial, ou pelo menos alguma crítica da parte dos leitores. Para uma avaliação do desempenho dos candidatos, ou da qualidade da cobertura televisiva convém que seja alguém minimamente enquadrado na área, e com conhecimentos de marketing televisivo, da importância dos critérios editoriais, e outros aspectos que estão por detrás do já apelidado "4º poder". Concordando, ou não, com as opiniões de Eduardo Cintra Torres o conhecimento e qualidade das suas análises são indiscutíveis. Bem mais discutíveis encontram-se os artigos facciosos de Inês Nadais, se os artigos no destacável Y tinham já uma qualidade inferior aos demais, os seus recentes artigos "Soares vs SIC", de 04/01/06, e "Jorge Gabriel is watching you", de 09/01/06 demonstram uma clara falta de isenção. Se a autora tem uma intenção de voto, o que num país com elevados valores de abstenção é positivo, não é numa coluna "supostamente" descritiva do acompanhamento da campanha que o deve declarar.
Quanto ao último artigo citado, e em relação à qualidade da "chuva de estrelas" que apoiam Cavaco Silva, convém à jornalista compreender que todos os apoiantes das outras candidaturas que menosprezou são artistas e profissionais com carreiras com créditos firmados, ao contrário da própria autora. Mas, se mesmo assim achar que a qualidade destes é superior, indica-se de seguida alguns apoiantes da candidatura de Mário Soares, com a profissão destes em caso de falta de conhecimento da jornalista Inês Nadais. Caso mesmo assim não sejam suficientes, podemos avançar na lista de apoiantes:A. H. Oliveira Marques (Historiador); Álvaro Siza Vieira (Arquitecto); António Damásio (Investigador, Prémios Pessoa e Príncipe das Astúrias); António Hespanha (Professor Universitário); António Pedro Vasconcelos (Realizador de Cinema); António Rosado (Pianista); António Tabucchi (Escritor); Artur Jorge (Treinador de Futebol); Augusto Cid (Cartoonista), (...).
Quanto ao resto, um grato Bem-haja ao jornal Público pelo trabalho desenvolvido nos últimos anos no sentido de aproximar o nível do jornalismo português do europeu, e de jornais de referência como o Le Monde, ou o El País.

Sem comentários: